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Casa Salles, hoje especializada no setor de armas, já foi um mercado | Crédito: Arquivo Casa Salles

Sandra Carvalho

Uma cidade se constrói também com empresas. E muitos estabelecimentos fizeram parte da história de Belo Horizonte, que completa 123 anos neste sábado (12). Algumas marcas nasceram antes mesmo da inauguração da cidade, no antigo Curral del Rey, como por exemplo, a Casa Salles.

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Outras estão aqui há mais de meio século e se desenvolveram junto com o município. É o caso do Mercado Central. E tem aquelas que estão bastante presente na história pós-moderna e no cotidiano do belo-horizontino, como o laboratório Hermes Pardini e o famoso restaurante Bolão.

Tem empresa que é considerada até mesmo a “mãe oficial do comércio de Belo Horizonte” pelos varejistas. “A partir da Casa Sales é que a história dos comércios registrados passou a ser contada por aqui. Existiam umas vendinhas, bares, pontos de troca, mas todos informais. Nós somos a primeira empresa formalizada da Capital”, contou, com orgulho, Guilherme Salles, proprietário do estabelecimento especializado em vendas de armas, munições e cutelaria. A loja ostenta na fachada da rua dos Caetés os dizeres: “Fundada em 1881”.

Mas a fundação se deu em Ouro Preto, na região Central.  Foi em 1904 que João de Salles Pereira veio tentar a vida em Belo Horizonte e trouxe o estabelecimento. Assim como a cidade, a empresa passou por muitas transformações. “Vendíamos inicialmente secos e molhados, numa época em que Belo Horizonte estava sendo construída. Nosso público eram funcionários públicos que participaram da elaboração e construção de BH. Depois, com o tempo, a Casa Salles passou a vender armas e munição. As pessoas não tinham finalidade de violência ou a prática esportiva de tiros. Aqui não tinha criminalidade. Compravam armas para caçar, sacrificar animais, finalidades mais simples”, rememorou Guilherme, conforme as histórias contadas na família.

Mas, na década de 1940, a nova vocação voltada para armamento e munição se consolidou e persiste até os dias atuais. Hoje, a empresa está novamente se reinventando. Essa adequação à demanda é um fator que explica a longevidade do negócio, segundo Guilherme. “Temos um sonho de voltar às origens, incluir a venda de secos e molhados, e ser um ponto cultural, histórico e turístico de BH”, finalizou o comerciante, que defende a revitalização do Centro da cidade.

Mercado Central Se a Casa Salles é a mãe, porque não dizer que o comércio de Belo Horizonte, principalmente o dos feirantes, também tem um pai?  É o Mercado Central. Criado em 1929, um dos principais pontos turísticos e comerciais da Capital surgiu quando Belo Horizonte tinha apenas 30 anos. Nasceu com a decisão do então prefeito Cristiano Machado de juntar todas as feiras ambulantes da região da praça da Estação e da rodoviária com um objetivo de organizar o setor em um único local.

E como deu certo! Hoje, com 400 lojas, o Mercado é referência na venda de muitos artigos. Tem coisas que o consumidor só encontra lá. Para o superintendente do centro de compras, Luiz Carlos Braga, há uma simbiose entre o Mercado Central e a cidade.

“É o maior ponto de encontro dos mineiros, da gastronomia mineira. Tenho certeza de que BH e o cidadão belo-horizontino se orgulham desse espaço assim como o Mercado Central se orgulha de Belo Horizonte”, destacou.

Hermes Pardini – Assim como o Mercado Central, também antigo em Belo Horizonte é o laboratório Hermes Pardini, que está por aqui há mais de 60 anos e cresceu junto com o município. “O Pardini nasceu em Belo Horizonte. Aqui a gente se desenvolveu, cresceu e a partir de Belo Horizonte ganhamos o Brasil todo. BH significa pra gente acolhimento, carinho, cuidado e é o que a gente vem tentando fazer para a Capital esse tempo todo: retribuir esse carinho e esse cuidado que BH teve com o Pardini. Muita gratidão pela cidade, pelas pessoas, pela cultura, por tudo que Belo Horizonte representa ao grupo e representa no Brasil”, afirmou o vice-presidente, Alessandro Ferreira. Hoje, o laboratório conta com 124 unidades especializadas em medicina diagnóstica e preventiva, sendo 76 em Minas.

Drogaria Araujo e BH: amigos de infância

Drogaria Araujo já passou por duas pandemias e duas guerras | Crédito: Arquivo Drogaria Araujo

Quase tão antiga quanto a Casa Salles é a Drogaria Araujo, que hoje tem lojas em todos os cantos da cidade.  “A trajetória começou em 1906, com a chegada do meu avô Modesto Carvalho de Araujo, na recém-fundada Belo Horizonte. De lá para cá, passamos por duas pandemias, duas guerras mundiais e diversos planos  econômicos. Com quase 115 anos de atuação, podemos dizer que somos amiga de infância de BH”, disse Modesto Araujo Neto, presidente da Drogaria Araujo.

