Crédito: AMINTAS VIDAL

AMINTAS VIDAL*

Buscando retomar a liderança do mercado nacional, a Volkswagen realizará 20 lançamentos até o fim de 2020, em uma empreitada que investirá R$ 7 bilhões. Sobre a plataforma modular MQB, a mesma base usada em diversos carros do grupo, inclusive em modelos da Audi, ela está renovando quase toda a sua linha nacional.

As principais novidades desta lista são os cinco SUVs (utilitários esportivos) programados e a picape intermediária Tarok, concorrente da Fiat Toro, apresentada como conceito no Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, em 2018.

Dois utilitários esportivos já ganharam o mercado, o médio-grande Tiguan, baseado no Passat, e o compacto T-Cross, com o mesmo entre-eixos do sedan Virtus. O T-Sport, na mesma configuração do Polo, e o Tarek, nas medidas do Jetta, também já foram confirmados.

O último SUV poderá ser um subcompacto sobre a base do up! ou, mais provavelmente, um grande, substituto do Touareg, modelo que deixou de ser importado para o Brasil.

Com essa ofensiva de SUVs modernos, assim como são os compactos Polo e Virtus, e a provável renovação dos antigos Gol, Voyage e Saveiro, entre outras ações, a Volkswagen pretende voltar ao primeiro lugar do mercado.

DC Auto recebeu o T-Cross Confortline 200 TSI para avaliação. No site da montadora ele tem preço sugerido de R$ 99,99 mil, o mesmo valor tabelado em seu lançamento, ocorrido em março deste ano.

Mas essa cifra só se aplica se a cor escolhida for o preto Ninja, pois no Branco Puro da unidade avaliada, mesmo sendo uma pintura sólida, sobe para R$ 100,58 mil.

Equipamentos – Os principais equipamentos de série desta versão são: seis airbags, ABS, controle eletrônico de estabilidade (ESC), controle de tração (ASR), bloqueio eletrônico do diferencial (EDS), sistema de frenagem automática pós-colisão, assistente de partida em rampas, indicador de pressão dos pneus, controle automático de velocidade e sistema Isofix com top tether.

Também estão presentes: ar-condicionado digital, direção com assistência elétrica, volante multifuncional com shift paddles, coluna de direção com ajuste de altura e profundidade, travas elétricas e vidros elétricos dianteiros e traseiros com função one touch, sistema de multimídia com tela de 6,5 polegadas, programas para espelhamento e suporte físico para smartphone com entrada USB, seis alto-falantes (4 dianteiros e 2 traseiros), computador de bordo com display multifuncional, câmera para auxílio em manobras em marcha a ré, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, sensor crepuscular, sistema de alarme anti-furto com comando remoto e saídas de ar e duas tomadas USB para o banco traseiro, entre outros.

A unidade avaliada ainda estava equipada com dois pacotes opcionais. O primeiro, Design View, no valor de R$ 1,95 mil, traz aplicações decorativas e bancos em material sintético que imita couro com detalhes na cor “Marrakesh Brown”.

Ele obriga a inclusão de outro pacote, o Exclusive II e Interactive, que traz, entre outros, seletor do modo de condução, sistema de navegação, sistema de som Discover media e sistema Kessy (acesso ao veículo sem o uso da chave e botão para partida do motor), trazendo um acréscimo de R$ 5,45 mil e elevando o preço da versão Confortline para R$ 107,98 mil.

Este valor se aproxima muito do pedido pela variante Highline 250 TSI, tabelada em R$ 109,99 mil. Além de trazer quase todos estes equipamentos em sua lista de série, ela é a única a oferecer o motor 1.4 turbo de 150cv, o que pode explicar a maior procura pela Highline em relação às outras versões.

Motor e câmbio – O motor da versão Confortline é o turbo flex de três cilindros 1.0 TSI. Ele é equipado com injeção direta de combustível, duplo comando de válvulas tracionado por correia dentada com variação da abertura, tanto na admissão como na exaustão.

Rende 128/116 cv às 5.500 rpm com etanol e gasolina, respectivamente, e tem torque de 200 Nm (20,4 kgfm) às 2.000 rpm com os dois combustíveis. O câmbio é automático convencional de 6 marchas com conversor de torque e permite trocas manuais através da alavanca ou das aletas posicionadas atrás do volante.

O T-Cross está em dia com o atual design da Volkswagen. Suas linhas são sóbrias, sem exageros nos vincos, lanternas ou faróis, por exemplo. Pode não chamar tanta atenção como os seus concorrentes, mas se manterá atual por mais tempo com este desenho clássico da carroceria.

Se por fora ele parece pequeno, por dentro é mais amplo que a maioria dos SUVs compactos. Seu formato quadrado, e o ótimo entre-eixos de 2,65 metros, garante espaço suficiente para pernas, ombros e cabeça de quatro adultos.

