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Criado em 1970, pelos artistas plásticos Álvaro Apocalypse, Tereza Veloso e Madu, o Grupo Giramundo, referência mundial em teatro de bonecos, celebra em 2020 seus 50 anos. Em meio à pandemia, a data poderia até passar despercebida.

Entretanto, o Cine Theatro Brasil Vallourec, mais uma vez, reforça o seu importante papel de fomentador da arte e da cultura, e realiza a “Mostra Giramundo 50 anos”, que contará com a transmissão ao vivo de quatro espetáculos do grupo, durante o mês de agosto. As apresentações serão sempre às terças-feiras, às 19h, no canal do centro cultural no YouTube.

Na programação, os espetáculos mais marcantes do grupo. Hoje será realizada a abertura com as consagradas marionetes de “Pedro e o Lobo”. A apresentação mais encenada pela companhia mostra que música clássica também é coisa de criança. Na semana seguinte, no dia 11, é a vez de “A Bela Adormecida”, a primeira montagem do Giramundo, produzida em fundo de quintal como passatempo e brincadeira familiar por Álvaro Apocalypse e sua esposa Tereza Veloso.

Na sequência, entram em cena o Dr. Botica e seu amigo Fido, em uma montagem que mistura bonecos, cores e magia. “As aventuras do Dr. Botica”, que conta com 14 bonecos manipulados por três atores, será exibido no dia 18 de agosto. E para fechar a programação especial, no dia 25, a criançada vai se divertir com “O aprendiz natural”, um dos espetáculos da série “Mini Teatro Ecológico”, dedicada a levar ao público infantil e familiar, os biomas do Brasil, suas características e desafios ecológicos.

Desde abril, pouco menos de um mês após o início do isolamento social e fechamento das atividades não essenciais, o Cine Theatro Brasil Vallourec vem investindo na pioneira iniciativa de realizar lives de espetáculos teatrais, encenadas diretamente em seu palco, como forma de levar entretenimento cultural e artísticos para a população.

Público infantil – Depois do grande sucesso do projeto “Live pra Rir”, que contou com sete exibições de montagens cênicas, que já acumulam mais de 180 mil visualizações no YouTube, o centro cultural realiza agora lives especialmente para o público infantil. O dia da semana e o horário, inclusive, foram escolhidos pensando em proporcionar uma atração para as famílias se divertirem juntas, ao fim do dia, em um momento de lazer entre pais e filhos, dentro de casa, por conta do isolamento social.

“Pedro e o Lobo” narra a história de um menino que tenta caçar um lobo. Baseada no conto sinfônico do maestro russo Sergei Prokofiev, ela apresenta às crianças a estrutura elementar de uma orquestra, seus instrumentos e timbres. Cada personagem relaciona-se ao som de um instrumento de orquestra.

Criada em 1971, a peça “A Bela Adormecida” marcou a estreia do grupo. O texto foi adaptado por Álvaro Apocalypse a partir do conto de Charles Perrault. o sucesso de público impulsionou outras temporadas e novas produções. Em 1991 o espetáculo foi remontado tornando-se o primeiro do grupo a trocar totalmente de mãos. “A Bela Adormecida” ganhou uma nova roupagem em 2018: os bonecos foram restaurados, criados novos cenários e a peça adaptou-se a atualidades com projeções em vídeo. A trilha sonora original foi mantida, com o objetivo de preservar a história do teatro mineiro.

“As aventuras do Dr. Botica” é uma história divertida, com personagens únicos, que tratam os valores essenciais, como amizade, compromisso, tolerância, inclusão, e que num passe de mágica, os levarão para um mundo cheio de fantasias. O Dr. Botica e o seu amigo Fido vivem cercados por companheiros especiais e tudo segue harmoniosamente até que um dia a dupla acorda diante de um grande mistério.

Em “O  Aprendiz Natural’, uma bióloga, seu assistente e um guia, formam uma equipe de expedição científica. Eles estão em busca de um ambiente natural intacto. Quando comemoram o achado, descobrem que o lugar está sob ameaça do “Homem Mau”, um personagem que explora inescrupulosamente os recursos naturais. Como observadores, a equipe toma conhecimento da fauna da floresta e de seus problemas. Sensibilizada, a trupe participa de um plano, que conta com a presença do Saci, para acabar com os planos do “Homem Mau”.

