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Depois de sete anos de queda no valor da diária média da rede hoteleira de Belo Horizonte, a expectativa é de crescimento para 2019. De acordo com o Panorama da Hotelaria Brasileira, divulgado em março pelo Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), a perspectivas dos empresários é de crescimento de 2,1% no valor da diária este ano, chegando a R$ 161. O levantamento também aponta para crescimento na ocupação, que pode passar de 58% em 2018 para 60% em 2019. Nesse cenário, o turismo de negócios é uma das principais apostas do setor.

De acordo com o Panorama, a diária média da hotelaria de rede na Capital vem recuando desde 2012. O preço teve queda gradativa até atingir seu valor mais baixo no ano passado, de R$ 158. Já a taxa de ocupação se recupera há mais tempo: desde 2017, o setor vem melhorando esse índice, chegando a 58% no ano passado. O presidente-executivo do FOHB, Orlando de Souza, explica que é natural que a média diária se recupere de forma mais lenta que a taxa de ocupação.

“Com a crise econômica, a demanda pelas diárias caem porque as pessoas param de viajar, seja por turismo de lazer ou de negócios. Automaticamente os hotéis baixam os preços de suas diárias para segurar os poucos hóspedes que existem e, com isso, inicia-se uma verdadeira guerra de preços. Mais tarde, quando a economia é retomada, a demanda aumenta, mas as diárias não acompanham esse crescimento. Principalmente porque muitas diárias corporativas são negociadas previamente e não podem ser alteradas”, explica.

A expectativa do setor em Belo Horizonte é que, em 2019, esse atraso na recuperação da diária média finalmente acabe, e o preço volte a crescer. Souza acredita que isso será possível, principalmente por conta da reação que o segmento teve em 2018. Segundo o Panorama, enquanto as redes hoteleiras no Brasil tiveram um crescimento próximo a 6% na ocupação em 2018 sobre 2017, em Belo Horizonte esse avanço foi de 11%, o que aponta para a retomada do setor.

“Belo Horizonte é um importante destino de negócios e recebe eventos como feiras e convenções. Com a reação da economia, a frequência desse tipo de evento também cresce, fomentando a hotelaria”, diz.

O presidente também lembra que a Capital vem de um cenário desafiador com um boom de oferta de hotéis na época da Copa do Mundo. A partir de agora, entretanto, essa dinâmica de oferta e procura deve se equilibrar.

“Entre 2013 e 2015, foram inaugurados 34 hotéis em Belo Horizonte, um aumento de 70% da oferta em relação a 2012. Essa quantidade de hotel derruba qualquer taxa de ocupação e média diária. As coisas começam a mudar agora, pois não há muita expectativa de novas ofertas e, com o reaquecimento da economia, a tendência é de recuperação de valor das diárias”, diz.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (Abih-MG), Guilherme Sanson, também fala sobre a depreciação do valor da diária dos hotéis na cidade. Ele afirma que muitos estabelecimentos ainda estão presos no preço de 2009.

“Temos tarifas de 2009, mas custos operacionais de 2019, o que nos afeta muito. Mas estamos confiantes na melhora da economia e, para este ano, projetamos um crescimento de 5% a 6% na ocupação, além de retomada da diária média”, afirma.

Para o presidente, outra ação importante para garantir esse crescimento é o alinhamento de forças e de calendários das organizações e setores públicos que representam o turismo na cidade.

“Ainda temos muitas pessoas trabalhando dentro de suas entidades para fomentar turismo, mas todos esses players podem trabalhar juntos e fazer divulgações conjuntamente”, sugere.

O presidente do Convention & Visitors Bureau, Jair de Aguiar Neto, alerta sobre a necessidade de atração de eventos de maior valor agregado para a cidade, a fim de atrair um público com maior poder aquisitivo e, assim, fomentar o crescimento do setor.

“A retomada da diária média é lenta, o que é um complicador, tendo em vista que é isso que traz receita para o equipamento. Se atrairmos um turismo mais significativo para a cidade em termos de poder aquisitivo dos turistas, então conseguiremos que o setor volte ao patamar que ele já teve no passado”, diz.

Nesse sentido, o presidente cobra urgência na finalização das obras do Minascentro, importante espaço de eventos corporativos e científicos, que está fechado.

“Estamos perdendo a chance de sediar grandes eventos, inclusive do campo acadêmico e científico, que atrai para a cidade turistas com alto poder aquisitivo. Também precisamos de mais ações que promovam os destinos de Minas Gerais e de Belo Horizonte pelo Brasil”, frisa.