Crédito: Amintas Vidal

AMINTAS VIDAL*

O SUV compacto Nissan Kicks é o automóvel mais vendido da marca japonesa no Brasil. Lançado em 2016, durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro, ele está entre os modelos líderes deste disputado segmento.

No levantamento deste ano, até outubro, o modelo já ganhou as garagens de 45.057 consumidores, sustentando a 3ª colocação, mesma posição de 2018. Ele ficou logo atrás do Hyundai Creta, que registrou 46.231 unidades, porém, ambos estão bem distantes do líder, o Jeep Renegade, que atingiu 56.791 emplacamentos neste mesmo período.

Todos os dados consolidados de mercado foram fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

DC Auto recebeu o Kicks SL Pack Tech, com câmbio CVT, para avaliação. Versão de topo de linha do modelo, ela tem o preço sugerido de R$ 105,19 mil no site da montadora.

Este é o valor na opção pela cor preta sólido. Também existem as opções em vermelho, cinza, prata e marrom, todas em tons metálicos, e um único perolizado, o branco. Para essas cores é cobrado um preço único de R$ 1,35 mil.

Exclusivamente nesta versão SL, é possível optar por combinações dessas cores aplicadas à carroceria e ao teto, como o branco e o preto da unidade avaliada, item opcional no valor de R$ 1,5 mil.

Equipamentos – Os principais equipamentos de série da versão são: ar-condicionado automático digital, direção elétrica, controle de áudio, computador de bordo e telefone no volante, sistema multimídia com rádios AM/FM , CD e DVD player, função RDS, entrada auxiliar para MP3 Player, conector USB, conexão à internet por meio de wi-fi pela plataforma Android, download de aplicativos e conectividade com Apple CarPlay e Android Auto e quadro de instrumentos digital e multifuncional em HD de 7 polegadas com 12 funções.

 

Entre os equipamentos tecnológicos e de segurança, podemos destacar o sistema eletrônico de ignição (botão Push Start) e abertura das portas sem o uso da chave, o acendimento inteligente dos faróis, os controles eletrônicos de estabilidade, VDC (Vehicle Dynamic Control) e de tração (TCS – Traction Control System ) e o sistema inteligente de partida em rampa (HSA).

Além dos obrigatórios freios ABS e dos airbags frontais, a versão traz mais quatro airbags (dois laterais e dois de cortina) e a ancoragem para cadeiras de crianças (Isofix).

Por meio de sensores que trabalham junto ao câmbio e motor, o modelo oferece outras tecnologias que auxiliam para uma condução mais segura, como o Controle Inteligente em Curvas (Active Trace Control), o Controle Inteligente de Freio Motor (Active Engine Brake) e o Estabilizador Inteligente de Carroceria (Active Ride Control).

O Alerta de colisão com assistente inteligente de frenagem e a visão 360° com imagem integrada ao display do sistema multimídia completam os equipamentos diferenciados do Kicks SL, alguns exclusivos nesta opção Pack Tech.

Externamente, a versão traz retrovisores rebatíveis automaticamente com indicador de direção em LED e pintura em preto para a opção com teto colorido, rodas em liga leve de 17 polegadas e pneus 205/55 R17, detector de objetos em movimento (MOD), faróis de neblina, faróis baixos em LED, luz de freio em LED e sensor de estacionamento traseiro, entre outros.

 

O motor que equipa todas as versões do Kicks é o 1.6 de quatro cilindros e 16 válvulas, bicombustível, capaz de render 114 cv, com ambos os combustíveis. O torque máximo atinge 15,5 kgfm às 4.000 rpm .

O câmbio é automático CVT com simulação de 6 marchas e seu acoplamento é feito por conversor de torque. Ele não oferece seleção entre automático e manual, mas conta com programação “Sport” ativada por botão posicionado na alavanca.

O porta-malas comporta bons 432 litros, mas o tanque de combustíveis, apenas 41 litros. Suas dimensões são: 4,29 metros de comprimento, 2,62 metros de distância entre-eixos, 1,76 metro de largura (sem contar os retrovisores) e 1,59 metro de altura total. Nas medidas mais importantes para um SUV, ele apresenta 20 centímetros de vão livre, 20º de ângulo de entrada e 28º de ângulo de saída.

Interior – Chama a atenção a parte central do painel revestida no mesmo material dos bancos, portas e volante, inclusive, acolchoada, o que a deixa muito macia ao toque. Este material sintético que imita o couro é aplicado com costuras aparentes e apresenta um desenho canelado em todos os bancos, uma sofisticação mais comum de se ver em modelos de luxo.

Texturas, acabamentos em preto brilhante e prata conferem alguma sofisticação às peças plásticas, todas produzidas em materiais rígidos, mas sem rebarbas e bem encaixadas. As portas traseiras não contam com a cor prata em seus puxadores, mas têm o revestimento acolchoado nos apoios de braço, como nas portas dianteiras.

