Em seu primeiro pronunciamento depois de conhecidos os resultados da votação de domingo, o candidato Jair Bolsonaro voltou a surpreender ao declarar que, no seu entendimento, teria vencido ainda no primeiro turno, o que só não teria acontecido por conta de fraudes nas urnas eletrônicas. Uma acusação da mais alta gravidade, mas que, felizmente, parece não ter fundamento, pelo menos não se deixando de lado os toscos boatos e fake news que circulavam nas redes sociais e cuja origem evidentemente não será muito difícil apurar.

Fica no ar a impressão de que o candidato está, na realidade, apenas tentando construir, preventivamente, sua versão para a possibilidade de insucesso na segunda rodada de votação. O sistema brasileiro de votação eletrônica absolutamente não é, ao contrário do que se andou dizendo – talvez pelos menos que também afirmaram que as chaves de segurança seriam monitoradas por uma empresa venezuelana –, vulnerável ou sujeito a fraudes. Na realidade é um dos mais modernos de todo o mundo, muito provavelmente o mais eficiente e ágil, o que ficou mais uma vez amplamente comprovado no domingo que passou. E sob as vistas de observadores internacionais, inclusive da Organização dos Estados Americanos (OEA), que atestaram a correção do processo. “Observamos todas as etapas, em diferentes fases, do transporte à instalação das urnas e hoje, domingo, estamos observando o funcionamento”, afirmou a chefe da missão.

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) voltou a avalizar a segurança do sistema, explicando como ele é monitorado, assegurando que ele garante ao eleitor brasileiro a possibilidade de exercer seu voto com liberdade e de acordo com sua consciência. Informou, também, que todas as denúncias foram imediatamente investigadas e que a partir de agora, com auxílio da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, serão apuradas as origens desses movimentos, o mesmo acontecendo com os boatos espalhados através de redes sociais.

Esse processo tem que ter precisão cirúrgica e ser rápido, impedindo distorções de cuja existência todos têm conhecimento, mas que prosseguem, com riscos evidentes de corromper o processo eleitoral e, aí sim, a sua própria segurança. Apesar das tensões existentes e de alguma exaltação, potencializadas também pelas novas ferramentas de comunicação, felizmente a eleição de domingo correu em ordem, sem nenhuma ocorrência relevante registrada, o que, nas circunstancias, produz alguma sensação de alívio.

Cabe esperar ou, antes, exigir, que esse clima não seja alterado, para que afinal a etapa crucial do processo democrático se cumpra sem perturbações ou sequer dúvidas quanto à sua integridade.