Na comparação com ano passado, recuo em abril foi de 1% - CREDITO:ALISSON J. SILVA/Arquivo DC

A comercialização do varejo em Minas Gerais recuou 0,3% em abril frente a março, ficando praticamente estável, na série com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado do Estado foi superior à média nacional, que registrou baixa de 0,6% no mesmo tipo de confronto. No entanto, em todas as demais comparações, os resultados de Minas foram piores do que os do Brasil.

De acordo com a economista do IBGE Minas, Cláudia Pinelli, algumas atividades vêm apresentando resultados ruins e puxando para baixo os números do comércio do Estado. São elas: combustíveis e lubrificantes; tecidos, vestuário e calçados; móveis e eletrodomésticos; e livros, jornais, revistas e papelaria. E, quando considerado o varejo ampliado, ainda o setor de materiais de construção.

“Todas são atividades que não estão em baixa nas demais unidades da Federação e, por algum motivo, não acompanham o movimento em Minas. Estão em queda”, avaliou.

De maneira complementar, a economista chamou atenção para o fato de serem atividades relacionadas ao consumo das famílias. “O recuo tem a ver com a baixa da economia, falta de renda e emprego. Podemos dizer, portanto, que o cenário macroeconômico está influenciando de forma mais negativa o comércio em Minas Gerais do que o restante do Brasil”, completou.

Segundo o levantamento do IBGE, na comparação mensal, o desempenho do comércio ficou negativo no Estado em 1%. Na média nacional, houve avanço de 1,7%. Em relação aos setores, em Minas, o resultado foi puxado para baixo por livros, jornais, revistas e papelaria (-20,3%), seguido por tecidos, vestuário e calçados (-15,8%) e eletrodomésticos (-13,7%).

Quando considerado o acumulado dos quatro primeiros meses deste ano, o desempenho ficou negativo no Estado em 2,3% em relação ao mesmo período de 2018. No Brasil, no mesmo tipo de comparação, foi apurado avanço de 0,6%. Neste caso, os setores que influenciaram negativamente a média mineira foram: eletrodomésticos (-14,5%), móveis e eletrodomésticos (-13,9%) e livros, jornais, revistas e papelaria (-12,6%).

Já no acumulado dos últimos 12 meses, os resultados foram de -1,7% e 1,4%, respectivamente para Estado e País. “Apesar dos números negativos no Estado, ainda é cedo para dizer se será uma tendência para os próximos meses. É preciso esperar mais um pouco e aguardar o comportamento da economia de um modo geral”, ponderou Cláudia Pinelli.

Varejo ampliado – No diagnóstico do comércio varejista ampliado, que conta com todos os setores pesquisados incluindo veículos, motocicletas, partes e peças, além de material de construção, Minas Gerais manteve a curva negativa, enquanto a média brasileira apresentou crescimento em todos os tipos de comparação.

No mês, os resultados foram de -1,5% para o Estado e de 3,1% para o Brasil. Nos quatro primeiros meses de 2019, os números foram de -1,1% e 2,5%, na mesma ordem. E nos últimos 12 meses, Minas apresentou estabilidade (0,4%), enquanto a média nacional chegou a 3,5% – sempre na comparação com igual época do ano anterior.

País tem 1º dado negativo em abril em 4 anos

Rio de Janeiro/São Paulo – As vendas varejistas no Brasil tiveram em abril o primeiro resultado negativo para o mês em quatro anos e iniciaram o primeiro trimestre sob pressão de supermercados, em meio às dificuldades da economia e do mercado de trabalho do País em deslanchar.

As vendas no varejo tiveram em abril queda de 0,6% na comparação com o mês anterior, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa é a primeira contração para o mês desde 2015, quando houve queda de 1%, e também o dado mais fraco desde dezembro (-2,5%).

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o setor apresentou avanço de 1,7% nas vendas, dado mais baixo para abril desde 2017, quanto houve ganho pela mesma taxa.

Os resultados foram mais fracos do que as expectativas em pesquisa da Reuters, de estabilidade na comparação mensal e de alta de 2,85% na base anual.

“A queda do comércio reflete o ambiente econômico em geral, a perda da confiança que afeta o poder de compra e o apetite por consumo e faz com que as pessoas foquem na compra do que é essencial”, explicou a gerente da pesquisa, Isabella Nunes.

O IBGE informou que, entre as oito atividades pesquisadas, cinco tiveram resultados negativos, sendo os destaques a queda de 1,8% nas vendas de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo e a de 5,5% nas de Tecidos, vestuário e calçados.

“Em abril, nem a Páscoa salvou o comércio. Nossas informações mostram que os pequenos negócios, como padarias, mercearias e hortifrutis, que têm menos poder de barganha com fornecedores e menor margem de lucro, foram os mais afetados”, completou Isabella.

Também apresentaram perdas Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,7%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,4%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-8,0%).

No varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, houve estabilidade das vendas em abril, sendo que as compras de Material de construção aumentaram 1,4% sobre o mês anterior e as de Veículos, motos, partes e peças subiram 0,2%.

Retomada lenta – Apesar de a inflação e os juros permanecerem em patamares baixos, a aguardada recuperação do consumo e da indústria não se concretizou da maneira esperada, em meio a um desemprego ainda elevado.

Ainda assim, no primeiro trimestre, as despesas das famílias aumentaram 0,3%, de acordo com os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pelo IBGE, o que impediu uma contração maior da economia no período – o PIB terminou os três primeiros meses do ano com recuo de 0,2% na comparação com o intervalo imediatamente anterior.

A última pesquisa Focus do Banco Central aponta que o mercado projeta crescimento econômico este ano de 1,0%, em estimativa que vem sofrendo sucessivas reduções. (Reuters)