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Banalidade da violência é exposta na Casa Fiat

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Crédito: Osvaldo Carvalho

Vizinhos conversam, corriqueiramente, sobre balas perdidas encontradas no quintal. Os tiros descem do morro e vão parar no asfalto. Nas paredes, nas portas, nos pontos de ônibus. Os projéteis e suas marcas são encontrados em todo canto. A partir de andanças urbanas, Osvaldo Carvalho, artista que vive na Zona Norte do Rio de Janeiro e foi selecionado no 4º Programa de Seleção da Piccola Galleria, passa a interpretar os cenários que encontra na cidade e desenvolve suas pinturas, em um processo que dá novos significados à paisagem. O resultado desses estudos poderá ser visto a partir de hoje e até 30 de janeiro de 2022, presencialmente ou on-line, na exposição “Balada”, em cartaz na Casa Fiat de Cultura.

Plantas, pichações e outdoors, entre outros elementos cotidianos, compõem 16 pinturas em acrílica. Entre o vidro e a tela, projéteis reais, colecionados por Osvaldo ao longo dos anos, completam as obras. A partir delas, são propostos questionamentos sobre a banalidade dos nossos dias e a nossa relação com o mundo. A mostra será aberta hoje em um bate-papo on-line com o artista. O evento é gratuito, com inscrições pela Sympla.

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A série de pinturas nasce a partir do momento em que as balas perdidas começam a atingir o ateliê do artista. As marcas, sustos e temeridades acabaram se tornando uma banalidade, com a qual Osvaldo se acostumou. “A percepção dessa indiferença provocou em mim algo mais, que só consegui expurgar com as pinturas que fiz”, conta. Nas obras, cenários do cotidiano, como a janela de uma casa, um portão ou mesmo uma caçamba de lixo, ganham um novo olhar, convidando as pessoas a refletirem sobre a cidade e os espaços urbanos, tão carregados de violências e péssimas condições.

As 16 pinturas ganham um elemento adicional ao serem levadas para a galeria: cada quadro é acompanhado da materialidade de um projétil – antes perdido e, agora, encontrado e exibido. “Cada um emula uma pequena vitrine, resguardando joias forjadas a partir de fragmentos de tecnologia de caça e de morte. Estilhaços que desviaram de seu télos, e que irromperam na vida do ateliê, logo sendo redirecionados para a galeria em exposição”, reflete o curador da exposição, Aldones Nino.

Desde 2019, Osvaldo Carvalho materializa suas impressões sobre a cidade em forma de pintura. E, a partir de 2020, com o início da pandemia,a configuração dos espaços mudou – bem como a própria percepção sobre as ruas, agora, sem o burburinho e a movimentação intensa de pessoas. “Comecei a prestar mais atenção na cidade e, até mesmo, nas pessoas que não conseguiram se isolar e seguem vivendo nas ruas”, relembra o artista. “Balada é um legado que questiona o mundo e o tipo de relação que se pode ter com ele. Convido o espectador a pensar comigo sobre como confrontar as imagens com as representações que a precederam, instigando a memória das pessoas a pensar em outras coisas, a partir de pequenos sinais e vestígios encontrados na pintura”, ressalta.

A exposição “Balada” é composta por 16 pinturas acrílicas sobre papel, cada uma com uma bala perdida fazendo parte da composição. Guiado por uma famosa frase de Jean Paul Sartre, “não importa o que a vida fez de você, mas o que você faz com o que a vida fez de você”, Osvaldo Carvalho se inspira em cenários da cidade para criar pinturas, criando novas interpretações para o material que tem em mãos. Antes de iniciar a pintura da tela, ele realiza diversos estudos de cores e composição, em uma busca por potencializar a transmissão de mensagens visuais para o espectador.




Intervenção escrita – Todas as pinturas contam com algum tipo de intervenção escrita, já que, segundo o artista, as palavras possuem uma força potente e contribuem com a criação de novos significados. Osvaldo conta que, apesar de se inspirar em paisagens reais, ele gosta de criar novas leituras e que isso só é possível através da pintura. “O que faço não são retratos de espaços, mas uma reconstrução. Se você está preparado, consegue enxergar esses recortes na paisagem urbana, sempre com um novo olhar para aquilo que já está na cidade há muito tempo”, explica.

Osvaldo Carvalho vive e trabalha no Rio de Janeiro. É mestre em poéticas visuais (ECA-USP). Seu olhar permeia signos do imaginário da cultura de massa, publicidade, objetos e interiores domésticos e uma reflexão sobre a paisagem pública e urbana. O artista questiona estruturas de poder, nas esferas micro e macro-políticas, em inúmeras séries desdobradas em diversas linguagens como a pintura, desenho, escultura, fotografia e vídeo, refletindo sobre debates acerca de tensões políticas e territoriais no Brasil e no mundo, catástrofes naturais e hecatombes provocadas pela humanidade.

A exposição poderá ser visitada presencialmente, na Piccola Galleria, de terça a domingo. Para escolas, universidades e grupos interessados em mediação exclusiva, o Programa Educativo está promovendo visitas em horários agendados. Os interessados devem enviar  e-mail para agendamento@fcagroup.com e conferir a disponibilidade.

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