Mina de Brucutu tem capacidade de 30 milhões de toneladas ao ano - Crédito: Divulgação

A Vale vai voltar a operar a mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo (região Central). A informação é da própria mineradora, após decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendendo liminar que determinou a interrupção das atividades da barragem Laranjeiras. As operações deverão ter inicio nos próximos dias.

Em fato relevante, a empresa disse que, com a decisão, haverá “um incremento da qualidade média do portfólio de produtos da Vale” e reafirmou a projeção para as vendas de minério de ferro e pelotas em 2019, entre 307 milhões de toneladas e 332 milhões de toneladas. “A expectativa atual é que as vendas se aproximem do centro da faixa”, disse no documento.

A mina estava paralisada desde o dia 4 de fevereiro quando a Justiça proibiu a mineradora de lançar rejeitos na mina do complexo. Dias depois, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) cancelou a autorização provisória para operar a barragem de Laranjeiras.

A determinação ocorreu em função da ação civil pública movida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Na mesma época, as atividades na Mina de Jangada, que fica na mesma área da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho também foram suspensas. Depois disso, sucessivas ações por parte da Justiça, da Agência Nacional de Mineração (ANM), da Semad ou da própria Vale, levaram a suspensão de dezenas de barragens e minas da Vale no Estado.

As unidades em questão foram alvo de ações judiciais após o rompimento da barragem em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), ocorrido em janeiro último. O colapso da estrutura deixou centenas de mortos e elevou as preocupações em relação à segurança da mineração no País.

A mina de Brucutu é a maior da companhia em Minas Gerais, com capacidade de 30 milhões de toneladas ao ano, mas a falta de autorização para as operações antes da decisão do STJ vinha fazendo com que a unidade operasse com um terço da capacidade.

Investimentos – Há algumas semanas, a Vale anunciou o investimento de cerca de R$ 7,5 bilhões para acelerar o processo de descomissionamento de nove barragens de rejeitos de minério de ferro a montante localizadas no Estado. Desde o rompimento da barragem em Brumadinho, a mineradora anunciou a eliminação dos reservatórios dos subprodutos do beneficiamento do minério de ferro que usem o mesmo método de construção das estruturas que se romperam.

Conforme publicado, serão desativadas as estruturas localizadas nas unidades de Abóboras, Vargem Grande, Capitão do Mato e Tamanduá, no complexo Vargem Grande, e de Jangada, Fábrica, Segredo, João Pereira e Alto Bandeira, no complexo Paraopebas, todas em Minas Gerais.

Em comunicado, a empresa detalhou que duas barragens serão eliminadas em três anos; cinco serão transformadas no modelo a jusante, considerado mais seguro, antes do descomissionamento; e outras duas terão seu fator de segurança elevado dentro de três anos antes do encerramento e descaracterização definitiva do uso da estrutura. (Com informações da Reuters)