Bolsonaro afirmou ontem que pretende realizar uma audiência com os presidentes do Senado e da Câmara - Valter Campanato

Brasília – O presidente eleito Jair Bolsonaro disse ontem que a pasta do Trabalho será mantido com o status de ministério. A afirmação ocorre depois de ele ter anunciado que a pasta seria extinta. “Vai continuar com o status de ministério, não vai ser secretaria”, disse o presidente eleito depois de visitar o Superior Tribunal Militar (STM).

Mais cedo durante visita ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), Bolsonaro afirmou que a estrutura do ministério seria absorvida por outra pasta, mas não indicou qual.

“Eu não sei como vai ser, está tudo com Onyx Lorenzoni [ministro extraordinário da transição] e mais algumas pessoas que trabalham nessa área, e temos tempo para definir”, disse o presidente eleito. “A princípio é o enxugamento do ministério, ninguém está menosprezando o Ministério do Trabalho, está apenas sendo absorvido por outra pasta.”

Bolsonaro negou que o Ministério do Trabalho será agregado à Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) no futuro Ministério da Economia. “Indústria e comércio está lá no superministério do Paulo Guedes, botar mais o Trabalho lá acho que fica muito pesado.”

O presidente eleito deixou o STF e seguiu de helicóptero até o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, onde está a equipe de transição para o novo governo. De acordo com assessores, ele ficou apenas alguns minutos no local e foi para o apartamento funcional na Asa Norte.

Leia também:

Fernando Azevedo vai assumir a Defesa

Congresso – Bolsonaro afirmou ontem que pretende participar de uma audiência com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), e procurou minimizar um eventual mal-estar com os presidentes das duas Casas Legislativas.

Em entrevista na chegada ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), Bolsonaro disse que houve um “mal-entendido” que levou ao cancelamento das audiências com as duas autoridades na manhã ontem. Ele disse que pretendia apenas rever colegas da Câmara e que sua assessoria tinha achado que era para marcar reuniões formais com Maia e Eunício.

“Houve um mal-entendido… quero entrar no plenário, apertar a mão dos deputados, meus amigos, dar um abraço neles e a partir daí uma audiência com o Rodrigo Maia e depois também com o Eunício. Eu não tenho problema de falar com eles e nem eles para falar comigo”, disse.

Segundo Bolsonaro, está previsto um café na quarta-feira com Maia. Ele destacou que, se o encontro não ocorrer, na próxima semana vai haver “com certeza”.

A movimentação de Bolsonaro visa a reduzir um desconforto no Congresso, após o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, ter dito na semana passada que era necessário dar uma “prensa” nos parlamentares para aprovar a reforma da Previdência ainda este ano. (ABr/Reuters)