Crédito: REUTERS/Rebecca Cook

Genebra – Os Estados Unidos têm potencial para se tornarem o novo epicentro da pandemia de coronavírus devido a uma “aceleração muito grande” de infecções no país, disse ontem a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O vírus respiratório altamente contagioso já infectou mais de 42 mil pessoas nos EUA, levando mais governadores a seguirem o exemplo de estados que estão ordenando que os cidadãos fiquem em casa.

Nas últimas 24 horas, 85% dos casos novos de todo o mundo surgiram na Europa e nos EUA, disse a porta-voz da OMS, Margaret Harris, aos repórteres. Destes, 40% foram dos EUA.

Indagada se a nação poderia se tornar o novo epicentro, ela respondeu: “Agora estamos vendo uma aceleração muito grande de casos nos EUA. Então de fato têm este potencial. Não podemos dizer que é o caso, mas de fato têm este potencial”. “Eles (EUA) têm um surto muito grande, e um surto que está aumentando em intensidade», acrescentou Margaret Harris.

Mas ela identificou alguns sinais positivos, como exames mais abrangentes e esforços adicionais para isolar os doentes e rastrear seus contatos imediatos expostos ao vírus.
Ela também se referiu às histórias “extremamente comoventes” de como os norte-americanos estão ajudando uns aos outros durante a crise.

No geral, o surto global está acelerando muito rapidamente, e ela acredita em grandes aumentos no número de casos e mortes em comparação aos 334.981 casos e às 14.652 mortes já relatadas à OMS até agora.

O site da OMS, que tende a mostrar contagens defasadas dos países, mostrou que a última segunda-feira teve, de longe, o maior aumento diário de infecções desde que o surto começou, em dezembro, com mais de 40 mil casos novos.
Harris disse que os novos recordes são de se esperar todos os dias até que novas medidas de confinamento comecem a entrar em vigor.

Europa – Até o momento, a Europa é o centro da transmissão, e a Itália o país mais duramente atingido, já que tem o maior número de mortes do mundo – mas as mortes no país começaram a diminuir.

Indagada sobre um possível ponto de inflexão na Itália, ela disse: “Existe um vislumbre de esperança lá. Nos últimos dois dias, vimos menos casos novos e mortes na Itália, mas ainda é muito, muito cedo”.

Ela também demonstrou preocupação com o número crescente de casos em países com sistemas de saúde frágeis e alta prevalência de HIV.
A quantidade de casos confirmados de coronavírus na África do Sul subiu ontem para 554, antes de uma interdição nacional de 21 dias que entra em vigor à meia-noite de quinta-feira.

Interdições sociais – Um estudo de Singapura mostrou que adotar múltiplas interdições sociais – incluindo o fechamento de escolas – terá o maior impacto na contenção da Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

Colocar pessoas infectadas e seus familiares em quarentena, fechar escolas e impor distanciamento em ambientes de trabalho e no teletrabalho podem limitar a disseminação, revelou o estudo, mas uma combinação de todos os três é o mais eficaz para diminuir os casos.

O número global de casos confirmados ultrapassou 377 mil em 194 países e territórios ontem, de acordo com uma contagem da Reuters, e mais de 16.500 mortes já foram relatadas.

Singapura, que de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) comunicou 455 casos confirmados de Covid-19 e duas mortes até 22 de março, impôs algumas recomendações de distanciamento social, mas não fechou as escolas.

Milhões de crianças estão sem aulas nos Estados Unidos, em grande parte da Europa e em muitos outros países, cujos governos impuseram medidas rígidas de interdição para impedir que as pessoas se encontrem e se reúnam em grupos.

O estudo, feito por pesquisadores da Universidade Nacional de Singapura (NUS) e publicado no periódico Lancet Infectious Diseases, analisou um quadro simulado de Singapura para estudar o impacto potencial de políticas de distanciamento social.

O estudo revelou que, embora menos eficientes que a abordagem tripla, quarentenas e medidas nos ambientes de trabalho são a segunda melhor opção para reduzir os casos de Covid-19, seguidas de quarentenas e fechamento de escolas e somente de quarentenas.

“Os resultados desse estudo dão indícios para os formuladores de políticas de Singapura e outros países começarem a implantação de medidas de controle do surto, que poderiam mitigar ou reduzir os índices de transmissão local se aplicadas efetivamente e de maneira oportuna”, disse Alex R Cook, professor associado da NUS e coautor do trabalho. (Reuters)