Crédito: Guto Cortes

Com unanimidade dos 34 votantes, o dramaturgo Jota Dangelo foi eleito na última terça-feira o sétimo sucessor da cadeira de número 26 da Academia Mineira de Letras (AML), vaga desde o falecimento do acadêmico Ângelo Machado, em abril.

A cadeira, cujo patrono é Evaristo da Veiga e o fundador é José Eduardo da Fonseca, já foi ocupada por nomes como Mário Casassanta, Henriqueta Lisboa, Lacyr Schettino, João Batista Megale, Bartolomeu Campos de Queiroz e Ângelo Machado.

Para o presidente da Academia Mineira de Letras, Rogério Faria Tavares, “Jota Dangelo é um dos nomes fundamentais da cultura mineira há pelo menos seis décadas, sobretudo no campo do teatro.

Fundador do Teatro Universitário e ex-secretário de Cultura do estado, também lecionou na Faculdade de Medicina da UFMG por 30 anos, sendo doutor e livre docente. Foi um dos melhores amigos de seu antecessor, o querido Ângelo Machado, com quem fundou o lendário ‘Show Medicina’. É uma alegria e uma honra a sua chegada à AML”.

Enquanto está fechada ao público, em razão da pandemia de coronavírus, a Academia Mineira de Letras realiza a campanha #AMLEmCasa, com conteúdo diário em suas redes sociais e palestras inéditas, semanalmente às quintas-feiras, em seu canal no Youtube.

Jota Dangelo foi o primeiro presidente da Confederação Nacional do Teatro Amador (Confenata), criada por iniciativa do Serviço Nacional de Teatro do Ministério da Cultura. Ele foi membro do Conselho Estadual de Cultura de 1978 a 1982; superintendente da Fundação Clovis Salgado em 1983, quando criou o Teatro Ceschiatti, no Palácio das Artes; secretário adjunto de Cultura em 1984 e 85; secretário de Estado da Cultura em 85 e 86; presidente da Belotur de 1989 a 1992; diretor-presidente do BDMG Cultural de 2003 a 2011; d membro do Conselho Estadual de Política Públicas de 2012 a 2014, representando o setor de Artes Cênicas de Minas.

Atualmente residindo em São João del-Rei, Jota Dangelo é o presidente da Fundação Cultural Campos de Minas, responsável pelo funcionamento da TV Campos de Minas, uma emissora educativa e cultural. Ele também foi um dos principais articuladores da fundação do Teatro Universitário (T.U.), junto com Carlos Kroeber, João Marschner, Italo Mudado e outros, o que acabou ocorrendo em 1956, no âmbito da UFMG.

Artes cênicas – Em 1959 criou, com amigos, o Teatro Experimental de longa trajetória nas artes cênicas de Belo Horizonte. Em 1974, foi o criador de “O Grupo”, ex-Teatro Experimental. Em 1990, ele e a mulher, a atriz e também diretora teatral Mamélia Dornelles, fundaram a Casa de Cultura Oswaldo França Junior, com sede no bairro Santa Efigênia e depois no Santo Antônio.

A entidade atuou na área cultural, especialmente teatral, em Belo Horizonte e no interior de Minas até o ano 2000. Dangelo também foi um dos fundadores da Federação de Teatro de Minas Gerais (Fetemig).

Em 1954, ainda como estudante, criou o “Show Medicina”, que dirigiu ao longo de 12 anos. A partir de 1955, Angelo Machado foi seu parceiro na redação dos textos. Jota Dangelo também dirigiu ou atuou como ator em 72 peças teatrais.

Numa outra atividade, durante 30 anos, entre 1957 e 1986, Jota Dangelo foi o presidente e o carnavalesco da Escola de Samba “Qualquer Nome Serve” de São João del-Rei, responsável por uma radical transformação do modelo dos desfiles das agremiações carnavalescas naquela cidade que, nos anos 60 e 70, foi considerada a detentora do melhor carnaval de rua do interior do País. De 1990 a 2000, a E.S. Qualquer Nome Serve fundiu-se com a E.S. Mocidade Independente do Bonfim, dando origem ao “Grêmio Recreativo Escola de Samba União”, da qual Jota Dangelo foi o carnavalesco até o ano 2000.

Entre as obras que publicou estão: “Pelas Esquinas” (2015), Os anos heróicos do Teatro em Minas (1950-1990)” (2010), “Doce Gel” (1987), “O sol nascente na Amazônia” (1986), “O humor do Show Medicina” (com Angelo Machado, 1991), “Anatomia Humana, sistêmica e segmentar” (com Carlo Américo Fatini, 1983), “Oh!Oh!Oh! Minas Gerais” (com Jonas Bloch, 1968).