Aeroporto administrado pela BH Airport, em Confins, conta com 47 destinos atualmente, deste total quatro são internacionais - Crédito: Daniel Mansur / Stúdio Pixel

Embora o transporte de cargas aéreas ainda tenha uma expressividade tímida em comparação ao modal rodoviário, que lidera a movimentação de mercadorias no Brasil, é grande o potencial e os diferenciais competitivos do segmento quando o assunto é agilidade e segurança para o transporte de encomendas dentro e fora do País. Em Minas Gerais, não seria diferente. O Estado que abriga a maior extensão de estradas no território nacional tem registrado investimentos robustos e aumento considerável no volume de cargas aéreas nos últimos anos.

A começar pelos próprios investimentos da BH Airport no principal aeroporto do Estado. Desde que assumiu a administração do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, localizado em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em 2014, até o fim deste exercício, a concessionária já terá investido R$ 24 milhões na área de cargas do terminal. As primeiras readequações do Cargo Center, concluída no início do ano, permitiram dobrar a capacidade de exportação e expandir a de importação em cerca de 40%.

E os resultados já começaram a aparecer. De acordo com o gestor de Soluções Logísticas Integradas da BH Airport, Peter Robbe, entre 2017 e 2018 foi registrado aumento de 54% no total movimentado pelo terminal entre cargas nacionais e internacionais, chegando a 40,4 mil toneladas no ano passado. Já para 2019 está prevista uma elevação de 25% e o alcance de 50,5 mil toneladas ao final deste exercício.

“É um crescimento muito interessante e que já representa os esforços e investimentos da concessionária no terminal, principalmente quando incluímos os resultados das encomendas internacionais diante da valorização do dólar”, avaliou.

Conforme o gestor, o montante investido no projeto fez parte dos quase R$ 1 bilhão aportados pela concessionária na ampliação e modernização das instalações do aeroporto, durante os primeiros anos de concessão. Além da área de cargas, os recursos foram aplicados também no novo Terminal e em melhorias como novo acesso viário, aumento do número de vagas de estacionamento, ampliação e nova configuração do pátio de aeronaves.

Após as intervenções, o terminal de cargas passou a contar com área total de 12 mil metros quadrados; armazém de carga perigosa de 300 metros quadrados; câmaras refrigeradas com capacidade total de 3.350 metros quadrados, com setup personalizado de -20°C a 25°C; 11 posições de pátio para estacionamento de aeronaves; e uma capacidade total de 30 mil toneladas por ano.

Soluções – Ainda dentro do plano estratégico da concessionária de alavancar o fluxo de cargas no aeroporto, há a implementação de novas soluções em logística para mercadorias que chegam ou saem de Minas Gerais. Para isso, Robbe explicou que a BH Airport tem firmado parceria com as companhias aéreas, com operadores logísticos e com a própria indústria, que tem aumentado o transporte de mercadorias e produtos no interior das aeronaves.

Segundo ele, para se ter uma ideia, hoje, 45% das cargas aéreas chegam em outros aeroportos e são levadas para o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte por transporte rodoviário em regime de Declaração de Trânsito Aduaneiro (DTA). Já quando considerado todo o potencial de cargas aéreas mineiras, com destino final no Estado, o número é ainda maior: 81% nem passa pelo terminal. Em valores, o potencial estimado chega a US$ 1 bilhão em exportações e US$ 2 bilhões em importações.

“Estamos fazendo um trabalho conjunto com os operadores logísticos de todas as companhias, pois existe um potencial para a movimentação de cargas a partir do terminal, onde a BH Airport busca centralizar as chegadas e saídas das cargas mineiras. Em virtude do sucateamento do equipamento observado no período anterior à concessão, muitas empresas migraram suas operações para outros aeroportos e nosso objetivo é reconquistar esses clientes”, explicou.

