Siderúrgicas nacionais podem iniciar reajustes nos preços dos produtos a partir de abril, segundo presidente de entidade - Crédito: Alexandre Mota/ Reuters

A lenta retomada da economia brasileira ainda reflete no desempenho de importantes setores nacionais como a siderurgia. Embora as vendas dos distribuidores de aços planos tenham avançado 21,2% em janeiro na comparação com dezembro, chegando a 228,6 mil toneladas comercializadas, sobre o primeiro mês do ano passado houve queda de 19,5% nos níveis de comercialização.

Os dados são do Instituto Nacional da Distribuição de Aço (Inda) e, de acordo com o presidente, Carlos Loureiro, acendem o alerta para o desempenho no decorrer deste exercício. Isso porque, segundo ele, os números do mês passado ficaram aquém do esperado e as projeções para fevereiro não são muito otimistas.

“Estamos muito preocupados com os números de janeiro e o levantamento já indica estabilidade para este mês. Caso as projeções se confirmem, teremos um acumulado de 15% nas vendas do primeiro bimestre sobre o mesmo período do ano anterior”, explicou.

Ainda conforme Loureiro, com esses números, será bem difícil cumprir a estimativa de desempenho do setor de alta de 9% no final de 2019. “Diante deste cenário, é mais factível traçarmos algo em torno de 6% a 7%”, completou.

De acordo com o balanço da entidade, em janeiro, as compras registraram alta de 32,6% perante dezembro, com volume total de 261 mil toneladas. Frente a janeiro de 2018 (251,8 mil toneladas), apresentou elevação de 3,7%.

Nesse caso, de acordo com o presidente, o tímido crescimento pode ser atribuído à estratégia das empresas de estocarem menos materiais diante da perspectiva de queda dos preços no mercado internacional. Ainda assim, foram registradas aproximadamente 30 mil toneladas a mais do que as vendas. “Essa diferença ocorreu em função das compras realizadas no final de dezembro e que só foram chegar aos destinos no começo de janeiro”, justificou.

Com este movimento, os estoques do primeiro mês deste exercício obtiveram alta de 3,5% em relação ao mês anterior. Assim, os estoques atingiram o volume de 971,8 mil toneladas e o giro caiu, fechando em 4,3 meses.

Por fim, as importações encerraram o mês passado com baixa de 6,4% em relação ao último mês de 2018, com volume total de 88,8 mil toneladas. Já na comparação com janeiro do ano passado (94,8 mil toneladas), as importações registraram queda de 24,9%.

“Tirando as chapas zincadas, os volumes vieram muito abaixo do ano passado, incluindo as chapas grossas, laminados a quente, laminados a frio, chapas eletrogalvanizadas, chapas pré-pintadas e galvalume. Acreditamos que isso ocorreu em virtude de os pedidos terem sido feitos em agosto e setembro do ano passado, época em que os preços lá fora estavam muito mais altos e não eram nada convidativos para importação”, explicou.

Reajustes – Sobre a possibilidade de reajustes, o presidente disse que poderão ocorrer a partir de abril. “O dólar parou de cair e está havendo um rali de preços no exterior. Os especialistas dizem que isso abrirá margem para reajustes nas siderúrgicas nacionais, o que deverá ocorrer somente no segundo trimestre”, concluiu.