Estatal explicou que procedimentos para aprovação envolvem, entre outros, apreciação pelo próprio Conselho de Administração - Crédito: Sergio Moraes/Reuters

A indicação do mineiro Nivio Ziviani pelo governo federal como membro do Conselho de Administração da Petrobras vai ao encontro dos esforços da companhia na atração de profissionais que agreguem valor ao negócio e ao Brasil. Apesar disso, a efetivação do professor no cargo ainda depende de alguns trâmites internos de governança corporativa, incluindo análises de conformidade e integridade necessárias ao processo sucessório da Petrobras.

Em nota, a petrolífera informou que esses procedimentos envolvem a apreciação pelo Comitê de Indicação, Remuneração e Sucessão do Conselho de Administração, pelo Conselho de Administração e, posteriormente, pela Assembleia Geral de Acionistas.

Ziviani é graduado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com mestrado em Informática pela PUC-RJ e Ph.D. em Ciência da Computação pela Universidade de Waterloo, no Canadá. É também professor emérito do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal mineira.

Publicou vários livros sobre algoritmos e mais de 120 artigos em periódicos acadêmicos e conferências. Foi Professor Titular do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, sendo Professor Emérito desde 2005 e membro-titular da Academia Brasileira de Ciências desde 2007. Recebeu, ao longo de sua carreira, vários prêmios e honrarias, entre elas a Ordem Nacional do Mérito Científico, nas classes de Comendador (2007) e Grã Cruz (2018).

No quesito empreendedorismo, o professor foi responsável pela criação da Miner Technology Group e da Akwan, startups que desenvolveram tecnologia para buscas na internet. A primeira foi adquirida pela Uol, em 1999, por R$ 4 milhões, e a segunda foi comprada pela Google, em 2005, por um valor nunca revelado. Essa última transação ainda rendeu a Minas Gerais a atração do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do Google na América Latina.

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Kunumi – Já a atual empreitada de Ziviani diz respeito à Kunumi, sua terceira startup, que atua na área de inteligência artificial e que o professor, em entrevista ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, garantiu que causará um grande barulho no cenário mineiro de inovação.

“Ela (a empresa) é inspirada no cérebro humano, nas redes neuronais. É chamada de inteligência artificial ou aprendizado de máquina. Nós estamos procurando produzir uma plataforma para desenvolver a tecnologia e tirar produtos dela rapidamente. É interessante porque é aderente a diversas áreas: saúde, educação, seguradoras. A partir da entrada de dados, seja imagens, pixels, som, caracteres ou texto, a tecnologia consegue fazer análise preditiva. Estamos sentido que, de novo, é um grande momento para fazer uma grande coisa”, explicou.

Os serviços oferecidos pela Kunumi vão desde a prevenção de doenças e diagnósticos precisos sem intervenção humana, atendimento ao cliente robotizado e eficiente, análise de crédito certeira, até música inédita com o “DNA” de um músico já falecido. É que, por meio de uma rede neural artificial – que imita o processo de sinapse do cérebro –, os softwares produzidos pela Kunumi são capazes de entender falas, descrever componentes de imagens, realizar diagnósticos em medicina, dar suporte à pesquisa científica básica, entre outras tarefas.

Fundada em 2016, a empresa tem portfólio e faturamento de grandes organizações, com clientes como MRV, Unimed, Itaú e Spotify, tendo faturado R$ 12 milhões em 2017 e expectativa de crescer entre 100% e 150% em faturamento em 2018.