O sistema multimídia do Kicks é um dos mais completos do mercado. Ele funciona quase como um tablet com sistema Android, podendo receber sinal de internet via celulares ou wi-fi para baixar novos programas, além dos já instalados.

Assim, é possível usar o Wase, por exemplo, sem a necessidade de espelhar um smartphone, desde que se compartilhe algum sinal de internet com o aparelho do carro. Seu tamanho de tela, definição de imagem e sensibilidade ao toque são bons, mas a velocidade de processamento poderia ser maior.

Usando o espelhamento por meio do cabo USB ele funcionou perfeitamente. Pelo bluetooth, ocorreram falhas em algumas chamadas telefônicas e reproduções de áudios. Este sistema e o ar-condicionado possuem botões giratórios para as principais funções e botões de pressão para as secundárias, arquitetura ideal.

A refrigeração do interior é eficiente, apesar deste sistema ser de zona única. O computador de bordo, as informações e configurações do veículo e o conta giros são exibidos em uma tela HD de 7 polegadas com 12 funções. Controlado por botões localizados no volante, este painel oferece páginas variadas que ajudam na navegação com diversas informações úteis.

Acerto das suspensões privilegia conforto

A direção elétrica é bem leve para manobras de estacionamento e fica mais pesada e direta em velocidades. O sistema de câmeras com visão de 360º ajuda em diversos tipos de manobras, tanto em marcha a ré como para frente, pois é possível escolher visualizar a imagem ampliada das câmeras, dianteira e da direita, facilitando aproximar de frente contra obstáculos ou das guias em balizas.

Mesmo com tantos recursos, falta o sensor de estacionamento dianteiro, indisponível para o modelo. O acerto das suspensões está mais voltado para o conforto. O rodar é macio, o conjunto filtra pequenas irregularidades do piso, mas emite muito barulho ao transpor buracos e lombadas maiores, pois faltam recursos mecânicos para limitar o movimento de retorno das partes móveis das suspensões.

Apesar de privilegiar a maciez ao rodar, o Kicks não inclina muito em curvas e ainda conta com os diversos recursos de auxilio dinâmico que ajudam no controle direcional. Assim como o Honda HRV e o Volkswagen T-Cross, ele é um SUV urbano, sem vocação para o fora de estrada.

Os bancos dianteiros seguram muito bem o corpo, pois foram projetados para aliviar o desgaste dos ocupantes em longas viagens, algo realmente diferenciado em relação aos concorrentes.

Circulando na marcha mais longa, a sexta, e aos 110 km/h, o motor gira às baixas 1.600 rpm. Nesta condição só se ouve o atrito dos pneus com o asfalto e o vento contra a carroceria, aliás, mais do que o esperado.

Em uma condução normal, as marchas passam de forma suave e sem trancos, prova da qualidade mecânica de todo o conjunto. Quando ele é mais exigido, sua programação utiliza um artifício comum entre os câmbios CVT.

Ela permite que a rotação do motor suba antes da redução das relações, que acontece em seguida e de forma mais vigorosa, aumentando o desempenho do carro. Mesmo funcionando bem, este recurso atrasa um pouco a resposta do carro ao acelerador e, também, mantém o motor acelerado por alguns segundos depois de tirarmos o pé do pedal, situações que exigem antecipação nas acelerações e nas frenagens.

Procuramos explorar ao máximo o potencial mecânico dos carros que avaliamos, tanto visando o desempenho quanto, principalmente, buscando a maior eficiência energética. No caso do Kicks, sentimos a ausência de recursos que possibilitassem as trocas manuais das marchas. O ideal seriam as aletas (shift paddles) posicionadas atrás do volante ou mesmo a comutação por meio da alavanca de câmbio.

Em manobras de ultrapassagens e nas desacelerações com o freio motor, intervir manualmente nas marchas ajuda na segurança da condução e na economia de combustível.

Consumo – Em nosso teste padrão de consumo, o Kicks apresentou números melhores que esperávamos, pois suas marcas divulgadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) o qualificam no índice “C”.

Nas duas voltas de 38,4 km, uma aos 90 km/h e outra aos 110 km/h, ele registrou 12,4 km/l e 11,2 km/l, respectivamente, usando apenas etanol no tanque. Circulando em cidades, também com etanol, ele se mostrou menos econômico, variando entre 5,5 km/l e 7,5 km/l, dependendo da intensidade do tráfego.

Apesar de contar com muitos equipamentos, alguns ainda raros entre os SUVs compactos, o Kicks não conta com o sistema stop/start, recurso que o tornaria mais econômico no trânsito urbano.

Entre a versão de entrada com câmbio automático, a S CVT, e esta mais equipada, a SL CVT Pack Tech, existe uma diferença nos preços de R$ 19,20 mil. Como os conjuntos mecânicos são os mesmos, e os principais equipamentos de segurança também, a escolha de compra recai sobre o valor que se dá aos equipamentos de conforto, tecnologia e diferenciais estéticos que a SL oferece a mais.

*Colaborador

**Essa e outras matérias, no nosso blog: www.dcautoblog.com