O brasileiro consome 7 kg de queijo por ano, enquanto na Argentina e Uruguai esse número passa para 10 kg e 12 kg, respectivamente - Divulgação

Atenta ao grande potencial de crescimento do mercado consumidor de queijos especiais no Brasil, a Vigor está investindo pesado em suas cinco fábricas do produto, quatro delas localizadas em Minas Gerais. Juntas, as unidades receberão R$ 71 milhões em aportes até o ano que vem. A fábrica de parmesão em São Gonçalo do Sapucaí, Sul do Estado, já está recebendo o montante mais significativo: são R$ 41 milhões que garantirão que a capacidade de produção quadruplique ainda no primeiro trimestre em 2019.

Para o ano que vem, haverá novo aporte de R$ 30 milhões nas outras quatro unidades da empresa que produzem queijo, sendo três delas localizadas em Minas – em Lavras, Santa Rita do Sapucaí e Lima Duarte – e outra em Cruzeiro, no estado de São Paulo.

Diretor da Business Unit de Queijos da Vigor, Luís Renato Bueno informa que essa é uma aposta importante da Lala – grupo mexicano que comprou a Vigor em 2017 – no País. É o maior investimento na área de queijos já feito pela companhia, que atua nesse mercado com as marcas Faixa Azul, Vigor, Jong e Danúbio.

Segundo ele, os investimentos na unidade de São Gonçalo do Sapucaí já estão sendo executados. Com a expansão, foi construída uma área de 8 mil metros quadrados para a maturação do queijo, que leva 12 meses. A unidade é responsável por toda a produção desse tipo de queijo da Vigor e tem forte ligação com a cidade, estando em funcionamento há 70 anos. São produzidos em São Gonçalo do Sapucaí os queijos ralados Vigor e Faixa Azul. No caso deste último, também são oferecidos diversos formatos, como o cilindro.

Em Lavras, no Sul de Minas, são produzidos os queijos brie, camembert e gorgonzola. Em Lima Duarte (Zona da Mata) e Santa Rita do Sapucaí há produção do golda, gruyère, emental e reino. A unidade de Cruzeiro (SP) é responsável por toda a produção da marca Danúbio, com requeijões, cream cheese, entre outros.

Bueno diz que a forte presença das fábricas de queijo em Minas ocorre não somente pela oferta do leite, mas pela característica da mão de obra no Estado, com experiência no método queijeiro.

Gourmet – Luís Bueno explica que a tendência de crescimento do consumo de queijos no Brasil está amparada na “gourmetização” do produto, da mesma forma que vem ocorrendo com outros produtos como cerveja, cafés e chocolates. Pesquisas mostram que esse mercado, apesar de ainda pequeno, cresceu 45% em 2016. Bueno aponta que o avanço ocorre independentemente do cenário macroeconômico, ou seja, o consumo aumenta mesmo no cenário de recessão ou de baixo crescimento econômico pelo qual o Brasil vem atravessando.

“Acreditamos no crescimento desse mercado e no do Brasil. Mas não vamos esperar a retomada para investir. Já estamos nos preparando para absorver o crescimento”, diz. A Vigor não informa dados sobre a produção por ser de capital aberto, mas o diretor garante que os avanços nos números referentes aos queijos vêm ocorrendo desde 2015.

Bueno informa que há especialmente duas frentes de avanço: uma é a presença nos lares. Segundo Luís Bueno, a muçarela já é comum na mesa de 90% dos brasileiros. Já os queijos especiais estão presentes somente em 10% das residências. A outra frente é promover a alta do consumo per capita. Atualmente, o brasileiro consome aproximadamente 7 kg de queijo por ano, enquanto na Argentina e Uruguai esse número passa para 10 kg e 12 kg, respectivamente. Nos Estados Unidos, são 16 kg e, na Europa, o número sobe para 24 kg.