A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) vai investir R$ 1 bilhão em 2019, montante superior ao aportado pela companhia nos últimos três anos. Cerca de 70% do volume anunciado deve ser direcionado à área de siderurgia, de forma a dar sustentabilidade às operações.

Para isso, os investimentos serão aplicados em dezenas de projetos visando à eliminação da obsolescência e à melhoria dos equipamentos, com foco nas áreas de segurança e meio ambiente, além da reposição de ativos.

Para o presidente da produtora de aços planos, Sergio Leite, o elevado Capex anunciado aos acionistas e mercado em geral na última sexta-feira (18) marca, de vez, a recuperação da companhia, que viveu momentos difíceis nos últimos anos, com turbulências e prejuízos.

“No fim do ano passado, a Usiminas encerrou um período voltado à recuperação dos resultados. Agora já se encontra em uma nova fase, cujo foco é a perenidade da empresa e a sustentabilidade dos negócios”, afirmou.

Conforme Leite, os números da siderúrgica mostram investimentos da ordem de R$ 220 milhões em 2016 e 2017, cada, e um volume maior em 2018: cerca de R$ 500 milhões. Agora, com o anúncio de aportes de R$ 1 bilhão, a companhia retorna ao patamar de investimentos de grandes empresas.

“Serão 70% para a siderurgia, 20% para a mineração e 10% nas demais áreas. E o objetivo é que estes níveis sejam mantidos também nos próximos exercícios”, adiantou.

Apesar de não detalhar o que será feito em cada uma das áreas, o presidente da siderúrgica disse que, do total previsto para 2019, R$ 60 milhões serão destinados à reforma do alto-forno 3, o de maior capacidade produtiva da usina de Ipatinga, no Vale do Aço.

Conforme já publicado, a obra como um todo vai consumir aportes da ordem de R$ 1 bilhão e resultará em cerca de 100 dias de paralisação das atividades na planta.

“A verba destinada à reforma do alto-forno neste ano ainda é menor e, obviamente, será elevada nos próximos dois exercícios, já que a obra está prevista para ocorrer entre 2021 e 2022. No momento, o que estamos realizando são algumas etapas do processo de manutenção, que inclui compra dos equipamentos e placas para substituir o gusa e o aço na produção, enquanto o alto-forno estiver desativado”, explicou.

Leite lembrou ainda que atualmente a Usiminas possui três grandes frentes de trabalho que consumirão aportes bilionários nos próximos anos. Além da própria reforma do alto-forno 3 da usina de Ipatinga, ainda há a criação de uma nova linha de galvanização na mesma planta e a retomada da produção de aço bruto em Cubatão (SP).

Sobre a linha de galvanização, ele informou que a companhia pretende apresentar o projeto para apreciação do Conselho de Administração ainda neste exercício. Já quanto à retomada das áreas primárias da usina de Cubatão, o presidente da Usiminas ponderou que, embora a companhia tenha divulgado anteriormente que seria uma decisão para o segundo semestre, foi adiada para o ano que vem.

“Dos três projetos, o mais prioritário é o da reforma do alto-forno. O de galvanização, uma vez aprovado, levará de dois anos e meio a três (anos) para ser implantado. Já a retomada de Cubatão se tornou o menos prioritário, pela lenta retomada da economia brasileira”, justificou.

Desempenho – A Usiminas encerrou o primeiro trimestre de 2019 com lucro líquido de R$ 76 milhões, contra R$ 157 milhões no primeiro trimestre do ano passado, o que corresponde a uma queda de 51,5%. Na comparação com o quarto trimestre de 2018, quando a companhia havia tido lucro de R$ 401 milhões, queda de 81,2%.

No entanto, o Ebitda Ajustado consolidado (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) dos três primeiros meses deste ano foi de R$ 487,5 milhões, ante R$ 363,5 milhões do trimestre anterior, uma alta de 34,1%, excluindo os efeitos não recorrentes. Já a margem de Ebitda.