Teatro em Movimento realiza festival virtual

Durante os últimos 19 anos, o festival Teatro em Movimento foi responsável por descentralizar o acesso às grandes produções do eixo Rio-São Paulo e trouxe para Belo Horizonte e outras 15 cidades mais de 300 espetáculos em um constante programa de formação de plateia.

Prestes a dar início à edição 2020, o projeto foi surpreendido pela pandemia do Covid-19 e todo o isolamento social que começou desde então. Após um período de estudo e pesquisa, a produtora Tatyana Rubim (foto), idealizadora do Teatro em Movimento, transformou o festival em algo absolutamente novo.

O projeto dá início neste mês ao Teatro EmMov Digital, uma ampla plataforma de teatro para web, construída a partir de três pilares: um curso pioneiro de formação em teatro digital, a produção de uma websérie com 20 episódios e o lançamento de três montagens virtuais concebidas exclusivamente para a ocasião e estreladas por Barbara Paz, Cacá Carvalho e Yara de Novaes.

O Teatro EmMov Digital tem coordenação geral de Tatyana Rubim, que também divide a coordenação de experiências digitais e formação em teatro digital da doutora da UFMG Mariana Lima Muniz. O projeto conta com os patrocínios da Cemig, Instituto Unimed-BH(através do incentivo de mais de 5,1 mil médicos cooperados e colaboradores) e do Itaú, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério do Turismo.

Desde o início do processo, a preocupação de Tatyana é a mesma com que conduziu o Teatro em Movimento ao longo de quase duas décadas: prestar um serviço de excelência, estar atenta aos espectadores e deixar um legado. ‘O tempo é outro, a fórmula é outra! E, para tanto, é preciso entender este novo ambiente, trazer as pessoas certas e especialistas, a fim de produzir algo novo, como repertórios para serem apresentados ao público, que também deve ser considerado como um “novo espectador”, por se comportar de modo diferente da presencial. É o desafio de construir o novo para o novo normal’, diz Tatyana, que convocou uma equipe de peso para ampará-la neste novo momento.

Além de Mariana, Matias Umpierrez assina uma espécie de mentoria do projeto e por vezes supervisionará diretores na empreitada, que contará com profissionais referenciais na dramaturgia brasileira, como André Cortez, Inês Peixoto, Gilberto Scarpa, Tattá Spala, Marcio Medina, Vinicius Calderoni e Vinícius Souza.

O Teatro EmMov Digital será realizado com uma equipe de quase 100 pessoas, entre diretores, atores, cenógrafos, cineastas, roteiristas, especialistas da área digital, produtores e professores. Toda esta cadeia produtiva teve seu trabalho interrompido com o isolamento social.

‘O teatro sobreviveu a muita coisa e agora vai se reinventar também. Após escutar alguns infectologistas, lamentavelmente percebemos que novas pandemias poderão surgir. O mundo sofrerá e precisamos estar preparados. O cenário digital vem para ficar e precisamos preservar a referência e a identidade do teatro brasileiro’, analisa Tatyana, que investiu no caráter educacional do projeto por conta disso.

Toda a concepção do projeto foi idealizada com a consultoria em tecnologia de Zé Renato de Carvalho e especialistas em mídias digitais, além de seguir rigorosamente todas as normativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) contra a contaminação do Covid-19.

Educação on-line – A formação em teatro digital é voltada para a capacitação de profissional, com 180 horase. São 200 vagas para o curso e 100 vagas por disciplina para ouvintes (que não farão o curso todo). Tatyana diz que este eixo fecha o pensamento global do projeto na medida em que contribui para especialização da cadeia produtiva já iniciada no presencial, mas abre chances para quem quer ingressar nesta temática do teatro digital, sendo este um dos diferenciais desse projeto. Toda a programação será gratuita.

As aulas serão aplicadas exclusivamente on-line, em plataforma própria, por professores capacitados nas áreas de artes digitais, teatro digital, games, audiovisual e produção de projetos culturais. O objetivo é que o curso contribua para a abertura de novos mercados para profissionais da área das artes cênicas em Belo Horizonte e outras cidades de Minas Gerais e do país. A coordenação pedagógica é da professora doutora da UFMG Mariana Lima Muniz (UFMG). As inscrições podem ser feita até a próxima sexta-feira através do site do Teatro em Movimento. As aulas terão início em 17 de agosto.