Crédito: Juliana Miari - Divulgação

No próximo dia 31 de outubro os espaços culturais da cidade, como os cinemas, poderão reabrir para o público. É o que definiu o decreto da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Porém, um dia depois, em 1º de novembro, o Cine104 encerra suas atividades em 2020 com o último final de semana da programação “Cine104 em Casa”, atividade on-line e gratuita promovida ao longo dos 7 meses de isolamento e distanciamento social provocado pela pandemia de Covid-19.

Iniciada em abril, a programação do Cine104 em Casa promoveu semanalmente a exibição de dois filmes, sempre de quarta a domingo, além de bate-papos em lives com cineastas convidados que exibiram seus longas, curtas-metragens e documentários dentro da programação. Ao todo, foram mais de 72 mil pessoas participando da programação, acompanhando e assistindo aos filmes disponibilizados, uma realização de sucesso para o Cine104, alcançando recorde de público em todas as realizações do projeto. A ação também reafirma a importância da arte – no caso, do cinema – como uma manifestação cultural que garante um sopro de renovação às pessoas em tempos tão árduos.

O encerramento do Cine104 em Casa e de uma possível retomada com exibições presenciais se dá motivada pela falta de recursos para viabilizar a realização de todas as atividades propostas pelo espaço ao longo dos últimos anos.

Exibições – Para concluir uma atividade de tamanha expressão para a cultura local, o Cine104 realizará neste sábado (24) o último bate-papo live com cineastas, recebendo Rafael Conde às 19h30, no perfil do Instagram @centoequatrobh, para um debate com o jornalista e crítico de cinema João Dicker. O diretor terá três curtas-metragens autorais exibidos nos dias 23, 24 e 25 de outubro (sexta, sábado e domingo respectivamente). São eles: A Brincadeira (2017), Bili com Limão verde na mão (2016) e Berenice e a Fundação da Música (2019).

Na mesma semana, entre 20h de quarta-feira (21 de outubro) e sexta-feira (23 de outubro), no mesmo horário, será exibido o longa “Oslo”, do dinamarquês Joachim Trier. O filme é baseado na novela “Le feu follet” (1931), de Pierre Drieu La Rochelle, que inspirou também o clássico de Louis Malle, “Trinta Anos Esta Noite” (1963). A trama acompanha Anders, um toxicodependente em recuperação. Ele recebe um dia de licença do centro de reabilitação onde vive, para uma entrevista de emprego. Nesse dia, em Oslo, Anders encontra amigos, a ex-namorada e visita lugares familiares.

Na semana seguinte, a 28ª e a derradeira de programação, serão exibidos os filmes “Triângulo Amoroso”, de Tom Tykwer, e “O Fim da Viagem, O Começo de Tudo”, de Kiyoshi Kurosawa. Tom Tykwer é o diretor de “Corra, Lola, Corra” (1998) e de alguns episódios de “Sense 8”, série de TV sensação da Netflix. Em “Triângulo Amoroso”, disponível nos disa 28, 29 e 30 de outubro, Hanna e Simon vivem um relacionamento há 20 anos. O casal de meia-idade e sem filhos mora em Berlim. Ambos estão entediados e prontos para mudanças. Hanna conhece um homem interessante e atraente e os dois passam a se encontrar. Simon também conhece alguém que o deixa fascinado. O que eles não sabem é que os dois se apaixonam pelo mesmo homem.

O encerramento da programação do Cine104 em Casa fica a cargo de uma grande obra cinematográfica contemporânea, o filme “O Fim da Viagem, O Começo de Tudo”, de Kiyoshi Kurosawa, que será exibido a partir das 20h do dia 30 de outubro, até às 20h de 1º de novembro. Kurosawa é um dos mais prestigiados e prolíficos diretores atuais que, inclusive, recebeu o prêmio de melhor diretor no Festival de Veneza desse ano com o filme “Wife of a Spy”, ainda com exibição vindoura no Brasil.

“O Fim da Viagem, O Começo de Tudo” é seu penúltimo filme, uma coprodução entre o Japão e o Uzbequistão, país da Ásia Central. O filme acompanha a jovem repórter Yoko, que está no Uzbequistão para gravar um episódio de seu programa de variedades para a TV japonesa. Yoko é interpretada pela estrela do J-pop Atusko Maeda, ex-integrante do grupo feminino AKB48, um megassucesso no Japão. De forma bem-humorada e desconfortável, o diretor conta as aventuras e desventuras da repórter nas suas andanças pelo país e o estranhamento provocado pela língua, pelo território e pela cultura. Essa viagem-reportagem transcultural acaba sendo uma jornada de autodescoberta para Yoko, na qual ela se transforma e, pelo excelente trabalho do diretor, expande a inquietação que a transforma ao espectador.

Realizando as exibições por meio do Vimeo, os filmes ficam disponíveis de forma gratuita por 48 horas, sempre a partir das 20h de cada dia. Os links e respectivas senhas para acesso aos filmes serão disponibilizados nas páginas oficiais do Centoequatro: Facebook, no Instagram e no site do 104. A curadoria da programação é assinada por Mônica Cerqueira.