Assembleia vai retomar os trabalhos nesta segunda
Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

Carlos Perktold*

Amílcar de Castro (1920-2002), artista da simplicidade, está de volta em exposição comemorativa de seus cem anos de nascimento. Mineiro de Paraisópolis e cidadão do mundo é homenageado pela Dan Galeria de Arte, de São Paulo, neste mês de julho, com sessenta obras e com curadoria de seu filho Rodrigo de Castro. Minas, que trata mal seus filhos ilustres e talentosos, não tem nada programado para reverenciá-lo. É lamentável.

Aluno da primeira turma de Alberto da Veiga Guignard em Belo Horizonte quando muito jovem, era grato ao seu mestre pelo que havia aprendido com ele e com Franz Weissmann na Escola Guignard, da qual foi seu diretor anos depois. Se houve influência artística dos dois mestres, ela ficou recôndita no conteúdo e descarada nas linhas seguras dos desenhos e esculturas.

Amílcar foi artista gráfico, pintor, escultor e um intelectual da arte no Brasil. Reconhecido pelo mundo afora, revolucionou a diagramação do Jornal do Brasil nos anos 1950 eliminando as linhas que separavam as colunas, “limpando” a folha e colocando uma tira de classificados na primeira página.

Como ocorre com as ideias transgressoras, trouxe aquela coluna para lugar de maior destaque no jornal. A transformação e a novidade foram tão grandes que seu trabalho virou notícia em literalmente todos os jornais do mundo. Ele continuou sua trajetória de designer gráfico em editora e modificando outros jornais brasileiros, sempre inovando.

Como escultor e pintor comentava que seu objetivo era reduzir as linhas dos desenhos e as esculturas em chapas de aço na mais completa simplicidade possível. Estas últimas têm formas intrigantes apenas com dobraduras e sem solda. Sempre compreendeu que a escultura tem por objetivo ocupar o espaço, por isso, processou grandes estruturas, uma delas vista em frente ao prédio da Assembleia Legislativa em Belo Horizonte.

Sua pintura abstrata assusta o neófito pela simplicidade que somente é alcançada por intermédio de árdua passagem pelo complicado. Por recomendação de Guignard, desenhou muito e no seu apogeu de artista consagrado não usou pincel, mas vassoura e tinta preta com algum preenchimento de vermelho ou amarelo. E que vassoura!

Ele trabalhava deixando um rastro, variando a intensidade da pressão sobre a tela ou sobre o suporte de papel. É um encantamento para poucos olhares. Pintava rápido, com a consciência de que seus anos de trajetória artística lhe garantiam a certeza de que fazia algo para ficar.

* Psicanalista e membro da ABCA e Aica