Entre os principais mercados do estaleiro Ventura Marine estão as regiões Sudeste, Norte e Nordeste do Brasil/Divulgação

Apesar de estar distante do litoral brasileiro, Minas ganha destaque na fabricação de barcos. O estaleiro Ventura Marine, localizado em Capitólio, no Sul de Minas, se tornou referência na fabricação de pequenas embarcações no Estado, onde atua já há 35 anos. A empresa vende embarcações de 16 a 45 pés (5 a 13,5 metros) para todo o Brasil e também para o exterior. Os preços vão de R$ 40 mil a R$ 2,5 milhões, mas são nos produtos entre R$ 80 mil a R$ 150 mil que a empresa tem encontrado o seu principal mercado. A fabricante mantém otimismo e já projeta ampliar a utilização da capacidade instalada.

“O que a gente tem notado este ano é o retorno dos compradores de embarcações nesta faixa de preço. Houve um êxodo destes consumidores nos últimos anos, quando a gente costumava vender mais na faixa de R$ 360 mil. O Brasil passou por um momento de insegurança econômica muito grande e quem tinha um dinheirinho guardado estava com medo de investir. Foi uma retração bem comprida, mas agora os compradores estão mais confiantes em realizar o sonho de ter um barco, depois de passarem tanto tempo se privando disso”, analisa o diretor comercial da empresa, Marco Garcia.

São vendidas, em média, 35 embarcações por mês. A marca atua com revendedores em todo o País, que compram os produtos para fazer estoque e comercializam em pronta entrega nas lojas.

Os últimos investimentos na fábrica aconteceram em julho e somaram cerca de R$ 800 mil, aplicados na compra de novos equipamentos de pintura e de rebarbação para aprimorar a qualidade do produto final. Há cinco anos, quando a fábrica foi construída, o montante foi de R$ 9 milhões.

Atualmente, a fábrica trabalha com cerca de 40% de sua capacidade produtiva, por uma questão de demanda. Mas a expectativa é que a partir do segundo semestre do ano que vem, a capacidade de produção expanda para 60% a 80% para então, se realizar novos investimentos. Hoje, o estaleiro é responsável pela geração de 112 empregos diretos.

Os principais mercados estão na região Sudeste, especialmente em São Paulo, seguido por Minas. As regiões Norte e Nordeste do País também representam boa parte do consumo e, depois, está o setor de exportações, já que a marca também tem compradores em alguns países da Europa, como Espanha e Portugal, e da América Latina, como Argentina, Paraguai e Colômbia.

“O nosso principal filão é o usuário que compra um barco para passear com a família. Outros consumidores são as empresas de turismo que realizam passeios como aqui em Capitólio, Furnas, onde é possível ver em um feriado cerca de 300 embarcações saindo para fazer passeio com os turistas pelos cânions”, conta Garcia.

Fornecedores – Para centralizar a produção em Minas Gerais, o estaleiro busca os insumos em várias partes do Brasil. Os motores, por exemplo, só contam com cerca de cinco fabricantes no País. As demais peças, como a fibra de vidro, o gel e o aço, estão espalhados por todas as regiões brasileiras, exceto os bancos das embarcações, encontrados no próprio Estado.

Gargalos – Dentre os principais desafios da marca estão a logística de distribuição, a dificuldade em encontrar fornecedores locais e a busca por mão de obra qualificada.
“Um dos gargalos é a distribuição, já que, aqui na região de Furnas, não tem como sair do escoamento pela MG-050. Além disso, temos a dificuldade de encontrar fornecedores locais, e por isso temos que buscar os insumos em São Paulo, Santa Catarina, etc. E há também o problema da mão de obra, porque hoje na região temos que pegar um trabalhador da área do café, por exemplo, que é forte aqui na região, treiná-lo e capacitá-lo para então, ele poder atuar no estaleiro. Porque é uma mão de obra que tem ter uma série de treinamentos para estar apta, são no mínimo 90 dias depois da contratação do funcionário para que ele possa estar pronto”, conclui Marco Garcia.