A despeito da projeção inicial de alta de 1,8%, as vendas do comércio de Belo Horizonte subiram 2,5% em 2018 - CREDITO:ALISSON J. SILVA

O comércio de Belo Horizonte começou o ano com projeções positivas e há expectativa de resultados melhores que os alcançados em 2018. Após mostrar crescimento nas vendas de 2,5% no acumulado ano passado – o melhor resultado em quatro anos –, a perspectiva é crescer 3,5% em 2019.

Segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza, que tomou posse ontem, há espaço para avanço ainda maior, dependendo da implantação de medidas do poder público, como as reformas estruturantes. Ele reforça que, se tal cenário se configurar, o comércio terá um ano não só de crescimento, mas de recuperação após período de recessão.

Marcelo de Souza detalha que, para que o resultado positivo seja atingido, é primordial que o governo do Estado regularize o pagamento dos servidores. Além disso, ele cobra que sejam implantadas medidas prometidas pelo governo federal, como as reformas da Previdência e tributária, desburocratização e investimentos em infraestrutura.

“As perspectivas são as melhores possíveis, desde que os empresários façam o ‘para casa’ e o governo faça as reformas estruturantes, principalmente previdenciária e tributária, pois vão trazer conforto e tranquilidade jurídica para que ocorram os investimentos internos e externos”, disse.

O crescimento de 2,5% registrado em 2018 superou a projeção inicial da CDL-BH, que era de 1,8%. Tal resultado é atribuído a fatores como inflação controlada, juros estáveis e recuperação do emprego, mesmo que de maneira tímida. Segundo Souza, a alta é considerada bastante positiva levando-se em conta que o ano foi marcado por acontecimentos como greve dos caminhoneiros, Copa do Mundo e período eleitoral.

Entre os setores do comércio, o que apresentou melhor resultado na comparação entre o ano passado e 2017 foi o de veículos e peças, com aumento de 4,6%. Em seguida estão supermercados (3,78%); artigos diversos (2,75%); móveis e eletrodomésticos (2,3%); drogarias e cosméticos (2,27%), material elétrico e construção (2,26%) e vestuário e calçados (1,74%).

Os resultados do Natal também foram positivos. Segundo o Termômetro de Vendas divulgado ontem, as vendas cresceram 4,4% na passagem de novembro para dezembro. Segundo Marcelo de Souza, a alta poderia ter sido mais acentuada caso o 13º salário do funcionalismo público estadual tivesse sido efetuado.

No ano passado, em igual comparação, o crescimento foi maior e chegou a 5,3%. Segundo a CDL-BH, a base de comparação de 2017 sobre 2016 é fraca, levando-se em conta que em 2017 teve início a saída do período de crise. Já na base comparativa dezembro 2018/dezembro 2017, houve alta de 3,59% nas vendas.

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Confiança – Os empresários do comércio de Belo Horizonte estão mais otimistas. O indicador de confiança dos empresários no quarto trimestre de 2018 registrou 64,2 pontos, com alta de 8,7 pontos em relação a igual período de 2017 (55,5). O indicador varia de 0 a 100, sendo que indicadores de 0 a 50 mostram opiniões negativas e, de 50 a 100, apontam opiniões positivas.

A alta foi puxada principalmente pelo indicador de expectativas para os próximos seis meses, que atingiu 80,7 pontos, com aumento de 7,4 pontos frente ao quarto trimestre de 2017. O indicador que avalia as condições gerais atuais dos negócios chegou a 42,3 no último trimestre de 2018. Apesar de mostrar pessimismo, o indicador avançou 10,5 pontos no comparativo com iguais meses de 2017.