Crédito: Washington Alves/Reuters

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, definiu o atual momento do Estado como uma “era de pós-tragédias”. A afirmação foi feita durante o Seminário Técnico Internacional sobre Barragens de Rejeitos e o Futuro da Mineração em Minas Gerais, realizado ontem na Fundação Dom Cabral, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Zema se referia à reformulação do setor de mineração e à retomada de suas atividades após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, na RMBH.

Durante discurso na abertura do evento, o governador também reforçou a importância da negociação com a Vale para que as multas de R$ 250 milhões aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sejam revertidas em investimentos em sete parques nacionais no Estado. A proposta é do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e está em análise na Advocacia Geral da União (AGU).

“A tragédia em Brumadinho será a última: em Minas Gerais não ocorrerá repetição desse fato lastimável. Esse é o motivo de estarmos aqui: esse seminário marca uma nova era de pós-tragédias, pois sabemos que há tecnologias e recursos que garantem a continuação do setor de mineração, mas com segurança. Além disso, o que ocorreu de negativo tem que se transformar em algo positivo: os recursos das multas da Vale podem estruturar os parques nacionais no Estado, e, no futuro, Minas Gerais poderá ter algo semelhante aos parques de Cataratas do Iguaçu e Fernando de Noronha”, afirmou o governador.

O Ministro do Meio Ambiente também defendeu a aplicação das multas na estruturação dos parques, lembrando que a ação desenvolveria o turismo em Minas Gerais e, portanto, contribuiria para a diversificação da economia no Estado, que hoje é tão dependente da mineração.

“Defendemos a aplicação da multa em algo concreto, que gere resultado para o Estado. Os parques ajudarão a diversificar a economia, gerando recurso limpo, emprego e renda”, disse.

Salles também defendeu soluções práticas e eficientes para os prejuízos ambientais, sociais e econômicos causados pelo rompimento da barragem em Brumadinho. Ele lembrou que, na tragédia em Mariana, isso não ocorreu e, por isso, haverá vigilância para que os mesmos problemas não se repitam.

“O modelo adotado para a resolução dos problemas em Mariana não era prático: as decisões passaram por assembleias sem fim, conselhos e mais conselhos, consultorias e mais consultorias e a resposta para a sociedade não veio. Em Brumadinho queremos soluções concretas e objetivas, que possam ser aplicadas e mensuradas imediatamente”, destacou.

O ministro também frisou que todas essas medidas devem ser exigidas sem “demonização do setor”, que é de suma importância para a economia.

Equilíbrio – O presidente executivo da Fundação Dom Cabral, Antonio Batista da Silva Junior, lembrou que é necessário equilíbrio na condução das soluções pós-tragédia. “Não é hora de criminalizar as atividades produtivas, mas também não é hora de banalizar as consequências dela.

Precisamos superar as diferenças e construir consensos que nos façam avançar e acabar com a exclusão e a degradação”, frisou.

O ministro de Minas e Energia, Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior, lembrou que o momento de crise no setor de mineração é, também, uma oportunidade para reflexões sobre a necessidade de mudanças. No que diz respeito à iniciativa privada, ele destacou a urgência de adoção de boas práticas, de responsabilidade social e ambiental. No âmbito do poder público, ele reforçou a importância de políticas que deem mais eficiência ao setor, como a desburocratização de processos.

“Não se pode pretender encerrar, dificultar ou impedir a atividade minerária. A mineração é uma grande propulsora de emprego e renda no País e precisamos enfrentar com transparência seus desafios”, disse.

O governador do Espírito Santo, José Renato Casagrande, frisou que o setor precisa inovar e que “não é mais permitido falhar”. Com essa ressalva, ele também reafirmou a importância da atividade minerária e fez um chamado:

“Como governador do estado do Espírito Santo, preciso fazer um pedido à Samarco e aos seus acionistas: tenham pressa na retomada das atividades da empresa”.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, lembrou a importância do seminário para discutir com profundidade o tema da segurança de barragens e permitir a retomada do setor.

“Vivemos, agora, o início das mudanças de processos que até então eram considerados adequados e hoje não são mais. Precisamos refundar a mineração, e o seminário é o ponto de partida para isso”, disse.