Motivo de discórdia na imprensa especializada, a suspensão traseira da Frontier merece elogios. Realmente, ela não deveria ser chamada de multilink, pois este nome caracteriza sistemas independentes que utilizam múltiplos braços.

Ainda dependente e com eixo rígido, o projeto da Nissan é inovador, pois usa quatro braços, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores. Unir este tipo de mola com amortecedores, quando se utiliza eixo rígido, não é novidade, mas em um veículo de transporte de carga, sim.

Contudo, a Frontier tem a melhor suspensão traseira do mercado. Ao contrário da maioria das picapes médias, que pulam muito quando estão leves, este sistema da Nissan oscila em frequência mais baixa e com maior amplitude.

Não transforma o modelo em um sedan, mas melhora muito o conforto de marcha. Além disso, ela garante estabilidade condizente com o peso e altura do veículo e mantém o eixo traseiro mais tempo em contato com o solo, garantindo mais segurança direcional.

Já o conjunto suspensão dianteira e direção hidráulica está na média do mercado, nem muito pesada, nem muito leve, calibração suficiente para ser confortável, sem sobras.

Motor e câmbio – O conforto acústico na Frontier é muito bom. Diversos materiais isolantes e os vidros especiais tornam a cabine bem silenciosa. Aos 110 km/h, e em sétima marcha, o motor gira a pouco mais de 2.000 rpm.

Nesta situação praticamente só se ouve o vento contra a carroceria e quase nada do motor e dos pneus. Rodando de forma econômica atingimos até 14 km/l em estradas, nos trechos mais planos, uma boa média para o tamanho e peso do veículo.

Quando exigido, o conjunto motor e câmbio deu conta do recado, com boas acelerações e retomadas. O câmbio é suave nas trocas, mas as primeiras três marchas são bem reduzidas, bom para quando a picape está carregada, mas um tanto travado para rodar sem peso na caçamba.

Trocar as marchas manualmente ajudou no freio-motor e nas reduções para ultrapassagens, apesar de o sistema ser muito conservador e só permitir usar marchas que não elevassem muito o giro do motor.

Como em todos os câmbios automáticos comandáveis através da alavanca de câmbio, era preciso deslocar a mesma para acionar o modo manual.
Seu tanque comporta 80 litros e garantiu ótima autonomia. Já suas dimensões não ajudaram achar vagas na rua ou conseguir garagem que a coubesse. Ela mede 5,26 metros de comprimento e 1,85 metro de largura.

Tem capacidade de 1.064 kg de carga. Já sua caçamba tem 1,50 metro, 1,56 metro e 0,47 metro (comprimento, largura e altura, respectivamente).
Com 30,3° de ângulo de ataque, 27,4° de ângulo de saída e 230 mm de altura livre do solo, rodamos por 100 km em estradas de terra e em algumas trilhas fáceis sem problemas. Como de costume, o conforto foi maior na terra que nas estradas de asfalto mal conservadas.

O que chamou a atenção foi o rodar sobre calçamento de pedras com a calibragem dos pneus para asfalto. Mesmo nessa condição, o conforto a bordo foi mantido, algo incomum em picapes.

O espelhamento do smartphone ajudou ao usarmos a navegação por GPS, mas um sistema nativo fez falta em regiões sem sinal de celular. O ar-condicionado é muito bom, mesmo não sendo automático.

Falhas – Algumas economias promovidas pela Nissan são imperdoáveis. O sistema de áudio só conta com alto-falantes na parte da frente da cabine, deixando a desejar na qualidade sonora.

Mas a pior mancada mesmo foi oferecer câmera de marcha à ré sem sensor de estacionamento. Em um veículo tão grande e pesado eles são imprescindíveis e este equipamento, relativamente barato, não poderia estar de fora de um veículo com este valor.

Como sempre opinamos sobre as picapes médias, elas só fazem sentido para quem realmente precisa transportar cargas. Viajando com apenas três pessoas, tivemos que usar o espaço restante da cabine para as bagagens, pois com as chuvas, não podíamos usar a caçamba.

Já para quem circula por estradas, precisa carregar grandes volumes e pesos maiores, a Frontier cumpre essas tarefas oferecendo mais conforto que suas principais concorrentes. No caso dessa versão Attack, ela irá agradar aos que valorizam um visual diferenciado, não fazem questão do ar-condicionado automático digital e também não querem gastar tanto para ter um modelo topo de linha.