Crédito: Hannah Lydia

A região amazônica é destaque na programação do “Festival de Fotografia de Tiradentes – Foto em Pauta”, que completa dez anos e foi aberta ontem na histórica cidade do Campo das Vertentes. A fotografia produzida atualmente no Norte do País será tema de uma das principais exposições e de palestras durante o tradicional evento.

Resultado da viagem de duas semanas da equipe do festival a quatro capitais do Norte do País – Belém, Manaus, Rio Branco e Porto Velho –, a mostra “Cinzas do Norte” (foto) reúne 33 artistas que tiveram trabalhos selecionados entre mais de 100 inscritos. Com curadoria dos fotógrafos João Castilho e Pedro David, a exposição está baseada em três grandes temas considerados comuns aos locais visitados: experimentalismo, atualidade amazônica e cotidiano da região.

Os curadores e os artistas participantes apresentam a mostra “Cinzas do Norte” hoje, às 18 horas, no Centro Cultural Sesiminas Yves Alves. Na sequencia, às 20h, no mesmo local, a atração será a fotógrafa paraense Walda Marques, cuja obra se destaca pelos retratos realizados em estúdio e pela forma original como recuperou a tradição das fotonovelas para narrar lendas urbanas e mitologias ligadas à região amazônica. Ela será entrevistada por Eder Chiodetto.

Mas o “Festival de Fotografia de Tiradentes – Foto em Pauta”, que prossegue até o próximo domingo, não fica restrito à região amazônica. Vai muito além. O evento ultrapassa fronteiras geográficas, de tempo, tecnologia e estilo, entre outras, sempre fiel à proposta de divulgar a produção fotográfica brasileira e internacional, além de fomentar o desenvolvimento da linguagem artística no Brasil.

“Reafirmando seu compromisso com a qualidade da programação, o Festival de Fotografia de Tiradentes proporciona ao público ricas experiências e trocas com profissionais de renome nacional e internacional, cuja produção artística é representativa no cenário da fotografia”, observa Eugênio Sávio, idealizador e curador geral do evento, realizado em Tiradentes desde 2011.

Os números das edições anteriores comprovam a consolidação do Festival de Fotografia de Tiradentes. O evento reuniu 834 fotógrafos em 100 exposições, lançou 150 livros de fotografia, realizou 137 palestras e ofereceu 122 cursos e workshops. “Todo este esforço demonstra a importância do festival para o debate e a democratização da fotografia autoral brasileira”, ressalta Eugênio Sávio.

Emoldurada pela Serra de São José, Tiradentes será palco de um grande número de atividades ligadas à fotografia, como exposições, workshops, palestras, debates, leituras de portfólios, projeções de fotografias e atividades educativas voltadas para a comunidade local.

Uma das principais características do evento é a ocupação dos mais diferentes locais para abrigar suas atividades. Este ano, por exemplo, haverá uma exposição na Capela de São João Evangelista, que foi recentemente restaurada. A Câmara Municipal também será palco de atividades. Centros culturais, museus, teatros, galerias de arte, escolas, bares e restaurantes abrem suas portas para receber a fotografia, em todas as suas diferentes formas.

Exposições – Estão previstas cerca de 25 exposições, entre coletivas e individuais, reunindo mais de 200 artistas da fotografia do Brasil e do exterior, que ocuparão os mais diferentes espaços de Tiradentes. Além da mostra ‘Cinzas do Norte’, a exposição coletiva ‘Traços do Singular’ também promete levar grande público às salas do Centro Cultural Sesiminas Yves Alves.

Ela conta com trabalhos de 42 artistas, selecionados por meio de uma convocatória. Estão representados autores residentes em 11 estados, mais o distrito federal, além dos Estados Unidos e França. A curadoria desta exposição é Anna Karina Castanheira Bartolomeu, Gabriela Sa e Madu Dorella, que analisaram 2.906 fotografias enviadas por 659 inscritos.

No Espaço Cultural Aimorés, também situado à rua Direita, acontecerá a mostra ‘Através do Olhar’. Com curadoria de Thaís Rocha, essa exposição reúne trabalhos das fotógrafas Aparecida Silva, Fernanda Dias, Thais Alvarenga e Valda Nogueira. As autoras, oriundas da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, apresentam um olhar sobre seus territórios.

Está confirmada também a exposição ‘O que os olhos alcançam’, de Cristiano Mascaro, com imagens da carreira do artista, atuante há 50 anos na cena fotográfica nacional e internacional. A mostra em Tiradentes, com curadoria de Rubens Fernandes Júnior, é um recorte da exposição realizada por Mascaro no Sesc São Paulo, no ano passado. O local é a Capela de São João Evangelista, localizada à rua Padre Toledo, 242. No sábado, às 11h, está programado um encontro com o autor.

Juntamente com o Instituto Moreira Salles (IMS) e o Iphan, o Festival de Fotografia de Tiradentes – Foto em Pauta apresenta a exposição ‘Chichico Alkmim: nosso rosto’, que poderá ser visitada não apenas durante o evento, mas até 19 de abril, no Sobrado Ramalho/Iphan. Com curadoria de Eucanaã Ferraz, a mostra apresenta imagens produzidas pelo fotógrafo mineiro na metade do século XX. A exposição já passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Poços de Caldas e Belo Horizonte.

Já a fotógrafa Juliana Lima convida para a exposição individual ‘Beira mundo, o que se vê além dos olhos’, a ser montada no Teatro Casa de Boneco, à Rua Direita, 288. A mostra, que reúne 18 obras exclusivas, propõe uma reflexão sobre diversas culturas, além de convidar o público a interagir com as peças durante o festival.

O canadense Scott MacLeay será contemplado com uma exposição retrospectiva de sua obra, que compreende fotografia, multimídia, vídeo e composição musical, abrangendo o período entre 1979 e 2019. Batizada de ‘Scott MacLeay: 40 Anos de Provocação’, a exposição será na Galeria Maria Cláudia Alencar, à Rua Manoel Morais Batista Júnior, 200, no Bairro Parque das Abelhas.

Como é tradição do Festival de Fotografia de Tiradentes – Foto em Pauta, serão realizadas exposições também em estabelecimentos comerciais da cidade, frutos de parceria com a Associação Empresarial de Tiradentes (Asset). (Da Redação)