Maria Inês Vasconcelos*

Sem tropeçar na questão midiática – que é quase sempre a questão da discriminação salarial, o que queremos, em homenagem às mulheres, é caminhar para uma pauta muito mais prazerosa aonde possamos apenas ser e celebrar.

Temos sim, muito a festejar pois estamos conseguindo dar vazão às nossas potencialidades e ocupar nosso lugar. No ponto mais distante de nossas explorações já somos nós mesmas.

Claro, por muito tempo estivemos separadas por um muro que nos impedia de viver junto com os homens. Vivíamos, atrás. Mas houve uma progressão social, cultural, histórica e de grandes lutas individuais, que nos trouxeram para onde   estamos, hoje.

Neste lugar, podemos avistar sem desassossego, grandes possibilidades. Aqui, o medo, a inquietação ou a insegurança não nos engessa tanto mais. Nossa vontade de ser descortinou novas oportunidades, além do planalto estéril que vivíamos.

Um novo conceito de mulher surgiu. Não é uma mulher menos doce, menos meiga, menos redonda em suas formas.

É uma mulher multifacetada. Executivas, empreendedoras, escritoras, advogadas, magistradas, cientistas e políticas. Há até mulheres exercendo atividades tradicionalmente ocupadas pelo sexo masculino, como pilotos de avião e até construção civil. Há postos de trabalho importantíssimos nas mãos das mulheres.

A insistência entre nós e eles, já nos cansou. Partilhamos das mesmas necessidades e experiências como seres humanos. Recebemos a mesma educação, falamos a mesma língua e, além disso, somos mães e, cá para nós, povoamos esse país!

Mas é claro que chegar até aqui não foi brincadeira. Romper o muro alienante e excludente, que nos deixou na escuridão por séculos, foi duro. O discurso sexista era um grande empecilho. Sequer podíamos votar! Lembram-se?

Mas nosso empenho fez surgir uma mulher mais versátil, mas que nunca perdeu a ternura e nem se deixa de arvorar do papel de ser mãe, eis que é o nosso melhor “estado”. Amamos esse “papel”, que tantas alegrias nos dá e que só nós, podemos experimentar, com tanto júbilo.
Certo é que não somos mais pacientes tão cativas da exclusão. 

Aprendemos a resistir, a lutar, a enfrentar o preconceito e estamos extremamente conscientes de nossos direitos e de nosso papel na sociedade. 

Não perdemos nenhum traço de nossa personalidade e de nossa essência, ainda amamentamos, limpamos, cozinhamos e amamos. Apenas experimentamos romper o muro que nos impedia de sair de um local de grande vulnerabilidade. Neste lugar éramos impedidas de fazer nossas escolhas.

Hoje, somos muito mais livres, existimos e vamos deixar um grande legado cultural, filosófico e científico, e, é claro, as nossas maiores pérolas, nossos filhos.  Valeu e sempre vale à pena.

  • Advogada Trabalhista, especialista em direito do trabalho, professora universitária e escritora