A tecnologia é uma poderosa ferramenta para a melhoria dos processos e da documentação e aumento da produtividade em todos os setores. Na construção civil, a metodologia BIM é utilizada em todo o mundo para modelar projetos que podem ficar até 20% mais baratos. A BIM (Building Information Model), que significa Modelagem da Informação da Construção ou Modelo da Informação da Construção, é um conjunto de informações geradas e mantidas durante todo o ciclo de vida de um edifício. Diante dessa realidade, o governo federal assinou e publicou uma medida que torna essa prática obrigatória nas obras públicas a partir de 2021.

De acordo com o gestor da Comissão BIM da Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais de Minas Gerais (Abrasip-MG), Carlos Alexandre de Freitas Jorge, a regulamentação proposta tem como objetivo possibilitar construções mais eficientes e com o menor índice de desperdício.

A metodologia BIM sobrepõe à modelagem 3D uma série de informações sobre que vão das diferentes disciplinas, como hidráulica e elétrica, por exemplo, até detalhes como o número de lustres e suas especificações.

Assim, as soluções podem ser antecipadas dentro do escritório, antes que a execução da obra comece. A licença do software custa, em média, R$ 10 mil por ano.

“Essa é uma tecnologia relativamente recente no Brasil e o mercado ainda não está adaptado. Não é uma simples questão de comprar e implantar um software. É preciso treinar equipe e modificar os processos, dando fluxo às informações”, explica Jorge.

O sócio-diretor da Prosdocimi Consultoria Ltda – que atua em projetos de instalações prediais e redes de infraestrutura para clientes de várias regiões do Brasil -, Luiz Henrique Prosdocimi, considera essa uma oportunidade de amadurecimento do segmento.

“Adotar a metodologia exige, além do investimento financeiro, um esforço para a reorganização do fluxo das informações dentro da empresa construtora. A BIM dá uma visão completa do projeto e antecipa soluções.

Tudo fica documentado e não é mais necessário um projeto para cada disciplina. Assim o executor da obra sabe exatamente onde vai passar as ligações de água e de eletricidade, por exemplo, sem perigo dos projetos conflitarem. Em projetos como os do programa ‘Minha casa, minha vida’, que são muito grandes, isso faz total diferença. Com listas de material mais próximas da realidade, o desperdício é evitado”, pontua Prosdocimi.

O cadastramento das informações facilita não só o projeto e a execução da obra, como continua atuando durante toda a vida útil do empreendimento. Hoje a tecnologia scanner já permite que seja tirada uma espécie de radiografia das estruturas. Com esse material é possível extrair as informações necessárias para a modelagem na metodologia BIM. Abre-se, assim, um novo campo de trabalho para engenheiros e outros profissionais do setor de construção civil.

“Essa é uma grande ferramenta para a conservação e preservação de equipamentos históricos e obras de arte e prédios públicos, por exemplo. A modelagem é um documento perene, que deve ser utilizado sempre que houver algum tipo de intervenção a título de manutenção ou de correção”, destaca o sócio-diretor da Prosdocimi Consultoria.