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Crédito: REUTERS/Bruno Kelly

Brasília – O Brasil se manteve praticamente estagnado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) compilado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2018, perdendo uma posição no ranking e passando a ocupar o 79º lugar entre os 189 países pesquisados, informou ontem o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

O IDH do Brasil foi de 0,761 em 2018 ante 0,760 em 2017, quando o País ficou em 78º lugar, de acordo com uma revisão dos dados do ano passado. O ranking foi novamente liderado pela Noruega, considerado o país de maior desenvolvimento humano do mundo, com IDH de 0,954 — a avaliação vai de 0,0 a 1,0.

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Com o 79º lugar, o Brasil é classificado entre os países de alto desenvolvimento humano — aqueles que estão entre o 63º e o 116º lugares no ranking.

Entre os sul-americanos, o Chile é o melhor colocado na lista, em 42º lugar, com IDH de 0,847, à frente da Argentina (48º lugar, com IDH de 0,830) e do Uruguai (57º, com IDH de 0,808). Esses três países ficaram entre aqueles classificados como tendo muito alto desenvolvimento humano.

Atrás da Noruega na liderança do ranking aparecem outros três países europeus –Suíça, Irlanda e Alemanha–, enquanto as quatro últimas posições da lista são ocupadas por países africanos: Sudão do Sul (186), Chade (187), República Centro-Africana (188) e Níger (189).

“O que é importante é notar o crescimento no IDH. O índice é relativo e sofre alterações também dos outros países, que podem subir ou descer. O que é importante é notar a evolução. A nota que dou é positiva. O Brasil continua a fazer progresso, apesar de a economia ter sido pior que o esperado. O crescimento do Brasil é sólido, positivo e sustentado”, afirmou o diretor de Desenvolvimento Humano da ONU, Pedro Conceição.




O estudo deste ano apresenta algumas novidades. Entre elas, mudanças na metodologia de avaliação da qualidade de vida dos cidadãos dos 189 países analisados. “O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) está apresentando novas ideias para (medir) o desenvolvimento. Isso significa romper paradigmas. Queremos mudar a visão do progresso e do desenvolvimento pela ótica da renda, pela ótica das médias, e que é possível esperar até o último momento para tomar decisões. O desenvolvimento é multidimensional, e as médias podem esconder desigualdades. Isso atravanca o progresso”, explicou a coordenadora do relatório, Betina Ferraz Barbosa.

Desafios – Considerado um país de Alto Desenvolvimento Humano, o Brasil tem tido sucesso na melhora da expectativa de vida e no aumento da renda média per capita ao ano. O aumento do IDH tem sido constante nas últimas três décadas. De 1990 a 2018, o País cresceu 24%, número superior à média latina (de 21%) e à média global (de 22%). A expectativa de vida de um brasileiro ao nascer foi aumentada em 9,4 anos. Nesse mesmo período, a renda média da população cresceu 39,5%.

Mas nem todas as novidades do relatório são positivas. Segundo o Pnud, o acesso a estruturas de ciência, tecnologia e à inovação são novos focos de desigualdade social. A desigualdade de gênero também representa um obstáculo para as políticas públicas. O relatório cita ainda mudanças climáticas como possíveis causas de desigualdades sociais. “A primeira mensagem-chave deste relatório é que ele fala sobre desigualdades emergentes e aspirações de pessoas que esperam viver vidas dignas no século 21. Isso se reflete no que estamos chamando de ‘nova geração de desigualdades’. O relatório revela o progresso que houve em muitas dimensões, principalmente nas conquistas básicas (de direitos). Temos que fazer uma busca profunda sobre a nossa economia, nossa sociedade, e nas nossas políticas para descobrirmos as origens dessas novas desigualdades”, revelou o economista português Pedro Conceição.

O Brasil está distante da categoria de países que tem o IDH exemplar. Eles são considerados países de Desenvolvimento Humano Muito Alto, de acordo com o caderno. O Brasil é citado no estudo como o país que mais perde posições no ranking, atrás apenas de Camarões. A Venezuela, que passa por profunda crise política e econômica, aparece em 96º. (Reuters/ABr)

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