Catarina Papa explica que é preciso olhar para o futuro não como se ele fosse uma única realidade, mas como plural e complexo - Alisson J. Silva

Se preparar para um novo mercado de trabalho que ainda está em transformação pode parecer muito difícil, principalmente para uma geração que cresceu em um mundo totalmente diferente do atual. Mas, para vários palestrantes que participaram do Conexões Humanas, evento realizado pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), no dia 21 de novembro, na sede da Unimed-BH, na região Centro-Sul da Capital, as habilidades que ajudarão os profissionais a viverem a era digital passam, principalmente, por questões socioemocionais. Especialista em futurismo e fundadora da Rito, Catarina Papa, explica que é preciso olhar para o futuro não como se ele fosse uma única realidade, mas como plural e complexo.

“Infelizmente a gente não aprende isso na escola, mas precisamos olhar para o futuro não como algo preditivo, mas como algo a ser imaginado e cocriado. Para isso precisamos de habilidades como autoconhecimento, mas também curiosidade para entender o que é maior que a gente. Um futurista também deve ter criatividade, imaginação, visão sistêmica e resiliência”, diz.

O professor da Saint Paul Escola de Negócios, Saulo Borges, lembrou que projetar esse futuro é importante para que o profissional tenha a oportunidade de participar ativamente dele. Para ele, a pessoa que abre mão de cocriar esse futuro está delegando a um terceiro a tarefa de decidir sua posição, condição e carreira. “Imaginar sua carreira no futuro é, sim, um desafio. Mas as pessoas podem começar eliminando aquilo que elas não querem fazer: se fizerem isso, já selecionam algumas coisas do seu interesse e garantem sua própria participação nesse processo”, diz.

A comunicação é outra habilidade imprescindível para o profissional do futuro. Mas, não é qualquer tipo de comunicação, conforme alertou Flávio Reis, sócio-fundador da La Gracia Design, empresa de inteligência em comunicação centrada em pessoas. O empreendedor afirma que a comunicação tem que fazer sentido para o público e isso requer um objetivo bem definido sobre o que se quer comunicar, assim como um método que seja atrativo.

“Muitos executivos reclamam que reuniões e apresentações são feitas, mas nada muda.

Mas, será que a comunicação que eles usam não é sempre a mesma? Como crio uma apresentação que tire as pessoas da mesmice? A resposta é simples: fazendo algo diferente”, disse. Reis lembra que a ação que os executivos esperam de seus colaboradores só virá quando houver compreensão do que está sendo dito. A compreensão, por sua vez, só acontecerá quando a mensagem despertar o interesse do ouvinte.