Toffoli foi empossado ao lado de investigados pelo Supremo, como o presidente Michel Temer, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia - Carlos Moura/STF

Brasília – Em tom conciliador, Dias Toffoli tomou posse ontem como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a pluralidade, destacou a harmonia entre os três Poderes da República e propôs um pacto nacional entre eles.

Em longo discurso – parte dele dedicado à importância da educação como instrumento de desenvolvimento e à construção da cidadania – Toffoli também defendeu a necessidade de buscar soluções para impasses por meio do diálogo.

“A harmonia e o respeito mútuo entre os poderes da República são mandamentos constitucionais. Não somos mais nem menos que os outros Poderes. Com eles e ao lado deles, harmoniosamente, servimos à nação brasileira. Por isso, nós, juízes, precisamos ter prudência”, disse o ministro, durante a solenidade de posse, acrescentando que o País não passa por uma crise, mas por uma “transformação”.

Ao citar Jurgen Habermas, Hannah Arendt e Celso Lafer, Toffoli afirmou que a pluralidade fundamenta o poder – “o poder que não é plural é violência!”, pontuou.

“Os pactos se dão constantemente. Daí a necessidade de diálogo. Do olho no olho. E o medo nos afasta! E se a política falha? Resta o pacto fundante: a autoridade da Constituição e do Direito. E nós, o Supremo, somos os garantes deste pacto!”, defendeu, citando mais de uma vez que é hora de valorizar o “entendimento e o diálogo”.

O novo presidente da Suprema Corte aproveitou a ocasião para conclamar os presentes – dentre eles o presidente Michel Temer, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), além de governadores, parlamentares, representantes do Ministério Público e de organizações civis – ao diálogo, a uma pacificação e ao que chamou de um “pacto nacional” entre os poderes da República, “mediante um diálogo franco e propositivo”. “Vamos ao debate plural e democrático”, disse, propondo a elaboração de uma “agenda comum”, sem que isso interfira na integridade dos poderes.

Aos 50 anos, Toffoli é o mais jovem integrante a presidir o STF desde o Império. Até então, o mais jovem a ocupar o cargo havia sido o decano da corte, ministro Celso de Mello, que assumiu aos 52 anos. O mandato de Toffoli e do seu vice, Luiz Fux, vai até 2020. Toffoli foi nomeado para o STF pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem foi, entre outros cargos, advogado-geral da União.

Mantega – Dias Toffoli, que tomou posse ontem como presidente da Corte, acolheu liminar para suspender ação penal contra o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega no âmbito da Operação Lava Jato. O magistrado aceitou argumento da defesa de que a denúncia, envolvendo supostos repasses da Odebrecht, deveria estar sob responsabilidade da Justiça Eleitoral, e não com o juiz Sérgio Moro. Toffoli estendeu a decisão a outros réus do processo, como o casal de marqueteiros petistas Mônica Moura e João Santana.

O magistrado da 13ª Vara Federal do Paraná aceitou denúncia, no âmbito da Operação Lava Jato no dia 13 de agosto contra o ex-ministro por lavagem de dinheiro e corrupção na MP da Crise.

“Pois bem, à luz do entendimento fixado na ação paradigma, entendo, neste juízo de cognição sumária, que a decisão do Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba/PR tentou burlar o entendimento fixado no acórdão invocado como paradigma, ao receber a denúncia do Ministério Público Federal, acolhendo, sob a roupagem de corrupção passiva, os mesmos fatos que o Supremo Tribunal Federal entendeu – a partir dos termos de colaboração contidos na PET nº 6986-AgR/DF – que poderiam constituir crime eleitoral de falsidade ideológica (art. 350 da Lei nº 4.735/65), por se tratar de doações eleitorais por meio de caixa 2”, anotou. (Reuters/AE)