A quinta pessoa ficará mais apertada, mas o túnel central não é tão alto, deixando alguma área para os seus pés. A ergonomia é boa, com todos os comandos à mão, e os bancos garantem apoio adequado também.

O porta-malas comporta 373 litros, na média da categoria, mas pode ser ampliado para 420 litros através de um sistema de braços que deixa o encosto traseiro mais na vertical. Em seu tanque cabem 52 litros de combustível.

Acabamento interno do utilitário deixa a desejar

O ponto fraco do modelo é o acabamento. Todos os painéis internos são feitos em plástico rígido com pouca variação de textura e cores. Apenas apliques no painel principal quebram essa simplicidade.

As únicas áreas macias estão nos apoios de braço, nas portas e no console central. Essa unidade foi configurada com apliques opcionais na cor marrom que elevam bastante a percepção de qualidade interna, mas eles só estão presentes na parte dianteira, deixando a parte traseira muito diferente.

Tanto o ar-condicionado automático digital quanto o sistema multimídia funcionam muito bem e possuem botões físicos e rotativos para as funções primárias e comandos de pressão ou toque para as secundárias, arquitetura ideal, resultando em um fácil manuseio.

O resfriamento da cabine é eficiente com boa distribuição do fluxo de ar, apesar das saídas centrais ficarem em uma linha mais baixa que o usual. A tela tem ótima sensibilidade ao toque e o sistema é muito rápido. Apenas o primeiro espelhamento com um dispositivo Android é muito demorado, tornando-se automático no uso diário.

Conforto e estabilidade – O T-Cross é muito estável em curvas, comportando-se como modelos mais baixos, mas, ainda assim, entrega conforto, principalmente sobre pisos bem conservados. Sobre ruas esburacadas, ou mesmo calçamento de pedras, suas suspensões sofrem ao filtrar os impactos, deixando passar algumas vibrações para o interior.

A altura do modelo facilita transpor lombadas e acessar garagens sem tocar fundo e para-choques, e também ajuda no fora de estrada. Mas o conjunto de rodas, pneus e todo o sistema de suspensão é muito mais adequado para o asfalto do que para a terra. O T-Cross é um SUV mais urbano que rural.

A direção elétrica é leve em manobras de estacionamento, mas poderia ser ainda mais. Em circulação, ela ganha o peso adequado conforme a velocidade desenvolvida. A câmera e os sensores de estacionamento ajudam bastante nas manobras, mas as guias gráficas não esterçam com o movimento do volante, recurso que aumentaria a precisão da operação.

Desempenho – A maior surpresa da versão vem do conjunto mecânico. Apesar de ser um motor de apenas 1 litro, trabalhando com o câmbio automático, ele confere desempenho ao modelo. As acelerações e retomadas são rápidas, dando agilidade aos seus 1.252 kg, mas sem muita sobra.

A montadora divulga que em 10,4 s ele atinge os 100 km/h, quando abastecido com etanol. As trocas de marchas são suaves em uma condução igualmente tranquila, mas acontecem alguns trancos quando aceleramos e desaceleramos bruscamente. O controle das marchas pelas aletas garante conforto e economia de combustível nas desacelerações.

Aos 110 km/h, e de sexta marcha, o motor gira às 2.500 rpm, garantindo silêncio a bordo. Apenas acima das 3.000 rotações é que se ouve seu funcionamento, mas nada que incomode, pois seu ronco é mais grave, característica dos modelos de três cilindros.

O sistema de trocas manuais é o ideal, pois permite comutar as marchas pelas aletas sem a necessidade de mudar a alavanca de câmbio para a posição manual (M). Após algum tempo sem interferência do condutor, o sistema retorna às trocas automáticas.

O T-Cross Confortline 200 TSI foi econômico em nosso teste padrão de consumo, mas até esperávamos mais, considerando a baixa capacidade cúbica e a ampla tecnologia empregada em seu motor.

Foram duas voltas em um mesmo percurso de 38,4 km. Uma mantendo 90 km/h e, outra, os 110 km/h, sempre acelerando suavemente e antecipando as desacelerações com o freio motor, conduzindo economicamente.

O trecho é percorrido somente com o motorista, vidros fechados, ar-condicionado regulado na refrigeração intermediária e faróis acesos. Na volta mais lenta, atingimos 13,9 km/l. Na mais rápida, 12,1 km/l, com 100% de etanol no tanque.

No trânsito urbano, com o mesmo combustível, o consumo variou entre 6 km/l e 8 km/l, dependendo da intensidade do tráfego. Se essa versão contasse com sistema start/stop, o consumo urbanos seria menor.

O T-Cross Confortline nos parece uma melhor opção quando adquirido em sua configuração básica. Apesar de mais simples, ele entrega o mesmo conforto e segurança da versão Highline, com um menor consumo de combustível. Para quem quer maior desempenho e um melhor acabamento, vale a pena pagar mais pela versão de topo de linha.

*Colaborador
**Essa e outras matérias, no nosso blog: www.dcautoblog.com