Diretor-presidente da companhia, Sergio Leite mostra, porém, preocupação com situação da Argentina - Crédito: Guilherme Kardel

Assim como grande parte do parque produtivo nacional, a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) também está operando bem aquém da sua capacidade instalada. De acordo com o diretor-presidente da companhia, Sergio Leite, atualmente o nível de utilização está em cerca de 40% do total instalado, que é de cerca de 10 milhões de toneladas por ano.

De acordo com Leite, o nível de ociosidade é fruto não somente do protecionismo nos mercados externos e da baixa demanda no mercado nacional, mas também dos investimentos da ordem de R$ 14 bilhões feitos pela companhia entre 2008 e 2014 em projetos de crescimento que ficaram prontos em plena crise de excesso mundial de produção de aço.

“De qualquer maneira, sou um otimista. Mesmo que nem a economia nem o setor siderúrgico ainda tenham decolado, acredito que a virada vai ocorrer nos próximos meses e voltaremos a ter um resultado positivo, culminando com um crescimento da ordem de 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto) em 12 meses”, avaliou.

O executivo também falou com preocupação sobre a situação econômica da Argentina e frisou que o país vizinho é responsável pelo consumo de cerca de 4% do total produzido pela siderúrgica, o equivalente a 40% do total exportado pela produtora de aços planos.

“Na verdade, todos temos que torcer pela recuperação deles, porque é um país de extrema importância comercial para o Brasil”, lembrou.

Quando ao aumento das exportações, que hoje representam apenas 10% das operações da Usiminas, Leite disse que acontece não por uma questão de enfraquecimento do câmbio ou estratégia da companhia, mas por um maior fechamento do mercado mundial.

“É aquilo que discutimos durante o Congresso Aço Brasil, enquanto a maioria dos países está se blindando e se protegendo, as importações só aumentam”, lembrou.

Cubatão – Sobre projetos e investimentos que estavam no radar da siderúrgica, o diretor-presidente voltou a falar sobre a retomada da produção em Cubatão, no interior de São Paulo, cujos altos-fornos seguem abafados desde 2015. Segundo ele, a retomada é estudada de forma permanente pela empresa, mas qualquer decisão antes de 2022 é prematura.

No fim do mês passado, a empresa anunciou a redução nas projeções de investimentos para este exercício, que passaram de R$ 1 bilhão para R$ 800 milhões, devido a uma série de fatores, entre os quais, a lenta retomada da economia brasileira. Na época, a Usiminas admitiu também adiar a apresentação de uma nova linha de galvanização, pelo mesmo motivo.

O projeto, que vem sendo trabalhado desde o ano passado e teve as primeiras informações divulgadas pelos próprios executivos da siderúrgica em abril de 2018, acabou sendo adiado pela segunda vez. É que meses depois, a companhia admitiu a decisão de deixar a apreciação da medida pelo conselho para 2019.

No início deste exercício, em entrevista ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, o presidente Sergio Leite confirmou que o projeto estava entre as três grandes frentes de trabalho da Usiminas e que a previsão era de que fosse aprovado até o fim do ano. Além da criação da nova linha de galvanização, ele se referia ainda à reforma do alto-forno 3 da usina de Ipatinga e à retomada da produção de aço bruto em São Paulo.