CREDITO: CHARLES SILVA DUARTE

A lenta recuperação do mercado de trabalho, com impacto na renda e consumo das famílias, continua prejudicando os resultados do comércio. Em Minas, o volume de vendas do varejo apresentou queda de 1,5% em maio na relação com abril. Esse foi o pior resultado apresentado entre todas as unidades da Federação. Nessa base comparativa, o comércio nacional mostrou retração de 0,1%.

No Estado, quanto ao varejo ampliado, que inclui itens como automóveis e construção, houve alta de 4,1% na relação maio 2019/maio 2018, principalmente devido ao bom resultado da venda de veículos. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Analista do IBGE Minas, Cláudia Pinelli informa que o resultado indica maior dificuldade de recuperação do mercado de trabalho em Minas em relação ao País.

“Minas tem o pior indicador entre todas as unidades da Federação, com o maior recuo referente a abril”, reforça.

Ela indica ainda que a lentidão ou mesmo queda da recuperação econômica fica mais evidente na análise das taxas acumuladas, que também estão negativas.

Em Minas, de janeiro a maio, houve queda de 2,5% na relação com igual período de 2018, sendo que no nacional houve avanço de 0,7%. No acumulado de 12 meses, a retração foi de 2,2%, enquanto no País houve alta de 1,3%. E, no comparativo maio 2019/maio 2018, a queda em Minas foi de 3,2%, enquanto no Brasil foi registrada alta de 1%.

A retração nessa última base comparativa é considerada preocupante, pois a base é considerada fraca, quando em maio do ano passado as vendas registraram queda devido ao impacto da greve dos caminhoneiros.

Economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), Guilherme Almeida pondera que, em Minas, ainda há o agravante da situação fiscal do governo do Estado, que leva ao atraso do pagamento do funcionalismo público, também interferindo negativamente nos resultados do comércio. Ainda há o impacto da retração da atividade da mineração, após a tragédia da Vale em Brumadinho, principalmente na região atingida.

Mas ele reforça que o principal impacto vem da lenta recuperação do emprego.

“Emprego e renda familiar são os pilares principais do comportamento de consumo. No atual cenário, há um compasso de espera por mais empregos. As famílias priorizam os gastos essenciais, tanto que setores supermercadista e farmacêutico tiveram alta”, disse.

O segmento de hipermercados e supermercados mostrou alta de 0,4% na relação mensal (maio 2019/maio 2018) e de 7% no acumulado de 12 meses. Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos apresentaram alta de 15,5% na relação mensal e de 8,9% no acumulado de 12 meses. Também tiveram alta os equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação mostram alta de (+15,5% na relação mensal e +9,1% no acumulado de 12 meses).

De acordo com a pesquisa, os demais setores apresentaram queda. Combustíveis e lubrificantes registraram retração de 3,1% na relação mensal, sendo que no acumulado de 12 meses a queda foi de 16,6%. Segundo Guilherme Almeida, a queda está ligada à pressão inflacionária sobre os preços.

Tecidos vestuário e calçados mostraram queda de 6,7% em maio com relação a igual mês de 2018, enquanto no acumulado de 12 meses a retração foi de 2,9%.

Também tiveram queda móveis e eletrodomésticos (- 7,5% na relação mensal e -19,7% no acumulado de 12 meses); outros artigos de uso pessoal e doméstico (-27,5% na relação mensal e -16% na comparação de 12 meses); livros, jornais, revistas e papelaria apresentaram retração de 14,5% na relação de maio 2019/maio 2018, enquanto no acumulado de 12 meses houve queda de 9,7%.

Ampliado – No comércio varejista ampliado, veículos, motocicletas, partes e peças tiveram expressivo aumento de 45% em maio na relação com igual mês do ano passado. Mas Cláudia Pinelli ressalta que é necessário cautela com o resultado, pois a base comparativa é fraca, já que em maio do ano passado ocorreu a greve dos caminhoneiros. No acumulado de 12 meses, as vendas mostraram avanço de 13,7%.

Materiais de construção mostraram aumento de 10,7% na comparação mensal, enquanto no acumulado de 12 meses a alta foi de 4,5%.

Setor recua 0,1% no Brasil, aponta IBGE

Rio e São Paulo – As vendas no varejo do Brasil recuaram em maio pelo segundo mês seguido e frustraram as expectativas, pressionadas pelas categorias outros artigos de uso pessoal e combustíveis, destacando a morosidade contínua da economia.

Em maio, as vendas varejistas recuaram 0,1% em relação ao mês anterior, depois de queda de 0,4% em abril, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados ontem.
Em relação ao mesmo período do ano anterior, as vendas registraram avanço de 1,0%, no pior resultado para maio em três anos. Ambos os resultados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters, de alta de 0,2% na comparação mensal e de 1,3% na base anual.

“O dia das mães, uma data importante para o comércio, passou batido este ano por conta da conjuntura desfavorável”, disse a gerente da pesquisa, Isabella Nunes.

“O recado que a pesquisa dá é de uma perda no fôlego do comércio do fim de 2018 para cá. O ritmo de crescimento diminui claramente dado o comportamento do mercado de trabalho, das incertezas que pairam entre investidores e consumidores e do ritmo de atividade”, completou.

Os dados do IBGE mostraram que, entre as oito atividades pesquisadas, as pressões negativas vieram do recuo de 1,4% na venda de Outros artigos de uso pessoal e doméstico e da queda de 0,8% de Combustíveis e lubrificantes.

Por outro lado, os destaques positivos foram Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+1,4%); Tecidos, vestuário e calçados (+1,7%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (+0,9%); e Móveis e eletrodomésticos (+0,6%).

O varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, subiu 0,2% sobre abril, e 6,4%, ante maio de 2018.

Diante da falta de fôlego da economia, confiança abalada e desemprego ainda alto, o setor varejista do Brasil vem encontrando dificuldades para deslanchar.

As expectativas para a economia vêm sofrendo sucessivos cortes, e a mais recente pesquisa Focus do Banco Central aponta crescimento de apenas 0,82% neste ano. (Reuters)