São Paulo – O candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), defendeu ontem uma reforma na Constituição.
Em discurso para uma plateia de empresários, Mourão defendeu as reformas tributária, da Previdência e da Constituição, após provocar polêmica, na semana passada, ao dizer que a Constituição não precisa ser feita por eleitos pelo povo.

“Outro dia eu externei minha opinião sobre a questão da Constituição e fui tachado de antidemocrático. Se eu fosse antidemocrático, eu não estaria participando da eleição, eu estaria com a minha 45, limpando ela bonitinha, e aguardando melhores dias. Não é isso que estou fazendo, obviamente”, disse.

“Nossa Constituição é terrível, ela abarca do alfinete ao foguete. Uma Constituição tem que ser de princípios e valores. A nossa está totalmente desatualizada, precisamos de uma outra. Considero essa a mãe todas as reformas, teremos que lidar com isso em algum momento”, completou.

O candidato a vice na chapa de Bolsonaro, que lidera as pesquisas de intenção de voto, reforçou ainda a ideia de privatizações, caso seja eleito. “Tem que privatizar o que deve ser privatizado… na área do petróleo, a distribuição e o refino podem e devem ser privatizados”, afirmou ele, que descartou tentar a participação em debates enquanto o cabeça de chapa segue hospitalizado.

“O candidato é o Jair Bolsonaro, eu sou o apêndice dele, apenas isso. Não é o caso, a não ser que ele tome essa decisão e que os outros candidatos também aceitem. Isso não é uma coisa unilateral”, disse.

Mourão destacou que o Brasil vive uma crise de valores e que um dos pontos centrais da campanha liderada por Bolsonaro é a defesa da família. Para o general da reserva, famílias desestruturadas levam ao surgimento de “elementos desajustados”, que “tendem a ingressar em narcoquadrilhas”.

“Família sempre foi o núcleo central. A partir do momento que a família é dissociada, surgem os problemas sociais que estamos vivendo e atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai nem avô, é mãe e avó. E por isso torna-se realmente uma fábrica de elementos desajustados e que tendem a ingressar em narcoquadrilhas que afetam nosso País”, afirmou.

O candidato a vice-presidente defendeu o trabalho da polícia, dizendo que é preciso investir em tecnologia, e lamentou que ela seja duramente criticada quando age contra bandidos. “Direitos humanos são para humanos direitos”, disse.

“Mulambada” – Mourão disse também que a proposta da chapa liderada por Bolsonaro é fazer acordos bilaterais com países desenvolvidos, ao invés da realização de acordos com países do Hemisfério Sul. “Partimos para aquela diplomacia que foi chamada de sul-sul, e aí nos ligamos com toda a mulambada, me perdoe o termo, existente do outro lado do oceano e do lado de cá que não resultaram em nada, só em dívidas, e estamos tomando calote”, afirmou, referindo-se à política externa dos governos petistas.

“Vamos ter que ter novamente uma diplomacia que nos leve a acordos bilaterais, com aqueles grandes mercados”, aformou. Questionado depois sobre o termo ‘mulambada’, ele disse que era “apenas para o auditório ficar mais satisfeito”. (Reuters)