Paralisação ou redução de operações da companhia vem afetando municípios mineradores - Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

A Vale informou ontem, durante reunião com representantes da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig), que fará novo aporte, no valor total de R$ 100 milhões, válido para o período de três meses, destinado a dez cidades que tiveram prejuízos devido à paralisação ou redução das operações da mineradora. Os municípios contemplados são Barão de Cocais, Belo Vale, Congonhas, Itabirito, Mariana, Nova Lima, Ouro Preto, Rio Acima, São Gonçalo do Rio Abaixo e Sarzedo. Diretor-presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo participou do encontro.

Em abril, a Vale já havia liberado R$ 100 milhões a essas mesmas cidades como forma de reduzir os prejuízos causados por queda na arrecadação provocada pela diminuição da atividade mineradora após a tragédia em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Nova avaliação sobre tais aportes será feita em três meses.

Consultor de Relações Institucionais da Amig, Waldir Salvador disse que os representantes da Vale garantiram, durante a reunião, que a empresa não pretende reduzir suas atividades em Minas. Também foi informado que, com a retomada da mina de Brucutu, na região Central de Minas, a empresa recuperou 1/3 das operações que foram paralisadas após a tragédia em Brumadinho. Além disso, outro 1/3 deve ser reativado até o final do ano, com a volta das operações no Complexo Vargem Grande, em Nova Lima, na RMBH. O restante deve ser retomado no prazo de até quatro anos, com o descomissionamento das barragens.

“Tivemos a garantia que a empresa não tem planos de desinvestimentos em Minas, que irá retomar todas as suas operações depois de descomissionar as barragens, sem prejuízo às cidades mineradoras e ao Estado”, disse Salvador.

Segundo ele, a empresa informou que depende do minério extraído em Minas, que é misturado à matéria-prima do Pará, formando o produto colocado à disposição do mercado mundial.

Acompanhamento mensal – Desde a tragédia de Brumadinho, a Amig tem reuniões mensais com representantes da Vale. O encontro de ontem foi convocado extraordinariamente devido à relevância da pauta: buscar o compromisso, por parte da Vale, de que a empresa manterá suas atividades no Estado. Salvador explica que o grupo buscava maior clareza sobre o planejamento da mineradora para os próximos anos, pois havia o temor de que a empresa priorizasse investimentos no Pará em detrimento de Minas. “Se isso ocorrer, será a falência de pelo menos dez cidades”, disse.

Salvador considera que, atualmente, mesmo os municípios atingidos pela redução das atividades da Vale estão em situação considerada confortável. Isso porque a Vale vem fazendo compensações. Além disso, as perdas com arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) ainda não foram sentidas, pois o valor do imposto é calculado sobre a média dos dois anos anteriores.

No caso das cidades mineradoras, o ICMS da mineração corresponde a pelo menos 70% do total do recolhido com o imposto, conforme cálculo da Amig. De acordo com Salvador, os municípios mineradores não conseguirão substituir a base de sua atividade econômica no curto prazo. “Essa é uma discussão para médio e longo prazos”, afirmou.