O consumo aparente de cimento apresentou queda de 1,9% no País - Marcelo Horn

São Paulo – A comercialização de cimento no Brasil em março recuou 6,6%, sobre o mesmo período do ano passado, e encerrou o primeiro trimestre em alta de 1,3% na comparação anual, informou ontem a entidade que representa os fabricantes do insumo, Snic.

O crescimento no trimestre foi marcado por reativação de algumas fábricas que estavam paradas há vários meses em meio à lentidão da economia, disse o presidente do Snic, Paulo Camillo.

Em dias úteis, a venda de cimento em março subiu 2,1% sobre o mesmo mês de 2018, para 4,056 milhões de toneladas, segundo a entidade. No primeiro trimestre, o volume comercializado foi de 12,681 milhões de toneladas, ficando perto da projeção de expansão de 1,5% do Snic.

Surpresa – Segundo o presidente do Snic, o resultado do primeiro trimestre foi ligeiramente acima do esperado pelo setor. “Os indicadores de financiamento imobiliário continuam avançando, o que nos deixa otimistas para projetar um crescimento de aproximadamente 3% no ano”, disse o executivo.

Camillo afirmou que as vendas de cimento seguem sendo puxadas pelo setor imobiliário, impulsionadas por crescimento de dois dígitos nos lançamentos de novos empreendimentos no País, enquanto em infraestrutura as vendas seguem sustentadas mais por empreendimentos de mobilidade tocados por prefeituras.

A indústria de cimento do Brasil possui cerca de 100 fábricas espalhadas pelo País. Desse total, 20 estão fechadas, segundo dados do Snic. “Eu diria que observamos um aumento da produção neste trimestre, já tem forno sendo religado, não é significativo ainda, mas é uma mudança. A gente está ‘despiorando’”, disse Camillo sobre o setor de cimento, que acumula queda de vendas de cerca de 30% nos últimos quatro anos.

Apesar de o boletim Focus do Banco Central ter voltado a apontar nesta semana uma sexta queda consecutiva na perspectiva para o crescimento da economia do País, Camillo afirmou que não vê motivos para haver, neste momento, um “refluxo na trajetória positiva para o setor imobiliário”, uma vez que o déficit habitacional segue significativo e a “oferta de crédito segue abundante”.

Camillo citou dados sobre crescimento de 29% nos lançamentos imobiliários nos 12 meses até janeiro, além de alta de 48% nos financiamentos para aquisição de imóveis em fevereiro sobre um ano antes.

A expectativa do Snic é de que as vendas de cimento acelerem nos próximos meses, atingindo alta de 4,5% a 5% sobre um ano antes no segundo semestre, apesar de riscos como a lentidão na tramitação da reforma da Previdência, considerada pelo governo como essencial para reforçar a confiança dos investidores na economia.

Greve – Sobre uma possível nova greve dos caminhoneiros, que em maio passado paralisaram o País durante 11 dias, causando prejuízos a vários setores, incluindo cimento, o presidente do Snic avalia que há demanda suficiente por transporte para evitar uma repetição da manifestação.

“Até junho tem demanda significativa (por transporte) gerada pela safra agrícola do País. Não acredito em greve quando estamos vendo efetivamente um aumento de demanda. Mas isso tem que ser resolvido o mais rápido possível”, disse Camillo, referindo-se à tabela de fretes, adotada pelo governo de Michel Temer e que espera há meses por uma posição do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre sua legalidade.

No final de março, a associação de caminhoneiros Abcam afirmou que o nível de insatisfação da categoria estava “muito grande” e que isso poderia resultar em uma nova greve dos motoristas. (Reuters)