Crédito: Acervo Pessoal

Tecnologia, teletrabalho, tempo livre, ecologia, Covid-19, demografia, cultura e papel da mulher na vida contemporânea. Em momento de definições tão cruciais aos cidadãos do planeta, eis o vasto leque de temáticas analisadas, em evento especial, por um dos mais importantes pensadores da atualidade. Hoje, às  9 horas, a Casa Fiat de Cultura, o Consulado da Itália em Belo Horizonte e os institutos italianos de Cultura de São Paulo e do Rio de Janeiro promovem uma conversa sobre “A evolução da sociedade na próxima década”, com o sociólogo, professor e escritor Domenico De Masi.

Transmitido no YouTube da Casa Fiat de Cultura, o bate-papo integra a programação da “14ª Primavera dos Museus”. Em conversa com a jornalista Daniella Zupo, o pensador italiano – autor do clássico O ócio criativo, dentre outros tantos livros – abordará os novos caminhos e desafios das sociedades, que, a seu ver, chegarão transformadas ao ano de 2030. O bate-papo foi gravado, mas hoje, Domenico De Masi entrará ao vivo, direto da Itália, para responder às perguntas do público.

Ao analisar os efeitos da pandemia da Covid-19 sobre o cotidiano de homens e mulheres, em todo o planeta, De Masi comenta que, sob diversas perspectivas, o vírus pode ser considerado um “grande seminário”, que obrigou todos a meditar sobre várias questões. “Falo de um grande seminário residencial e mundial, que nos fez pensar nos limites do desenvolvimento, e, especialmente, na importância daqueles a quem chamamos de grupos primários: a família, os amigos, a empresa, os colegas”, destaca, ao lembrar, ainda, que a situação inusitada redefiniu a relação entre tempo e espaço, com aplicação do trabalho e da didática a distância: “Antes, podíamos nos deslocar completamente, de avião ou carro, mas não tínhamos tempo, pois havia muitos compromissos a nos impedir de refletir e repensar”, ressalta.

Recado da natureza – Além disso, o pensador alerta que o novo coronavírus se apresenta como uma “tentativa extrema” de a natureza lembrar e ensinar às pessoas que elas são seres mortais, e que o homo sapiens não é tão sábio quanto pensa. “A saúde vem antes da democracia; e a democracia, antes da economia. Os recursos do planeta têm limite, e nós, ao invés de lutarmos uns contra os outros, faríamos bem em nos unir contra três inimigos comuns: os vírus, o aquecimento global e as desigualdades. Quanto à economia, a Covid-19 nos ensinou a importância da intervenção pública e a prioridade do necessário sobre o supérfluo”, avalia.

Domenico De Masi é professor emérito de Sociologia do Trabalho na Universidade “La Sapienza”, de Roma, onde foi reitor da Faculdade de Ciências da Comunicação. Ele é membro do comitê de ética da Fundação Veronesi. Fundou e dirigiu a S3.Studium, empresa de pesquisa e estudo em ciência organizacional, a SIT – Società italiana telelavoro e a revista NEXT – Ferramentas para inovação. Gerente e professor do Centro Iri para o Estudo das Funções de Gestão Corporativa (IFAP), foi presidente do In / Arch (Instituto Italiano de Arquitetura) e da AIF (Associação Italiana de Formadores).

De Masi é autor de vários ensaios sobre sociologia urbana, desenvolvimento, trabalho, organização e macrossistemas, como “Emoção e regra – Os grupos criativos na Europa entre 1850 e 1950” (Laterza e Rizzoli); “Fantasia e concretude – Criatividade individual e em grupo” (Rizzoli); “Mappa Mundi – Modelos de vida para uma sociedade sem orientação” (Rizzoli); “TAG – Palavras ao longo do tempo” (Rizzoli); Uma simples revolução (Rizzoli); “O trabalho no século 21” (Einaudi); “A era da peregrinação – Turismo da próxima década” (Marsilio); “O mundo ainda é jovem’ (Rizzoli); “Roma 2030 – O destino da capital em um futuro próximo” (Einaudi); e “O estado necessário – Trabalho e emprego público na Itália pós-industria” (Rizzoli).