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Filarmônica apresenta obras de Mozart e Beethoven

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Crédito: Alexandre Rezende

Dois exemplos máximos do classicismo sinfônico serão apresentados pela Filarmônica de Minas Gerais, hoje, às 20h30, na Sala Minas Gerais. De Mozart, sua última sinfonia, a “Sinfonia nº 41 em Dó maior, K. 551, “Júpiter”. De Beethoven, a exuberante “Sétima Sinfonia”, cujo impulso rítmico obstinado levou Wagner a descrevê-la como a “apoteose da dança”. A regência é do maestro Fabio Mechetti, diretor artístico e regente titular da Filarmônica de Minas Gerais.

Por enquanto, a autorização para a retomada das atividades da orquestra não prevê a presença de público na Sala Minas Gerais. O concerto terá transmissão ao vivo aberta a todo o público pelo canal da Filarmônica no YouTube.

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Durante a apresentação, haverá um intervalo de 20 minutos, quando serão realizados os “Concertos Comentados”, palestras em que especialistas comentam o repertório da noite. A curadoria do projeto é de Werner Silveira, e a convidada é a professora da Escola de Música da UFMG, doutora em educação musical pela Universidade de Londres, Heloísa Feichas.

Geralmente, uma sinfonia leva meses para ser composta. Mozart, entretanto, durante o verão de 1788, compôs três sinfonias em menos de dois meses: a “Sinfonia nº 39 (K. 543)” foi completada no dia 26 de junho; a “Sinfonia nº 40 (K. 550)”, em 25 de julho; e a “Sinfonia nº 41, “Júpiter” (K. 551)”, em 10 de agosto.

Ao que tudo indica, as três não foram encomendadas por ninguém, mas Mozart raramente compunha sem um propósito. Em vista das dificuldades financeiras que passava na época, talvez ele estivesse planejando vendê-las a um editor ou executá-las em algum concerto em Viena. Ou, quem sabe, planejava uma turnê a Londres, como mais tarde fizera Haydn? Desde o início do século XVIII, vários compositores alemães encontraram sucesso artístico e financeiro em Londres.

E, quando convidado a se apresentar em uma grande cidade, era comum o compositor levar consigo um conjunto de novas obras (o que ajudaria a explicar o inusitado conjunto de três sinfonias). Se essas eram suas intenções, ele não viveu para concretizá-las: Mozart faleceu em 5 de dezembro de 1791, antes que a possível turnê a Londres fosse realizada.

Suas últimas sinfonias foram editadas apenas na virada do século e não se tem registro algum de que as três tenham sido executadas enquanto ele era vivo. “Júpiter”, o subtítulo de sua mais grandiosa sinfonia, daquela que abriria definitivamente as portas para o romantismo musical do século seguinte, não se originou da pena de Mozart. Ironicamente, parece ter sido criado em Londres, pelo empresário Johann Peter Salomon, que levou Haydn à capital inglesa no ano de 1791 e que desejava levar Mozart no ano seguinte.

No dia 8 de dezembro de 1813, Beethoven realizou na Universidade de Viena a primeira audição da “Sétima Sinfonia”. A pedido do público, o segundo movimento foi repetido como bis. O sucesso teve um significado especial para o compositor, pois, ao eleger o ritmo como elemento dominante da sinfonia, ele o idealizou como fator socializante, capaz de moldar os sentimentos coletivos (coincidentemente, a estreia ocorreu por ocasião de um concerto beneficente para os inválidos das guerras napoleônicas)

 Sob o aspecto da predominância do elemento rítmico, a “Sétima” se assemelha à “Quinta”. Entretanto, há entre elas uma diferença estrutural. Na Sinfonia nº 5, a força e a unidade advêm da recorrência da mesma célula rítmica em todos os movimentos; na “Sétima”, ao contrário, cada andamento é modelado e diferenciado por um padrão rítmico próprio. A estratificação de uma figura rítmica persistente, facilmente perceptível em cada parte, define o perfil da sinfonia como um todo.

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