Adriana Aparecida de Oliveira Rezende*

Andando certo dia entre os camelôs no centro de Belo Horizonte, deparei-me uma minimáquina de costura, made in China. Cabe na palma da mão, charmosa e na medida das fantasias femininas de realizar sozinha, costuras e pequenos consertos.

Comprei e naturalmente não funcionou. Acionei google, vi vídeos. Inútil. No entanto, nessa internet, esse mosaico pequeno mapa do inferno, onde se vão aglutinando informações e produzindo sentido, em poucos links, percebo que a fabricante que diz-se autora do produto é homônima da que oferece todo este aparato para extração e tratamento do minério que por aqui temos farto: Ming Hui. Quão potentes os equipamentos envolvidos na mineração que me dei conta da velocidade que estas máquinas operam, tirando, por exemplo, até 100 toneladas por hora, de diversas qualidades de minério.

Estimando o período de trabalho com um mínimo de oito horas diárias, no período de um mês… Quanto representa em impacto ambiental? Sou leiga, lamento.

A minha maquininha “Ming Hui” valeu os vinte reais que paguei por ela, em reflexões de uma costureira quase fracassada, afinal que interesse tem nossos amigos chineses em nos proporcionar tais confortos, com um verdadeiro exército de costureiras espalhadas pelo planeta, soldados insones servindo a tantos regimes escravagistas que fingimos ignorar, embora explícito em nossas roupas, acessórios, independente da grife ou local de aquisição. Não tem fronteiras para tais trabalhadoras invisíveis.

Enquanto isso Trump e Putin se aproximam amigáveis, estão diante de uma iminente verdade chinesa por decifrar.

* Pedagoga