Crédito: REUTERS / Alessandro Garofalo

O lendário compositor, arranjador e maestro italiano Ennio Morricone é o grande homenageado da Fundação Clóvis Salgado (FCS), por meio da Orquestra Sinfônica e do Coral Lírico de Minas Gerais, no projeto “Palácio em Sua Companhia”.

Falecido no último dia 6, aos 91 anos, Morricone ganha uma versão parodiada da emblemática canção principal do longa “Três Homens em Conflito” (The Good, the Bad and the Ugly), faroeste épico dirigido por Sergio Leone em 1966.

O vídeo, inédito e marcante, apresenta os cantores e instrumentistas também no papel de atores, interpretando personagens do velho oeste americano, que lembram caubóis, pistoleiros ou xerifes e seus principais símbolos como chapéus, xales e blusas xadrezes e até charutos para compor a encenação.

A nova produção possui direção musical do regente titular da OSMG, Silvio Viegas, e da regente associada do CLMG, Lara Tanaka, com orquestração do maestro Matheus Araújo, adaptação do arranjo pelo regente assistente da OSMG, André Brant, e solo da soprano Melina Peixoto. O vídeo estará disponível para o público a partir de hoje, nas redes sociais da FCS.

Segundo Silvio Viegas, a homenagem para Ennio Morricone evidencia a importância não só do compositor, mas das trilhas sonoras que marcaram época e muito contribuíram para a manutenção da música sinfônica. “Se pensarmos nos séculos XX e XXI, grandes compositores são associados ao cinema. John Williams, Bernard Herrmann e Ennio Morricone são gênios da música que adicionaram muita força a este estilo musical”, destaca o maestro.

“As trilhas de cinema foram ganhando os concertos nos últimos anos. Morricone foi um dos principais artistas que trabalhou para manter a música de concerto viva: suas composições possuem caráter, verdade, força e muita identidade. É um compositor que ecoará para sempre na história da música”, analisa Viegas.

O tema principal de “Três Homens em Conflito” possui uma trilha típica dos filmes de faroeste, contendo elementos sonoros como os assovios e o “Iodelei”, forma de canto que utiliza a variação rápida das sílabas fonéticas. Mesmo com o desafio de interpretar novas sonoridades, Viegas ressalta a paixão e empenho de todos os envolvidos no trabalho.

“Os instrumentistas e coralistas são apaixonados pela obra de Morricone! Apesar do trabalho em encontrar a peça que caberia em uma união da orquestra e do coral, felizmente nos deparamos, em pesquisas no arquivo da OSMG, com a partitura do tema de Três homens em conflito feita pelo maestro Mateus Araújo, e a utilizamos como base para a produção”, explica Viegas.

Segundo o maestro Matheus Araújo, o arranjo foi escrito buscando o essencial desta trilha sonora. “Optei por uma combinação de força e simplicidade, que Morricone conseguiu sintetizar da forma mais evocativa e direta. Para este vídeo, tentei capturar a sonoridade original. Selecionamos o verdadeiro ‘ouro sonoro’ que o compositor nos oferece, um tesouro de acordes e melodias que deixa a produção mais rica”, ressalta Araújo.

A orquestração de Matheus Araújo não contemplava o CLMG, e o responsável por essa adaptação foi o regente assistente da OSMG, maestro André Brant. Segundo Brant, “a partir do arranjo já construído, houve uma inclusão da parte de coro para casar com o que já estava pronto. Em tempo recorde, cerca de dois dias, construímos esse arranjo, com a parceria de todos, em um processo de escuta das composições feitas pelo próprio Morricone”, destaca.

Caracterização – Além da interpretação musical, a produção reserva um traço muito especial: a caracterização dos participantes, que de forma criativa e divertida, emergiram no universo do faroeste norte-americano. Os instrumentistas e cantores recriaram, utilizando objetos pessoais, os arquétipos mais comuns deste gênero fílmico, como os pistoleiros, bandoleiros e xerifes. Além disso, utilizaram o cenário de casa como base para recriar as cidades western e os tão característicos saloons.

Segundo a regente associada do CLMG, maestrina Lara Tanaka, o engajamento dos participantes foi essencial para o resultado do vídeo. “Percebemos o empenho dos coralistas e dos instrumentistas na produção e confecção dos figurinos. Eles estão ficando cada vez mais integrados e familiarizados com o processo de produção em formato remoto”, observa Tanaka, atribuindo muito valor à versatilidade de ambos os corpos artísticos.

A soprano Melina Peixoto, integrante do CLMG, faz um dos elementos essenciais para o vídeo: o assovio. Além de se dedicar a esse solo tão especial, a cantora optou por adaptar o cenário, que remete a uma floresta típica do gênero cinematográfico western. “Para essa produção, preparei e ensaiei meu solo com muito cuidado. É um trabalho minucioso, feito em construção com o coral, a orquestra, e os responsáveis pela edição”, afirma a soprano.