Acordo comercial firmado envolve, além dos americanos, os mexicanos e canadenses - Crédito: Rebecca Cook / Reuters

Washington – O principal senador republicano norte-americano disse ontem que senadores não vão votar para aprovar a revisão do pacto comercial da América do Norte em 2018, deixando o assunto para a próxima legislatura. O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, informou à Bloomberg Television que o Senado não terá tempo para avaliar o novo Acordo Estados Unidos-Canadá-México antes de 2019.

“Isso será assunto do ano que vem, porque o processo pelo qual precisamos passar não permite que isso venha antes do fim deste ano”, disse McConnel.

Na semana passada, o número 2 do Partido Republicano no Senado, John Cornyn, havia dito que era “improvável” que o Senado conseguisse votar nas últimas semanas de 2018. Alguns líderes industriais mantêm pouca esperança de que um acordo ainda possa ser aprovado neste ano.

A previsão de assinatura do novo acordo comercial é 30 de novembro, mas, para cumprir regras do chamado “fast track”, o Congresso deve receber um relatório da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (ITC, na sigla em inglês) sobre os impactos econômicos do acordo de comércio.

Na sexta-feira (12), a ITC disse que lançou uma investigação sobre os impactos do acordo e vai realizar uma audiência sobre o tratado no dia 15 de novembro. A comissão afirmou que aceitaria comentários por escrito até o dia 20 de dezembro.
Tradicionalmente, o Congresso realiza audiências antes de aprovar um grande acordo comercial.

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Pacto entre países – O acordo ocorreu após mais de um ano de negociações para atualizar o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), de 1994, depois que o presidente Donald Trump se preparou para abandonar o acordo comercial no início de 2017.

O objetivo do novo acordo é levar mais empregos para os Estados Unidos (EUA), com o Canadá e o México aceitando um comércio mais restrito com os EUA, o principal comprador de suas exportações. Qualquer ganho de empregos nos EUA está provavelmente anos à frente e muitos analistas dizem que o acordo terá um impacto econômico modesto.

Um colapso do Nafta poderia custar aos fazendeiros norte-americanos, uma das principais bases eleitorais de Trump, acesso a grandes mercados agrícolas no Canadá e no México, ao mesmo tempo em que a China suspendeu compras de soja e outras commodities dos EUA devido a uma guerra tarifária com os Estados Unidos. O Nafta dá suporte a cerca de US$ 1,2 trilhão em comércio anual entre os três países membros. (Reuters)