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Eliana Dutra *

Nos últimos tempos, muitas entidades e institutos de pesquisa têm abordado a questão da desigualdade de gênero. Contudo, ainda são poucas as ações efetivas para mudar essa realidade. Logo, em vez de as mulheres esperarem que as empresas se conscientizem e realmente enxerguem o quão benéfico é inseri-las em cargos de liderança, elas devem arregaçar as mangas e partir para ação, como por exemplo, criando uma rede de “networking feminino” composto por profissionais em altos cargos de gestão e influentes.

Claro que a divulgação de dados que mostrem a desigualdade e a discussão sobre isso é de extrema importância e não pode parar, mas é preciso também que as mulheres se tornem de fato protagonistas das suas carreiras. Um movimento simples é investir em uma rede de apoio formada por outras profissionais influentes e não ficar presa apenas no networking tradicional, o qual provavelmente será formado em sua maioria por homens. Segundo estudo das universidades Notre Dame e Northwestern, mulheres que possuem um grupo de apoio sólido formado por outras profissionais têm mais chances de atingir posições de liderança de alto escalão.

Isso ocorre porque a comunicação entre as mulheres flui de forma clara, objetiva e com padrões que elas reconhecem. Diferentemente do que acontece em um networking normal. Sem falar que elas possuem a capacidade de se colocar no lugar da outra e entender as dificuldades em romper o famoso Teto de Vidro. Além disso, essa rede pode ajudar a responder questões, como: ´de que forma posso dizer ao chefe ou ao recrutador que planejo ter uma família no futuro?;  ´como saber se a organização pretendida realmente promove a igualdade de gêneros?´etc. Para se ter ideia, ainda segundo a pesquisa, mais de 75% das mulheres de alto escalão possuíam fortes laços com um círculo interno dominados por outras profissionais.

Mas, atenção! Não se deve deixar de lado o tradicional networking composto pela variedade de gêneros, mas ter, em paralelo, um círculo interno de confiança. Até porque, segundo o estudo, aquelas que possuem esse tipo de rede de apoio têm um nível esperado de colocação no emprego 2,5 vezes maior do que as mulheres com um networking limitado ou “dominado” por homens, enquanto para os homens basta apenas eles terem uma grande rede de contatos, independente do gênero, para terem 1,5 vezes mais chances de ganhar uma posição de alto escalão do que os outros homens. As conexões masculinas são importantes para saber sobre oportunidades de emprego e movimentações de mercado, já a rede de apoio feminino ajudará efetivamente a mulher a alcançar cargos de liderança e avançar na carreira. Então, mãos à obra!

*CEO da ProFitCoach, Master Coach Certified pela International Coach Federation (ICF) e Sócia-fundadora do Grupo Nikaia