Hoje, a rede, considerada a maior de Minas Gerais no setor, tem mais de 200 lojas na Grande Belo Horizonte e no interior do Estado. Marcou a história de Belo Horizonte sendo pioneira na modalidade tele-entrega.

“Num ano que tanto nos ensinou e que Minas comemora 300 anos e BH 123 anos, vamos presentear os mineiros e reconhecer os nossos colaboradores que estiveram na linha de frente, com um encontro inédito neste domingo (13), às 11h. Realizaremos uma live com a participação de César Menotti &Fabiano, Jota Quest e Léo Paixão”.

Araujo finalizou enfatizando a parceria com a capital dos mineiros. “É a casa que escolhemos para iniciar a nossa trajetória e queremos celebrar essa antiga amizade. Todos são muitos bem-vindos para comemorar com a gente essas grandes datas”. 

Palco das madrugadas, restaurante Bolão resiste

Restaurante Bolão, em Santa Tereza, na década de 1960 | Crédito: Arquivo Restaurante Bolão

Mais jovenzinho, porém também gigante na história da capital mineira, é o restaurante Bolão, no bairro Santa Tereza, região Leste de Belo Horizonte.  Inaugurado em 1961 por José da Rocha Andrade e a esposa Maria dos Passos Andrade, o local ficou famoso no fim das noites de BH. “Clientes saíam das noitadas e passavam aqui pra comer o famoso ‘rochedão’, o espaguete e o mexido”, relembrou orgulhosa Karla Rocha, neta de José e Maria e a atual proprietária.

A receita do espaguete servido no local – um segredo de família – foi criada pelo tio de Karla, conhecido como Bolão e que deu nome ao restaurante que já foi um dos mais badalados da noite belo-horizontina. Pelo Bolão, passaram muitos famosos, entre eles os integrantes dos grupos Skank e Sepultura, que, segundo Karla, ainda frequentam o local.

Ano que vem, o estabelecimento completará 60 anos, em meio às incertezas que surgiram com a pandemia de Covid-19 neste ano. “Tenho fé de que vamos conseguir sair dessa, porque BH é uma cidade receptiva. Tudo vai passar. O que temos a nosso favor é que os belo-horizontinos gostam de sentar, conversar e se encantar. Não temos mar, mas temos bar. Tudo vai ficar bem”, finalizou Karla.

Capital planejada nos mínimos detalhes

Calmaria no Centro de Belo Horizonte na década de 1970 | Crédito: Arquivo Nacional

A história de Belo Horizonte é marcada por planejamento e decisões políticas. Segundo informações divulgadas pela prefeitura da Capital, com a Proclamação da República, em 1889, e a descentralização federal, as capitais tiveram maior relevo e ganhou vigor a ideia de mudança da sede do governo mineiro. A antiga Ouro Preto era limitada pela topografia. O governador Augusto de Lima encaminhou a questão ao Congresso Mineiro, que, reunido em Barbacena, em sessão de 17 de dezembro de 1893, indicou a disposição de que a mudança da capital ocorresse para local que reunisse as condições ideais.

Cinco localidades foram sugeridas: Juiz de Fora, Barbacena, Paraúna, Várzea do Marçal e Belo Horizonte. A comissão técnica, chefiada pelo engenheiro Aarão Reis, julgou em igualdade de condições Belo Horizonte e Várzea do Marçal, decidindo-se ao final pela última localidade. Voltou o Congresso a se pronunciar, e depois de novos e extensivos debates, instituiu-se que a capital fosse construída nas terras do arraial de Belo Horizonte.

O local escolhido oferecia as citadas condições ideais: estava no centro da unidade federativa, a 100 km de Ouro Preto, o que muito facilitava a mudança; acessível por todos os lados, ainda que circundado de montanhas; rico em cursos d’água; possuidor de um clima ameno, numa altitude de 800 metros. A área destinada à nova capital parecia um grande anfiteatro entre as Serras do Curral e de Contagem, contando com excelentes condições climatológicas, protegida dos ventos frios e úmidos do sul e dos ventos quentes do norte, e arejada pelas correntes amenas do oriente que vinham da serra da Piedade ou das brisas férteis do oeste que vinham do vale do Rio Paraopeba.

Em 1893, o arraial foi elevado à categoria de município e capital de Minas Gerais, sob a denominação de Cidade de Minas. Em 1894, foi desmembrado do município de Sabará. No mesmo ano, os trabalhos de construção foram iniciados pela Comissão Construtora da Nova Capital, chefiada por Aarão Reis, com o prazo de cinco anos para o término dos trabalhos. Em maio de 1895, Aarão Reis foi substituído pelo engenheiro Francisco de Paula Bicalho.

Ao 12 de dezembro de 1897, em ato público solene, o então presidente de Minas, Crispim Jacques Bias Fortes, inaugurou a nova capital. Em 1901, a Cidade de Minas teve seu nome modificado para o atual, em virtude da dualidade de nomes, já que o distrito e a comarca se chamavam Belo Horizonte.

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