O café, que responde por 48,2% dos embarques do agronegócio do Estado, teve aumento de 30,1% no faturamento - Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

As exportações do agronegócio mineiro alcançaram US$ 3,19 bilhões nos primeiros cinco meses do ano e registraram aumento de 3,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Em relação ao volume total de vendas ao exterior, foram destinadas ao mercado externo 3,7 milhões de toneladas, o que representou uma retração de 5,6%. No intervalo, os embarques do agronegócio responderam por 31,7% de toda a pauta mineira comercializada ao exterior.

O café apresentou alta no faturamento e no volume exportado, o que contribuiu para o desempenho positivo das exportações. As informações são da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).

Entre janeiro e maio, o preço médio pago pela tonelada de produtos agropecuários ficou em US$ 850,2, aumento de 9,81% quando comparado com os US$ 774 movimentados em igual período do ano anterior.

“É importante destacar a importância do agronegócio para as exportações totais de Minas Gerais. Somente nos primeiros cinco meses, o setor respondeu por 31,7% dos embarques feitos pelo Estado. Temos uma grande diversidade de produtos e potencial de expandir os volumes exportados e o mercado atendido. A Faemg tem feito várias reuniões com consulados e embaixadas, buscando apresentar nossos produtos, a qualidade e a sanidade”, explicou a coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso.

Dentre os produtos exportados, o café, que responde por 48,2% dos embarques do agronegócio, apresentou alta de 30,1% no faturamento, fechando o período em US$ 1,54 bilhão, ante os US$ 1,18 bilhão registrado em igual período de 2018.

Em volume, foi verificada elevação de 57% e exportadas 701 mil toneladas de café. O aumento da quantidade foi importante para manter o faturamento com os embarques do grão em alta, uma vez que foi verificada queda nos preços da tonelada. Enquanto, entre janeiro e maio de 2018, a tonelada do café era negociada a US$ 2.650, em igual período deste ano o valor caiu 17,13%, encerrando o intervalo em US$ 2.196.

“O café, principal complexo exportador do agronegócio mineiro, apresentou alta em valor exportado e volume, isso porque há uma demanda grande para o nosso produto, principalmente, em relação à safra nova, que começou a ser colhida em abril. Os preços do café estão abaixo do esperado, uma vez que em 2019 temos uma safra de ciclo baixo e, por isso, era esperada valorização da saca”, disse Aline.

Ainda segundo a representante da Faemg, várias ações têm sido desenvolvidas para estimular a agregação de valor ao café – o que é obtido com a melhoria da qualidade – e também para estimular o comércio do café.

“Trabalhamos com o produto nas boas práticas de produção, em ações coordenadas de políticas públicas e com eventos, como a Semana Internacional do Café (SIC), para ativar as exportações. Tudo isso tem trazido resultados positivos”, explicou Aline.

No complexo soja, que responde por 18,3% dos embarques do agronegócio estadual, o faturamento gerado entre janeiro e maio ficou 29,4% menor, com a movimentação de US$ 584,2 milhões. Ao todo, foram exportadas 1,5 milhão de toneladas, ante as 2 milhões de toneladas exportadas em igual intervalo de 2018.

A soja em grãos foi responsável pela movimentação de US$ 467,8 milhões, com a exportação de 1,3 mil toneladas, variação negativa de 37% e 29,6%, respectivamente. As exportações de farelo de soja, produto que tem maior valor agregado, somaram 225 mil toneladas, alta de 54,4%. O faturamento cresceu 38,5% e encerrou o período em US$ 112,4 milhões.

“A situação da soja é mais complexa e delicada, porque caiu em valor e volume. O imbróglio entre China e Estados Unidos e a queda de preços são fatores que contribuíram para o resultado negativo”, disse Aline.

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Carnes – No grupo das carnes, foi verificada alta de 16,8% no faturamento, que somou US$ 364 milhões. Entre janeiro e maio, os embarques de carnes somaram 105,8 mil toneladas, retração de 5,5%. O preço pago pela tonelada subiu de US$ 2.786 para US$ 3.442, valor 23,54% superior. O grupo é responsável por 11,4% das exportações do agronegócio de Minas.

Nesse grupo, o destaque foi a carne bovina. O faturamento das exportações alcançou US$ 256 milhões, aumento de 21,6%. Em volume, foi verificada elevação de 23,9%, com o embarque de 63,4 mil toneladas.

Os embarques de carne de frango subiram 21,6%, com faturamento de US$ 94,4 milhões. Ao todo, foram destinados ao mercado externo 36,1 mil toneladas, volume 28% menor.

Queda foi verificada nos resultados da carne suína. A movimentação financeira foi 44,9% menor, somando US$ 6,6 milhões. O volume embarcado retraiu 37,7% e encerrou os primeiros cinco meses de 2019 em 3,9 mil toneladas.