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Genin Guerra retrata compositores brasileiros

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Crédito: Marcelo Rosa

O artista plástico mineiro Luiz Eugênio Quintão Guerra, ou apenas Genin Guerra, retrata compositores brasileiros de uma maneira peculiar, unindo caricaturas a esculturas. O resultado disso pode ser conferido em 48 obras na exposição “Solo – Álbum das glórias musicais”, que fica em cartaz na Galeria de Arte do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) na avenida Álvares Cabral, 1.600, Santo Agostinho, a partir da próxima quarta-feira e até 1º de outubro. O horário de visitação é de 14h às 18h, de segunda a sexta-feira, com público limitado, respeitando as regras de distanciamento social e as normas sanitárias.

Para marcar o lançamento da mostra, será realizado um show com Danuza Menezes e o Pandeiro Mineiro na próxima terça-feira, às 20h30, em uma live no canal do YouTube da Casa Outono (youtube.com/c/casaoutonocafecultura).

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 Além das obras em cerâmica, haverá 15 réplicas em resina. Elas estarão à disposição de pessoas cegas ou com deficiências visuais, de modo que possam tocar e ver a forma diferente como o artista retrata as personalidades. Essas peças também acompanham audiodescrições, para que a experiência seja ainda mais interessante e imersiva.

 Em seus 40 anos de carreira, Genin Guerra abordou diversas linguagens, como cartum, charge, caricatura, ilustração e escultura. Nesse trabalho, desenvolvido por dez anos, entre 2010 e 2020, ele une duas técnicas e três paixões: a escultura, a caricatura e a música.

Para ele, a temática não podia ser outra, senão homenagear grandes compositores brasileiros. “A nossa música popular é uma das coisas que temos de melhor: expressa a alma, a rica cultura nacional. Transporta nosso sentimento para comunicar paixões, angústias, medos, ressentimentos, sonhos, posições políticas. Resgatar estes personagens e suas trajetórias é resgatar momentos, imagens e fatos da história brasileira”, revela.

Entre os retratados estão nomes como Ary Barroso, Pixinguinha, Noel, Villa-Lobos, Chiquinha Gonzaga, Tom Jobim, Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Egberto Gismonti, Itamar Assumpção, João Bosco e muitos outros.

Originalidade – Na escolha dos compositores, Genin Guerra buscou os notáveis, por sua originalidade, comprovada brasilidade e riqueza musical e poética, além de tentar retratar a diversidade de nossos estilos musicais, usando técnicas seculares da cerâmica em três dimensões. “Esse é um projeto contínuo, muitos nomes ficaram de fora, e espero continuar retratando tantos artistas incríveis que englobam nossa cultura”, ressalta.

Sobre o nome dado ao projeto, o artista explica que “o nome Solo, além de significar terra/chão, define o que é falado, tocado ou cantado por um só artista. O subtítulo “Álbum das Glórias Musicais” é uma referência ao trabalho “Álbum das Glórias”, do ceramista e caricaturista português Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), constituído de uma série de caricaturas acompanhadas de uma folha avulsa a cada gravura, com respectivo texto alusivo ao personagem, trabalho publicado em jornal no fim do século XIX”, completa.

Muitas das peças expostas foram retratadas no livro homônimo à exposição, lançado em outubro de 2020. No entanto, há novas esculturas que poderão ser conferidas com exclusividade na mostra.

Sobre seu processo de criação, Genin explica que envolve seus gostos musicais e muita pesquisa. Em um primeiro momento, ele faz uma imersão nas músicas do compositor, busca por fotos dos artistas e só então parte para os esboços de suas caricaturas, que em um primeiro momento são feitas no papel. A partir disso, ele faz as esculturas e transforma em cerâmica, com dois tipos de queima: em Bizen e forno elétrico.

Genin Guerra nasceu em Itabira, em 9 de janeiro de 1959. Sua primeira experiência profissional com o desenho foi em 1979, no jornal alternativo “O Cometa Itabirano”, no qual esteve desde a fundação, fazendo cartum, charges, caricaturas e ilustrações diversas.

Estudou na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (entre 1980 e 1986), paralelamente ao curso de engenharia civil da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Foi editor de arte do DIÁRIO DO COMÉRCIO e do Jornal de Casa, em Belo Horizonte, entre 1993 e 2000. Teve trabalhos publicados na revista de humor Bundas (Rio de Janeiro); nos jornais Gazeta Mercantil (Minas Gerais), Estado de Minas, Hoje em Dia e O Pasquim 21 (RJ).

Desde 2000, vem dedicando-se às esculturas em bronze e em cerâmica, especialmente de artistas brasileiros da música e da poesia. Inaugurou, em 2002, na sua cidade natal, três esculturas em tamanho natural do poeta conterrâneo Carlos Drummond de Andrade. Em Itabirito (MG), fez as esculturas do cineasta Orson Welles (2006) e do técnico de futebol Telê Santana (2007). Em dezembro de 2008, inaugurou o baixo-relevo em bronze do embaixador José Aparecido de Oliveira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Em julho de 2014, fez o Monumento ao Tropeirismo em bronze, em Ipoema (MG); em agosto de 2019, o busto do José Bonifácio, o Patriarca da Independência, na Câmara dos Deputados em Brasília (DF). Em setembro de 2019, o Museu Casa de Cora Coralina recebeu a escultura em bronze da Poetisa de Goiás, de sua autoria.

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