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Cesar Vanucci *

“A temperatura da Terra é a mais alta dos últimos 400 anos.” (Conclusão de estudo da Academia de Ciências dos Estados Unidos)

Este planeta azul está com febre. Febre elevada. Alertas constantes da ciência, solenemente desprezados pelos todo-poderosos “donos do mundo”, asseguram que o aquecimento da temperatura vai produzir, fatalmente, consequências devastadoras, a ponto de colocar em xeque a própria sobrevivência humana. (E olhem que não estou aqui a falar do grau máximo de insensatez atingido, em tantos lugares, pela temperatura política, com potencial, pela mesma forma, de deflagrar efeitos os mais funestos!)

Em constantes manifestações a respeito da momentosa questão, cientistas respeitados, especialistas em meio ambiente, ancorados em análises meticulosas de volumosa coletânea de dados, obtidos em todos os quadrantes da Terra, são unânimes em proclamar que o nosso planeta atravessa o período mais quente dos últimos 400 anos. Os estudiosos admitem, até mesmo, que a perturbadora constatação possa ser estendida a uma faixa de tempo bem mais ampla. Potencialmente, a milênios e não, apenas, a centenas de anos. O calor de agora não tem precedentes, afiança-se nos relatórios. “As temperaturas médias da superfície do planeta no hemisfério norte subiram mais de um grau no século XX”, garante-se.

Os estudos dos cientistas incumbidos de avaliar a verdadeira proporção do problema do aquecimento global e suas implicações na vida humana recebem o respaldo de prestigiadas academias de ciência, mundo afora. Todos os pareceres confluem no sentido do reconhecimento de que o chamado “efeito estufa” é uma tremenda duma ameaça. Não há espaço para os sofismas e a demagogia barata derivados de posicionamentos nutridos de ignorância ou má-fé. Ninguém, dotado de bom senso e responsabilidade social, ousa refutar a evidência de que os gases poluentes despejados incessantemente na atmosfera provocam o adelgaçamento da camada de ozônio e que disso decorrem perturbações climáticas ruinosas para todos. O aquecimento influencia a formação de correntes de vento que atuam no sentido de alterar os padrões climáticos em toda a superfície do planeta, isso aí, pronto, final de papo!

Vamos e venhamos, fica difícil pra qualquer um dissociar, de tudo quanto se coloca nos laudos elaborados por cientistas conceituados, as cada vez mais frequentes catástrofes climáticas que vêm ceifando vidas preciosas e destruindo patrimônios valiosos em tudo quanto é canto. Tsunamis, terremotos, erupções vulcânicas, secas, inundações, tornados, ciclones, furacões não podem deixar de ser apontados como “frutos daninhos” de ações insanas cometidas contra o meio ambiente e a vida.

E pensar que revelações tão chocantes, formuladas por vozes de elevada expressão científica, que se estribam em profundo conhecimento de causa e em comprovações estridentes, não têm sido de molde a sensibilizar e comover algumas lideranças arrogantes que enfeixam nas mãos poderes de decisão capazes de alterar o curso dos acontecimentos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, onde dramáticas advertências acenam, amiúde, com as perspectivas desastrosas para a humanidade do agravamento ininterrupto das condições climáticas do planeta, acha-se instalado justamente o núcleo de resistência mais ferrenho a qualquer proposta de solução com referência ao assunto. Mancomunados com as grandes corporações industriais responsáveis pela emissão da maior carga de gases que intoxicam a atmosfera, sucessivos ocupantes da Casa Branca, com destaque na hora atual para o amalucado Trump, recusam-se, numa obstinação doentia, a reconhecerem o óbvio. Insistem em martelar na tecla de que o aquecimento global é destituído de consequências danosas. A situação não se revestiria, nadica de nada, da gravidade que cientistas e ambientalistas alegam. Negam-se, encontrando aqui e ali adeptos para propagação de suas distorcidas concepções, em redutos impregnados de obscurantismo cultural e insensibilidade social, a aderir a protocolos, pactos e acordos que favoreçam a implementação de medidas eficazes de controle dos gases poluentes recomendadas por quem realmente conhece as assustadoras proporções da colossal encrenca ambiental gerada pela insanidade humana.

A palavra de ordem emitida por essas despreparadas e inconsequentes lideranças, a propósito do candente tema, no que concerne ao interesse dos seres humanos, é uma apenas: – Danem-se!
É o caso de dizer: tá danado!