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Inteiramente gravado nas dependências do Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, e tendo como personagem central um juiz de direito, o premiado filme brasileiro “Foro Íntimo” será exibido hoje, às 20 horas, inaugurando um novo formato do projeto Cineclube TJ: a exibição será pelo canal oficial do TJMG no YouTube. Após a exibição, o diretor Ricardo Mehedff participará de uma conversa com os espectadores, em um chat aberto.

“A fim de garantir a segurança de seus frequentadores, o Cineclube TJ se adequou aos novos tempos de isolamento social e foi criado o Cineclube TJ em casa, que exibirá filmes nacionais da melhor qualidade, mantendo o formato interativo”, observa o desembargador Matheus Chaves Jardim, coordenador do projeto.

Inspirado em fatos reais, “Foro Íntimo” retrata a vida de um juiz criminal responsável pelo julgamento de traficantes. Ameaçado de morte e sob forte esquema de segurança, ele é forçado a viver longe de sua família, dentro do fórum onde trabalha. O personagem central do filme é um juiz criminal que, ameaçado de morte, é forçado a viver longe de sua família, dentro do fórum onde trabalha

Rodada em preto e branco, em 2015, durante os 16 dias de recesso do Fórum Lafayette, a história foi construída a partir de notícias de jornal sobre juízes vivendo sob proteção policial, algumas vezes confinados em seus gabinetes, dia e noite, para diminuir os riscos de serem alvos de atentados durante seus deslocamentos.

Sistema acuado – Ao longo da pesquisa que conduziu para a elaboração do roteiro, Mehedff realizou entrevistas com magistrados de vários estados brasileiros, a fim de construir um “juiz fictício” para o filme. Nesse processo, ele afirma que lhe chamou a atenção a perspectiva de um sistema judiciário acuado pelo crime, com juízes vivendo separados desse mundo por uma tênue linha.

No filme, o personagem central, o juiz Dr. Teixeira, interpretado pelo ator Gustavo Werneck, vive uma rotina inquietante em seu gabinete, transformado em casa, de maneira improvisada. Cercado por agentes de polícia 24 horas por dia, o magistrado começa a vivenciar situações de ansiedade, claustrofobia e paranoia, e passa-se a sentir um prisioneiro.

O Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, é um dos protagonistas do filme, que foi 100% gravado dentro de suas dependências. “O fato de o filme ter sido 100% rodado dentro do Fórum Lafayette, um fórum de verdade, foi determinante para a realização dele e para que ficasse como ficou. Isso trouxe uma verdade absurda ao filme, que eu nunca conseguiria se eu o tivesse rodado em um estúdio”, declara o diretor.

Por isso, Mehedff se diz muito grato à diretoria do foro da Comarca de Belo Horizonte à época, por ter aberto as portas para a equipe do filme. “Frequentamos o Fórum Lafayette por meses, antes de iniciar as filmagens, e conversamos com muitos juízes e advogados. Algumas imagens foram gravadas com o espaço em seu movimento real, do dia a dia; depois, conseguimos encaixar essas tomadas dentro da edição da história que estávamos contando”, explica.

Esses trechos, conta o diretor, mostram as varas em funcionamento e presos sendo levados para audiências, entre outras situações. “Digo, hoje, que o filme tem dois protagonistas: o juiz, interpretado pelo grande Gustavo Werneck, e o próprio Fórum Lafayette, que virou um personagem do filme, com suas linhas arquitetônicas, seus corredores gigantes e seu astral”, avalia. (As informações são do TJMG)