A mineração no chamado Morro do Ouro, liderada pela empresa canadense Kinross Gold Corporation, representa a principal atividade industrial para a geração de emprego e renda na região (José Cruz/Agência Brasil)


O rompimento da barragem de rejeitos da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), há duas semanas, acendeu o alerta para todos os demais tipos de reservatórios no Estado e no Brasil. Em Paracatu, na região Noroeste de Minas, por exemplo, estão as barragens de rejeitos da Morro do Ouro, a maior mina de ouro em céu aberto no mundo. Pertencentes à Kinross Brasil Mineração, subsidiária da canadense Kinross Gold Corporation, as estruturas somam 542 milhões de metros cúbicos de resíduos na cidade.

Segundo Relatório de Segurança de Barragens elaborado pela Agência Nacional das Águas (ANA), os reservatórios estão enquadrados com Dano Potencial Associado (DPA) alto e Categoria de Risco (RIC) baixo.

O DPA refere-se ao dano causado em situação de acidente ou rompimento e é classificado de acordo com as infraestruturas e populações localizadas abaixo da barragem. Já a RIC é referente a aspectos da própria barragem que possam influenciar na possibilidade de ocorrência de acidente.

E, não bastassem as classificações, a extração de ouro ainda utiliza metais pesados (inclusive arsênio, que é cancerígeno), que são descartados juntamente com os demais dejetos e que em caso de rompimento das barragens, derramaria lama tóxica nos arredores da cidade.

Procurada pela reportagem, a Kinross confirmou que possui duas barragens – Eustáquio e Santo Antônio –, ambas construídas pelos métodos de jusante e linha de centro, no município de Paracatu. A primeira foi construída em 1987 e possui 483 milhões de metros cúbicos de capacidade, sendo que 399 milhões de metros cúbicos desse total são utilizados. Já a barragem Eustáquio, está em operação desde 2010 e possui 750 milhões de metros cúbicos de capacidade, sendo que 143 milhões de metros cúbicos deste total são utilizados.

Além disso, a empresa informou que trabalha com o conceito da prevenção e preza pelas melhores práticas em relação a projetos, construção e monitoramento de barragens. “Realizamos investimentos vultosos (cerca de R$ 26 milhões/ano) na gestão de segurança das barragens, o que inclui equipes de monitoramento, aquisição e manutenção de equipamentos, análise de dados, apoio de empresas especialistas e realização de auditorias semestrais”, disse por meio de nota.

A mineradora ressaltou ainda que adota procedimentos rigorosos de construção, manutenção e monitoramento das estruturas, incluindo especificações e procedimentos técnicos de construção. E que o monitoramento é feito através de inspeções periódicas, leitura e avaliação das leituras de instrumentos por empresas especialistas.

Auditorias – Por fim, garantiu que conduz auditorias semestrais realizadas por empresas especialistas independentes, que atestam a segurança das barragens. E que estas empresas praticam procedimentos de engenharia alinhados com as normas técnicas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e melhores práticas de engenharia de barragens alinhadas com Icold (Comitê Internacional de Grandes Barragens).

“As barragens da empresa são vistoriadas por fiscais de instituições públicas federais (agências reguladoras), como ANM, e estaduais (Igam, Feam e Supram). Em 2018, a Kinross recebeu vistorias e inspeções da ANM e Feam, sendo uma no primeiro semestre e, outra, no final do ano. As duas fiscalizações atestaram a segurança de suas barragens”, afirmou no documento.