Ajustado da companhia atingiu 13,8% no primeiro trimestre contra 10,6% nos últimos meses de 2018, também sem efeitos não recorrentes.

Conforme a empresa, um dos principais destaques no resultado consolidado do período foi a elevação de 25% no volume total de vendas de minério de ferro, que registrou 1,9 milhão de toneladas. Nas vendas de aço, foram registradas cerca de 1 milhão de toneladas, mantendo-se em linha com os números. (MB)

Retomada de Cubatão deve ficar para 2022

São Paulo – A usina da Usiminas em Cubatão (SP) pode reativar parte de sua produção de aço em 2022, se houver demanda nacional para isso. A retomada pode ocorrer menos de um ano depois da expectativa de a empresa manter a unidade parada por até cinco anos, em meio ao fraco crescimento da economia brasileira, afirmou na quinta-feira o presidente-executivo da companhia, Sergio Leite.

“O Brasil tinha uma expectativa de crescer 2,5% neste ano e nesta semana a previsão está em 1,95%…A atividade econômica está aquém do que esperávamos”, afirmou Leite à Reuters. “Se o Brasil tivesse crescido ano passado 2% ou 3%, talvez tivéssemos que acelerar (a retomada da usina). Nada acontecerá antes de 2022, isso passa por crescimento econômico.”

Leite lembrou que a Usiminas decidiu no final de 2015 paralisar a produção de aço bruto em Cubatão, que tem capacidade para 4 milhões de toneladas anuais, por três a cinco anos, mas que atualmente, a companhia não está com pressa para uma reativação enquanto a economia nacional segue patinando.

Mas o executivo afirmou que a Usiminas trabalha em um plano para reativar parte da unidade, um alto forno, uma acearia e outras instalações, dentro de um orçamento projetado de cerca de R$ 1 bilhão.

“Não vamos tomar decisão (sobre Cubatão) neste ano, vamos levar para aprovação ao conselho de administração em 2020 e para voltar precisa de dois anos após a aprovação”, disse Leite.

O executivo, porém, afirmou que está vendo sinais positivos que indicam melhora da demanda brasileira por aço, após os leilões de aeroportos, terminais portuários e da ferrovia Norte Sul, no início deste ano, além da perspectiva de privatizações na área de refino da Petrobras.

“Estamos esperando um crescimento do consumo de aços. Continuamos confiantes no Brasil, vai haver um crescimento, talvez não o que esperávamos. Tudo indica que a partir de 2020 teremos um crescimento econômico maior”, disse Leite.

Minério – Sobre os impactos gerados na indústria siderúrgica pelo desastre da mina da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Leite disse que a mineradora assegurou a oferta de pelotas de minério de ferro para 2019.

“Desde o início tivemos compromisso da Vale de nos abastecer e ela cumpriu o que acordou conosco nas mesmas condições (de preço)”, disse Leite.

Ele disse que o retorno de operações da mina Brucutu, a maior da empresa em Minas Gerais, autorizada pela Justiça, foi obtida em parte após mobilização do setor siderúrgico e de mineração junto ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e ao governo local.

“O primeiro resultado positivo (da mobilização) é a volta de Brucutu”, disse Leite.

Cerca de 5% da carga de matéria-prima usada pela Usiminas para produção de aço é formada por pelotas e o material é inteiramente suprido pela Vale. Outros 50% vêm da unidade de mineração da Usiminas, Musa, e os 45% restantes de outras mineradoras, afirmou o executivo.

Leite defendeu que mineração não é o foco da Usiminas, ao ser questionado sobre os planos da empresa para se desfazer de sua fatia na mineradora, que tem como sócia o grupo japonês Sumitomo. Por sua vez, o vice-presidente financeiro da companhia, Alberto Ono, afirmou mais cedo a analistas apenas que “o processo de análise para desinvestimento continua”. (Reuters)