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José Gerson, pai do estudante Marcos Vinicius da Silva, durante enterro no Cemitério São João Batista. - Foto: Fernando Frazão/Abr

Naquela sexta-feira, Gervásio Müller saiu de casa disposto a liquidar o assunto. Precisava resolver de uma vez por todas a situação. Já havia esperado demais. Não era justo continuar aguentando as coisas daquele jeito. Os limites do bom senso, e da lei!, haviam sido ultrapassados há muito tempo. A noite, como quase sempre, tinha sido terrível. Gervásio mal conseguira dormir. A festa no apartamento de Jackson de Jesus acabara depois das quatro da manhã, em pleno dia útil. O vizinho caprichava: música no volume mais alto, gargalhadas intermináveis, copos e garrafas, o cheiro da maconha empesteando o andar, duplas heterodoxas de convidados enroscando-se pelas escadas, desinibidas. Para completar, a prefeitura sem atender aos chamados, o atendente do cento e noventa caçoando de Gervásio Müller, irreverente, sem registrar as reclamações.

Pela força do hábito, confessara semanas antes a Murilo Schneider, seu melhor amigo, o que estava pensando em fazer. Se arrependimento matasse… Não obtivera o seu apoio. Pior: Murilo Schneider chegou a dizer que Gervásio Müller estava ficando louco e que não acreditava que ele tivesse coragem para fazer, de fato, o que imaginara.

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O plano não era de fácil execução. Exigiria extrema habilidade de Gervásio. Mas daquele dia, definitivamente, a sua consumação não passaria. Ainda no bar, a cerveja morna e o pão preto entre as mãos, repassou mentalmente, com rigor e método, todos os passos que deveriam ser dados. Depois de pagar a conta, rumou para a loja dos produtos especializados que descobrira depois de intensa navegação na internet. Demorou a chegar. Ela ficava em um bairro afastado, em que nunca tinha estado antes. Encontrou tudo fechado. Foi necessário tocar a campainha. Depois de esperar alguns minutos, impaciente, ouviu o barulho de passos. Um sujeito alto e magro entreabriu a porta, encarando-o de cima a baixo. Desconfiado, perguntou-lhe o que queria. Gervásio Müller não titubeou, informando com precisão o que o havia levado até ali. O sujeito mandou-o entrar. Em pouco tempo, mostrou-lhe o que estava em estoque. Gervásio Müller fez as aquisições necessárias. Acostumado ao ofício, o sujeito alto e magro, é bom que se diga, portou-se com a discrição esperada, o que o vizinho de Jackson de Jesus apreciou de modo especial, pois temia constranger-se no momento da compra.

O plano deu certo. Não poderia ter sido melhor. Gervásio Müller sequer foi chamado a depor. Os policiais lhe fizeram algumas perguntas de praxe ali mesmo, na entrada do prédio, nada de mais. Uma agenda de contatos do rapaz foi achada próxima ao seu cadáver e serviu de base para as investigações. As suspeitas acabaram recaindo sobre as pessoas que conviviam com o moço, as tais duplas heterodoxas, que se enroscavam pelas escadas. O corpo de Jackson de Jesus foi enterrado no dia seguinte, na presença de muitos amigos e de quase ninguém da família, contrária a seu estilo de vida.

Murilo Schneider esperou apenas a missa de sétimo dia de Jackson de Jesus para começar a chantagear Gervásio Müller.

  • Jornalista. Da Academia Mineira de Letras
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