Apesar do aumento da produção, setor produtivo segue receoso com a queda nos preços e possivel redução nos investimentos - Foto: Divugação

O presidente do CNC, Silas Brasileiro, explica que o aumento do consumo de café é fundamental para garantir a sustentabilidade econômica da produção. “Essa é uma preocupação que sempre deixamos clara nos últimos anos na OIC, em todas as reuniões realizadas em Londres, Costa do Marfim e México. Não há como aceitarmos solicitações para aumento de produção sem que haja demanda nos mesmos níveis de crescimento, pois isso sufocaria ainda mais os cafeicultores em todo o mundo”, explicou.

Brasileiro espera que as indústrias contribuam nesse cenário, permitindo que a formação de preços justos e remuneradores para os cafeicultores. “O respeito socioambiental os produtores possuem por princípios e necessidade de zelar por seu patrimônio, principalmente no Brasil, onde trabalhamos sob os olhos de rígidas e corretas legislações. Precisamos que os industriais exerçam o lado econômico da sustentabilidade, comprando nosso produto sustentável a preços remuneradores e que permitam a manutenção dos cafeicultores na atividade, com renda para suas famílias e seus países”, disse o presidente do CNC.

A garantia de renda para os cafeicultores também é defendida pelo diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e presidente das Comissões de Cafeicultura da Faemg e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita.

De acordo com ele, o estímulo ao consumo do café é fundamental e as ações devem ser implantadas com urgência. Além disso, Mesquita defende que os países produtores devem criar políticas que contribuam para a sustentação dos preços em níveis rentáveis. O Brasil, por exemplo, trabalha com mecanismos via estocagem e opção privada, que contribuem para que os períodos de preços baixos sejam superados, porém, com a falta de ações dos demais produtores, o País acaba sendo penalizado.

“Um dos pontos que estamos discutindo e é uma forma de agregar valor é ampliar o consumo interno em países produtores, principalmente, na África e América Central. Estes países, ao contrário do Brasil, colocam praticamente todo o café no mercado internacional. Neste ano, que a produção será muito próxima do consumo, estamos com preços muito baixos e que penalizam todos os produtores. Se não motivarmos o consumo, teremos safras altas sem ter consumo proporcional”.

Para Mesquita é preciso que os países produtores trabalhem unidos e de forma diferente da atual. “É preciso que todos nós, produtores de café do mundo, façamos políticas para que todos ganhem. Nosso foco precisa ser o produtor, que é o elo mais fraco da cadeia. Agora, com a reunião da OIC, e o alarme que está soando no mundo todo em relação aos preços baixos pagos pelo café, temos que sentar e criar e colocar em prática uma série de mecanismo para resolver a situação”. (MV)