Novo recorde da Vale é da produção de 104,9 milhões de toneladas no terceiro trimestre deste ano, alta de 10,3% sobre o mesmo período de 2017 - REUTERS/Ricardo Moraes

Rio de Janeiro – A Vale registrou recorde de produção e vendas de minério de ferro e pelotas no terceiro trimestre, com impulso das atividades da mina S11D, informou ontem a mineradora, que registrou também recuo de volumes em metais básicos, além de cortes em previsões para níquel e carvão.

Com menos impurezas, a mina no Pará vem colocando a maior produtora de minério de ferro do mundo em boa posição para lidar com a busca de siderúrgicas chinesas por produtos de maior qualidade, para reduzir a poluição, segundo analistas, que consideraram forte o resultado global apresentado.

A Vale quebrou a barreira de produção de 100 milhões de toneladas de finos de minério de ferro em um trimestre, alcançando o novo recorde de 104,9 milhões de toneladas no terceiro trimestre, alta de 10,3% ante o mesmo período de 2017.

A mina de ferro S11D, o maior projeto já realizado pela Vale, que começou a operar no fim de 2016, atingiu produção de 16,1 milhões de toneladas no terceiro trimestre, alta de 160% ante o mesmo período do ano passado, rodando em um ritmo de aproximadamente 70% de sua capacidade nominal no período, segundo a Vale.

A produção de pelotas da Vale alcançou um recorde trimestral de 13,9 milhões de toneladas, alta de 8,7% ante o mesmo período de 2017, principalmente devido à retomada das plantas de pelotização de Tubarão I e II.

“Esperamos que a Vale performe em linha com esses resultados, que foram amplamente esperados em termos de produção, vendas e prêmios. Classificamos a Vale para ‘compra’ com forte fluxo de caixa livre e expectativas de retorno de capital significativo em 2019 e seguintes”, disse o analisa do Citi Alexandre Hacking em relatório a clientes.

O resultado financeiro da empresa está previsto para ser publicado em 24 de outubro.
As ações da empresa subiam quase 3% às 16h15 de ontem.

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Vendas recordes – O avanço da produção se refletiu em um novo recorde de vendas de minério de ferro e pelotas de 98,2 milhões de toneladas no terceiro trimestre, alta de 9,2 por cento ante o mesmo período de 2017.

O analista do Bernstein Paul Gait destacou que a Vale “continuou a capitalizar os prêmios de qualidade, fazendo melhorias adicionais no mix de vendas através de contínuos crescimentos na S11D… e nas plantas de pelotização de Tubarão”.

A participação de vendas de produtos premium passou de 77% no segundo trimestre de 2018 para 79% no terceiro trimestre, de acordo com a empresa.

No caso apenas do minério de ferro, a Vale vendeu 83,976 milhões de toneladas da commodity entre julho e setembro, alta de 9,4% ante igual período de 2017.

Mesmo assim, a empresa deu ainda continuidade ao aumento de estoques no exterior, como forma de aumentar a flexibilidade no atendimento de tais clientes. Nos próximos trimestres, segundo a empresa, esses estoques irão crescer a uma taxa menor do que a observada nos trimestres anteriores.

Segundo a empresa, o prêmio médio para o preço realizado de finos de minério de ferro alcançou US$ 8,6/tonelada no terceiro trimestre de 2018, ante US$ 7,1/tonelada no segundo trimestre.

“Esperamos que os prêmios de qualidade de minério de ferro permaneçam altos devido às mudanças estruturais em curso na indústria siderúrgica chinesa e devido aos níveis mais altos de impurezas no minério de ferro oriundo do mercado transoceânico vindo da Austrália”, disse o analista da Jefferies Christopher LaFemina.

“A Vale está idealmente posicionada para se beneficiar dessa mudança no mercado devido ao seu minério de ferro de altíssima qualidade em seu Sistema Norte.”

Em meio ao aumento de produção, a Vale reiterou sua meta de produção de minério de ferro de cerca de 390 milhões de toneladas para 2018 e aproximadamente 400 milhões de toneladas em 2019 e nos anos seguintes.

“Esperamos que a Vale registre sólidos resultados no terceiro trimestre de 2018, com Ebitda de US$ 4,550 bilhões…, com embarques e preços mais fortes do minério de ferro e apesar do desempenho fraco da unidade de metais básicos”, falou o analista Daniel Sasson, do Itaú BBA. (Reuters)