Atualmente, conforme o gestor, o aeroporto conta com 47 destinos, sendo quatro internacionais: Orlando, Lisboa, Buenos Aires e Cidade do Panamá. E a partir de dezembro, Fort Lauderdale, também nos Estados Unidos, se firmará como a quinta rota.

Assim, 43,6% das cargas importadas chegam dos Estados Unidos, 34,3% da Europa, 19,5% da Ásia, 1,6% da América do Sul, 0,5% da África, 0,3% da Oceania e 0,2% da América Central. Já as exportações ocorrem principalmente para os Estados Unidos e Europa.

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Potencial na movimentação de cargas ainda é pouco utilizado

Terminal mineiro adota regime especial

Os produtos dos segmentos eletrônico, farmacêutico, aeroespacial, automotivo, mineração e ferroviário são considerados os mais estratégicos e potenciais para movimentação a partir do terminal, dentro da nova estratégia corporativa adotada pela BH Airport. Para trabalhá-los, porém, o aeroporto precisa contar com uma série de especificações, certificações e infraestrutura.

Neste sentido, o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte já é o primeiro no País a adotar o regime especial de entreposto aduaneiro, que permite o armazenamento de mercadorias e produtos importados em local alfandegado credenciado pela Receita Federal. Durante o tempo de permanência no Terminal, estes produtos têm suspensão dos tributos e podem ser nacionalizados de forma fracionada, à medida da necessidade do cliente.

De acordo com o gestor de Soluções Logísticas Integradas do Aeroporto, Peter Robbe, o regime assegura vantagem competitiva às empresas.

“A liberação das mercadorias de maneira fracionada permite ganhos com a gestão dos estoques, fluxo de caixa e com o armazenamento”, disse.

Além disso, o novo conceito inclui também a integração com o modal marítimo, atraindo mercadorias e serviços que chegam aos portos do Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), para posterior distribuição a partir de Belo Horizonte.

Dentro da estratégia houve ainda a construção de um prédio anexo de 700 metros quadrados exclusivo para sediar todos os órgãos anuentes, tais como Receitas Federal e Estadual, Avisa e Vigiagro (Mapa).

Sobre as certificações, Peter destacou que o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte está na fase final de obtenção da certificação OEA (Operador Econômico Autorizado) pela Receita Federal, na modalidade segurança, que permite previsibilidade no fluxo do mercado internacional e consequente impulsão em investimentos na economia brasileira.

E que até meados de 2020, está prevista ainda a obtenção do CEIV Pharma (Centre of Excellence for Independent Validators), concedido pela Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo).

Aeroporto-indústria – Por fim, o gestor lembrou que o aeroporto-indústria está muito próximo de, enfim, sair do papel e que as operações no empreendimento poderão incrementar ainda mais os negócios da BH Airport Cargo.

“O aeroporto-indústria já virou meta corporativa da BH Airport e até o final do ano estará em operação, podendo representar mais um salto na nossa movimentação de cargas, uma vez que todas as empresas que estiverem produzindo ali dentro vão importar e exportar a partido do terminal”, apostou.

A BH Airport está em contato com quatro grupos interessados em transferir sua logística para o local, que inclui cerca de 8 mil metros quadrados de área construída, dos quais 4.456 metros quadrados se referem ao entreposto e 3.619 metros quadrados de área de manobra. Trata-se de empresas dos setores de tecnologia e saúde.

Há projeções da própria concessionária de que o início das operações do aeroporto-indústria poderá atrair investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhão por meio da atração de empresas de alto valor agregado para a área alfandegária do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte.

NÚMEROS DO TERMINAL DE CARGAS

• Área total de 12 mil m²
• Armazém de carga perigosa: 300 m²
• Câmaras refrigeradas – Capacidade total de 3.350 m³, com setup personalizado de -20°C a 25°C
• 11 posições de pátio para estacionamento de Aeronaves.
• Capacidade total do Terminal de Cargas (Internacional) – 35 mil t/ano