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Com o objetivo de se tornar um vetor para a cultura mineira e ser um ponto de referência artística em Belo Horizonte, a Casa Polifônica – Galeria de Arte e Espaço Cultural abre suas portas de forma virtual neste sábado (11), às 18 horas, com a mostra “Durante a exposição a galeria estará fechada”.

Em virtude da pandemia, e de todas as mazelas que a envolve, a inauguração do espaço será realizado de maneira virtual.

“Para impulsionar a cultura e a arte neste período sombrio, a galeria vinculará toda sua programação no ambiente on-line até que este momento seja superado. A intenção é fomentar o trabalho de artistas, produtores culturais e movimentar de alguma maneira a economia criativa durante este difícil momento que o mundo atravessa e que atinge de forma estrutural a classe artística e cultural”, pontua Marcus Vinicius Borges, idealizador da Casa Polifônica.

A mostra “Durante a exposição a galeria estará fechada” traz em seu corpo algumas mudanças em curso resultantes da pandemia do Covid-19 e coloca em evidência as discussões sobre os modos de se fazer/pensar a relação entre arte e público e o espaço expositivo.

A mostra é inspirada no trabalho de Robert Barry, que em 1969 montou três mostras ao redor do mundo com o título ‘During the exhibition the gallery is closed’, colocando em discussão a materialidade e a fisicalidade da arte. A primeira exposição da Casa Polifônica tem curadoria assinada pelo artista visual Froiid, conhecido por trabalhos que relacionam arte e cidade.

A mostra coletiva contará com trabalhos de Clarice Panadés, Bruno Rocha, Monique Camelo e Francisco Pereira. Ao todo serão exibidas 37 obras.

Bruno Rocha trabalha com fotografias que retratam espaços públicos vazios, com a captura da cidade esvaziada de pessoas. Já Clarice Panadés investe nos processos gestuais do corpo para dar forma aos desenhos. A artista trabalha com a profusão de sentidos em um processo definido pela experimentação de traços sobre papel.

Francisco Pereira cria a partir de diversas técnicas do registro fotográfico e traz para a mostra uma instalação que busca na interação com o público sua significação. A artista Monique Camelo parte de sua pesquisa relacionada às doenças tropicais para colocar em evidência a relação entre o mosquito da dengue e a colonização. Monique trabalha com o desenho utilizando tecidos de diversas cores para dar vazão à criação. A obra da artista dialoga com o tropicalismo e nomes como o de Hélio Oiticica.

De acordo com o curador da mostra, a exposição será veiculada em ambiente on-line, mas não será uma exposição virtual.

“As obras estão dispostas dentro da galeria, existe um viés conceitual por trás da curadoria e dos trabalhos presentes na exibição. A mostra existe fisicamente, mas será exibida virtualmente para discutir a materialidade da arte e as questões que envolvem a recepção desta fora dos lugares usuais de apreciação. É uma releitura de uma obra do artista conceitual Robert Barry e que se encaixa neste período de isolamento social advindo da pandemia do Covid-19”, explica Froiid.

Para o artista visual, a escolha dos artistas também está ligada à concepção polifônica do espaço. “A exposição conta com quatro artistas e cada um deles traz linguagens e possibilidades de experimentação diferentes para a mostra. Mas ao mesmo tempo todos os trabalhos dialogam com o momento atual. São artistas que trabalham com registros corporais, com temáticas relacionadas à dengue, colonização, artistas que tem uma relação com espaço urbano”, afirma o curador.

Referência cultural – A Casa Polifônica vai agregar as mais diversas manifestações artísticas, incorporando à sua programação exposições, eventos literários, debates sobre cultura e arte, exibição de videoarte e filmes.

O espaço vai abrigar performances artísticas, oficinas, e espetáculos dos mais variados. Para o jornalista, músico, escritor e realizador do espaço Marcus Vinicius Borges, o local nasce para se tornar uma referência cultural na capital mineira.

Com a fachada tombada pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), a charmosa casa que abriga o espaço está localizada na avenida Assis Chateaubriand, número 548, num dos ambientes mais emblemáticos da capital mineira, fazendo a ponte entre a Floresta, através do viaduto Santa Tereza, e a rua da Bahia, que liga a região Centro-Sul à Zona Leste do município.

Os atrativos turísticos e culturais que circundam o local, como a Praça da Estação, o Museu de Artes e Ofícios e o Centro de Referência da Juventude, assim como o fluxo de pessoas que circulam pela região, dão ainda mais destaque ao empreendimento.

Além de um jardim para bate-papos e eventos literários, a “Casa Polifônica – Galeria de Arte e Espaço Cultural” possui quatro salas para galerias de arte, exibição de videoarte, filmes e outras manifestações artísticas.