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A hora de ajudar os jovens

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Democracias ao redor do mundo, da Alemanha aos EUA, decidiram ajudar suas populações a transitar com esperança os anos que estão vindos por aí. O maior desafio é oferecer ao jovem sua melhor inserção na sociedade. A Alemanha, que é pródiga nos programas de integração entre educação, empresas e atividades cívicas está expandindo as portas de entrada para os jovens através de serviços tanto de orientação civil quanto militar. Os EUA fazem referência aberta aos programas que deram diversas ocupações aos jovens durante a depressão dos anos 1930 quando fazem tramitar no congresso formas de expandir as oportunidades de serviço para a população desocupada. O importante é que jovens estejam estudando, treinando ou trabalhando. O ideal é que os programas de inserção mesclem essas atividades. 

O Brasil, que tem 51,3 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos, tem também entre os jovens a maior taxa de desemprego. Acrescida da baixa esperança para o jovem estudante. Segundo o CIEE – Centro de Integração Empresa-Escola, a maior entidade filantrópica que atua pelos jovens no país, se as ações governamentais fossem capazes de combinar programas de estudo e trabalho poderíamos combater o desemprego e a evasão escolar ao mesmo tempo. E assim unir o desejo de inovar das empresas à responsabilidade pública do estado, por meio de programas de estágio e aprendizagem.  

O estado não precisa e nem deve fazer o papel de agente econômico. Mas ele precisa dar a direção em áreas importantes, pois essa é sua função como agregador dos diversos e conflitantes interesses sociais. Se isso pode ser relaxado em tempos de vento a favor, em momentos de crise como agora é essencial apontar a direção e dar as condições para que o rumo seja seguido. A década de 2020 começou com uma pandemia, cujo precedente mais próximo – a gripe espanhola – ocorreu 100 anos atrás. Se por um lado pegou um mundo muito mais complexo – mas muito mais capaz de resolver problemas do que em 1920 -, por outro chegou num momento de transformações tecnológicas, geopolíticas e sociais mais amplas do que foram os anos 1920. 

Nada para assustar, porque é normal que os desafios aumentem juntamente com o avanço do mundo e da capacidade humana – e tecnológica – de resolver problemas. Por várias razões, estamos vivendo o colapso espontâneo de estruturas sociais que amalgamavam e direcionavam a vida das pessoas. Isso é especialmente sentido em termos de oportunidades de trabalho e renda na população mais jovem. E é justamente por isso que ajudar a integrar o jovem no mercado de trabalho se tornou mais importante do que nunca. Será preciso abrir várias frentes para absorver essa população de modo a evitar o desalento, aumentar a produtividade e o tamanho da economia com consequente retorno em recursos para o estado. Se queremos ter esperança nos anos a seguir isso será uma questão de sobrevivência do estado e da economia do país. Países serão julgados pela qualidade de suas políticas de transição.  

Entre 2012 e 2015 simplesmente mais da metade dos jovens espanhóis estava desempregada. Seria isso um efeito inescapável da crise? Negativo. Nesses mesmos anos o desemprego entre os jovens alemães caiu ano após ano, mantendo-se abaixo de 10% desde 2011. Por que na Alemanha apenas um em cada dez jovens estava desempregado enquanto na Espanha era um em cada dois? Nada de questão cultural ou outras baboseiras que o preconceito vulgar tenta preguiçosamente enxergar. Afinal, durante muitos anos o desemprego na Espanha foi menor do que na Alemanha. A diferença ocorre por conta do direcionamento que o estado alemão, em parceria com empresas, ajuda a promover através de importantes instituições e programas que integram o jovem no mercado de trabalho. O que o estado alemão aprendeu a fazer – atuar em prol da harmonização da vida social com as demandas produtivas – é o aspecto que melhor funciona para o Brasil. Na crise atual a integração jovem-escola-empresa é o tripé que precisa ser expandido.

A América Latina tem dois símbolos interconectados que sintetizam as dificuldades da região em atingir seu máximo potencial – informalidade e desigualdade. Nós copiamos o sistema estatal europeu, mas até hoje não conseguimos fazer a tarefa número 1 de qualquer estado que é a de formalizar os aspectos básicos da existência das pessoas que vivem dentro de suas fronteiras. É ajudar aos jovens que precisam ser integrados a outros grupos sociais para formarmos uma verdadeira sociedade econômica próspera. Para isso o estado precisa dar força para que o setor formal e produtivo cresça com qualidade e não percamos os jovens para o crime, a baixa produtividade e o desalento.

** Professor universitário e sociólogo. Superintendente Institucional do CIEE Nacional – contato@paulodelgado.com.br – Com Henrique Delgado –

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